domingo, 1 de outubro de 2017

Intérpretes/Literatos do Brasil - Paulo Freire





Paulo Reglus Neves Freire (Recife, PE, 19 de setembro de 1921 – São Paulo, SP, 2 de maio de 1997) – é o Patrono da Educação Brasileira. Foi um educador, pedagogo e filósofo brasileiro. Paulo Freire é considerado, mundialmente, como um dos grandes pensadores da Pedagogia. Quando criança, Paulo passou por dificuldades econômicas, junto de sua família, pais e irmãos, onde experimentou muito cedo a fome; não aquela fome intensa, mas a suficiente para atrapalhar os estudos. Ele foi alfabetizado por seus pais, debaixo das mangueiras da casa, escrevendo no chão com gravetos. Seu pai, Joaquim, era espírita e sua mãe, Edeltudres, católica. Segundo Paulo Freire, desde pequeno teve uma educação dialógica, diferente, onde podia expressar a sua opinião. Os pais pregavam uma educação de liberdade, sem libertinagem. Terminou o curso primário em Jaboatão, cidade próxima de Recife. Aos 13 anos de idade perdeu seu pai, Joaquim, que era Tenente do exército, em um desfile de 7 de setembro. Um acidente, com a queda do cavalo, tirou a vida de seu genitor. Com uma pensão pequena, voltaram para Recife, onde a mãe conseguiu uma bolsa de estudos para Paulo, no Colégio Oswaldo Cruz, sob a benevolência do diretor Aluízio Araújo, que lhe fez única exigência: Paulo tinha que ser estudioso. Assim Paulo o fez, durante toda a sua vida. Entrou na Faculdade de Direito, na Universidade de Recife, onde se formou e, posteriormente, conseguiu o título de advogado. Entretanto, não exerceu a profissão. Aos 21 anos era professor de Língua Portuguesa, na mesma escola (Oswaldo Cruz). Em 1944, ele se casou com Elza Maria Costa Oliveira, com quem teve cinco filhos: Maria Madalena, Maria Cristina, Maria de Fátima, Joaquim e Lutgardes. A esposa Elza, que trabalhava com educação de crianças, foi quem convenceu Paulo de que ele era um educador. Foi diretor do Departamento de Educação e Cultura do SESI, tendo o primeiro contato com operários e com a alfabetização de adultos. No ano de 1959 defendeu a Tese “Educação e Atualidade Brasileira”, na Universidade Federal do Recife, obtendo o título de Doutor em Filosofia e História da Educação. Paulo Freire passou a trabalhar com a alfabetização de adultos, dando os primeiros passos para a metodologia que iria ser chamada de “Método Paulo Freire”. Priorizava uma educação dialógica, debatendo sempre com os alunos, utilizando conceitos do contexto social do discente, realizando uma relação entre natureza e cultura. No início dos anos 60, Paulo Freire surge como um intelectual educador que com seu método revolucionário poderia alfabetizar 5 milhões de adultos, de forma rápida. Recebe a confiança do Presidente João Goulart e do então Ministro da Educação, Paulo de Tarso Santos, que o convidou para expandir seu método para todo o território nacional. Tal convite ocorreu pelo sucesso do processo de alfabetização, empregado em Angicos, Rio Grande do Norte. O plano foi interrompido pela conturbada época de 1964, quando ficou preso por 72 dias, em pequenas celas. Recusava-se à ideia de se exilar do país, mas ao saber que seria preso novamente, foi para a Bolívia e, posteriormente, para o Chile, onde viveu de 1965 a 1969, junto com sua esposa e filhos. Foi no Chile que Paulo escreveu Pedagogia do Oprimido, sendo Elza a sua primeira leitora. Nesse país ele escreveu, também, “Extensão ou Comunicação?” e “Educação como Prática de Liberdade”. Lá no Chile, recebeu dois convites: um para trabalhar como professor visitante na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos; e outro para ser Consultor Especial do Departamento de Educação do Conselho Mundial das Igrejas, em Genebra, na Suíça. Com dúvidas, consultou a família, quando decidiram ir para os Estados Unidos, onde publicou o Pedagogia do Oprimido em inglês. Em Harvard que ampliou o debate sobre a “educação bancária”. Posteriormente, Paulo Freire aceitou o convite de Genebra, onde morou dez anos, entre os anos de 1970 e 1980, trabalhando no Conselho Mundial das Igrejas. Ficou mundialmente conhecido, viajando para diversos países, atuando na África, especialmente nas ex-colônias portuguesas: Cabo Verde, Angola, São Tomé e Príncipe e Guiné Bissau. Com essa transição em diversos países, tanto Paulo, quanto os integrantes da sua família aprenderam a relativizar a experiência em diferentes culturas. Após a Lei da Anistia, em 16 de junho de 1980, no mesmo dia do aniversário de 64 anos da sua esposa Elza, decidiram voltar para o Brasil. O projeto foi tomado a cabo ainda no Governo Figueiredo; e Paulo passou a trabalhar em São Paulo, nos anos 80, na PUC e na UNICAMP. Em virtude do reconhecimento mundial, viajou muito para o exterior, principalmente Estados Unidos e Europa. Recebeu o diploma de Doutor Honoris Causa de várias universidades do mundo, dentre as quais, uma das mais antigas do mundo: a de Bologna, na Itália. Em 1986, um duro choque: morre de um enfarte, aos 70 anos, a sua esposa Elza, com quem havia passado 42 anos de casamento. Após alguns anos, com Ana Araújo, sua segunda mulher, Paulo reencontra o gosto pela vida. Em 1989 foi Secretário de Educação do Município de São Paulo, durante a administração da prefeita Luiza Erundina. Afastou-se do cargo por opção, no ano de 1991. Entre 1991 e 1997 trabalhou intensamente na escrita, brigando com a saúde, mas publicando diversas obras, sendo a última “A Pedagogia da Autonomia”. Faleceu no dia 2 de maio de 1997, aos 75 anos de idade.


Biografia baseada no livro: FREIRE, Lutgardes Costa. Paulo Freire por seu filho. In: SOUZA, Ana Inês. (Org.). Paulo Freire: Vida e Obra. São Paulo: Expressão Popular, 2001, p. 329-342.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por deixar o seu comentário neste blog.
Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...