quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Literatos do Brasil - Oswald de Andrade



José Oswald de Sousa Andrade (São Paulo, SP, 11 de janeiro de 1890 – São Paulo, SP, 22 de outubro de 1954) – Fez os estudos secundários no Ginásio São Bento e de Direito em São Paulo. Era filho único de José Oswald Nogueira de Andrade e de Inês Henriqueta Inglês de Sousa Andrade. Nascido de uma família muito rica, desde cedo passou a viajar para a Europa. As primeiras viagens constam da virada do século XIX para o XX, onde passou a ter contato com a boemia intelectual de Paris e, principalmente, quando teve contato com o Futurismo (ítalo-francês). Conheceu artistas como Jean Cocteau, Blaise Cendrars e Pablo Picasso. Voltando para a capital paulista, em 1911, passou a fazer um jornalismo literário. Fundou o semanário humorístico, crítico e político O Pirralho, de grande repercussão. Quando da Exposição da Anita Malfatti, em 1917, Oswald se posiciona a favor da pintora, contra o artigo forte “Paranoia ou mistificação? ” de Monteiro Lobato. Alinhou-se, assim, com outros futuros modernistas, tais como: Mário de Andrade, Guilherme de Almeida e Menotti Del Picchia. Passa a adquirir um perfil rebelde e combativo, tornando-se um dos grandes nomes do modernismo brasileiro, sendo considerado um dos mais inovadores do período. Foi um dos articuladores da Semana de Arte Moderna de 1922, sendo que a sua época mais construtiva ocorreu na 1ª fase modernista (1922-1930), quando produziu os conhecidos Manifesto da Poesia Pau Brasil (1924) e Manifesto Antropofágico (1928), além de participar de revistas e publicações (Revista de Antropofagia – 1928). Este segundo manifesto originaria o movimento de mesmo nome, o que sucederia na posterior Antropofagia Cultural Brasileira. Após a quebra da Bolsa de Nova York (1929) e da revolução de 30, Oswald entra numa crise financeira, perdendo quase tudo o que possuía. Ele adere à Esquerda, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro, que influenciará a composição de duas obras: o romance Serafim Ponte Grande (1933) e a peça de teatro O Rei da Vela (1937), sendo que esta ainda é bastante encenada, na atualidade. A partir de 1945, ele fica desgostoso com a militância e se afasta da Esquerda. No mesmo ano (1945), concorre à Cadeira de Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), com uma tese sobre a Arcádia e a Inconfidência, onde ganha o título de livre-docente. Em 1950, concorre na mesma universidade, para o provimento na Cadeira de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, com o tema “A crise da Filosofia Messiânica”, não sendo aprovado. Casou-se oito vezes, tendo como suas esposas duas grandes musas modernistas: Tarsila do Amaral e Patrícia Galvão (PAGU). Oswald faleceu em 1954, com sessenta e quatro anos de idade, vítima das complicações da diabete, deixando vasta publicação, que foi mais valorizada somente cerca de dez anos após sua morte. Texto baseado em BOSI (2006), ABAURRE e PONTARA (2010) e em outras publicações do próprio Oswald de Andrade.


Oswald de Andrade, no Manifesto Antropófago: “Só a antropofagia nos une.  Socialmente. Economicamente. Philosophicamente”.

Oswald de Andrade criou, por exemplo, o poema “Meninas da Gare”, constituinte do livro Pau Brasil (1925, p. 26), o qual conservamos a redação e a organização original. Uma ironia à prostituição que ocorria próximo às estações ferroviárias:

As meninas da gare

Eram tres ou quatro moças bem moças e bem
gentis
Com cabellos mui pretos pelas espadoas
E suas vergonhas tão altas et tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos                   
Não tínhamos nenhuma vergonha



Como poucos, eu conheci as lutas e as tempestades. Como poucos, eu amei a palavra liberdade e por ela briguei”.

Oswald de Andrade
Poeta e escritor brasileiro


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