sexta-feira, 28 de agosto de 2015

E-mail de leitora: Neida Ceccim Morales - sobre artigo "Noite, café e saudosismo..."

Prezado Prof. Pasini,
 
Boa tarde!
 
Acabo de ler, com a maior satisfação, sua crônica publicada hoje no jornal "A Razão".
 
Uma crônica linda, que eu poderia assinar em baixo, tamanha a identificação que tive com suas palavras.
 
Também gosto da noite ( na passada, assisti filmes até as 4:30 da manhã) e a passagem do tempo me trouxe, com a aposentadoria, o direito de usufruir dela, sem
 
culpas e sem receios.
 
Parabéns e muito obrigada por tão belo texto.
 
Atenciosamente
 
Neida Ceccim Morales.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Jornal A RAZÃO - 26 Ago 15 - Noite, café e saudosismo... (Para Oracy Dornelles)


Noite, café e saudosismo...
(Para Oracy Dornelles)
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

Gosto da noite.
Desde criança, sempre preferi o aroma do vento noturno, acompanhado do brilho das estrelas, do que o calor ensolarado do dia, com seus movimentos excessivos.
Nas noites, ainda menino, adorava ver os faróis dos carros batendo nas paredes das casas. Ficava parado, vendo aquela mistura de luzes e sombras, que criavam figuras e monstros. Também sentia um frio na barriga, quando animais voadores (aves ou morcegos?) passavam perto dos ombros, nas brincadeiras de esconde-esconde. Para a imaginação fértil de menino, o anoitecer era a liberação de vampiros e lobisomens (estes, somente em caso de lua cheia). Quando deitávamos para dormir, os vultos dos galhos das árvores ficavam balançando, perto da janela do quarto, impedindo o sono por várias horas. Era o medo mais terrível do mundo!
Nos verões da infância, o crepúsculo alaranjado abria aquelas noites quentes, abafadas, quando insetos (suicidas) procuravam a luz de qualquer poste. Vaga-lumes e cigarras enfeitavam o ocaso. Era o anoitecer das férias, sinônimo de liberdade, corre-corre e de chinelos.
Lembro que, na adolescência, pedi para a minha mãe: “- Posso amanhecer assistindo filme? ”. Naquela época, nós gaúchos tínhamos um ou dois canais de TV, e sábado sempre prometia: “Supercine, Sessão de Gala, Corujão...”. Minha mãe deixou. A sensação de completa satisfação surgiu, naquele domingo de manhã, ao ver a escuridão acabar e observar o sol nascendo... Eu havia vencido o cansaço carnal, dessa metáfora que se chama corpo!
Gosto da noite.
Ainda experimento um frenesi quando consigo assistir a diversos filmes seguidos. Penso, comigo mesmo, que se existir um paraíso, ele estará repleto de madrugadas, de filmes e de bibliotecas (sentaremos, caro leitor, ao lado de Jorge Luís Borges e tomaremos um café).
Agora, adulto, adoro “madrugladiar” numa boemia poética, em debates filosóficos que levam a quase nada e a lugar algum. Falar com amigos e ficar amassando os cantos de guardanapos; divagar por besteiras e tentar achar as soluções para os problemas ontológicos do mundo. Rabiscar, nos mesmos guardanapos, ideais originais ou conhecimentos aprendidos. Reinventar a roda...
Gosto da noite. Ela me lembra um copo de vinho, uma cuia de chimarrão e a textura de um bom livro. Ela tem o gosto de café, o som do silêncio, o cheiro da imortalidade e a maciez do saudosismo. A sua cor é sombria, mas ilumina diversas almas.
Ela é a mãe dos cinco sentidos e a amante do sexto.
Quando bem tratada, a noite proporciona uma sinestesia de eternidade. 

domingo, 23 de agosto de 2015

E-mail leitor: Miguel José da Silva (78 anos)

Hoje, 12/08, de minha leitura diária de A Razão, me deparei com artigo de vossa senhoria ( fala sobre o artigo OS QUATRO ELEMENTOS). Ao tempo, que apresento congratulações efusivas pela excelência do trabalho, solicito  ajuda do ilustre escritor.
Com 78 anos de idade, sem qualquer experiência de escritor, resolvi escrever um ameaço de autobiografia, o que já  estou a caminho.
Venho escrevendo em ordem cronológica de existência. Nada sei quanto à  estrutura organizacional de redação, como parágrafos, composição de frases e mais recursos atinentes.
Exposto o que me leva ao prezado colunista e à espera de ser atendido, antecipadamente agradeço. Com meu abraço. Miguel José da Silva.
E-mail: (omiti o e-mail do amigo)
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Como resposta ao e-mail, enviei os meus números de telefone e ficamos de marcar uma reunião, pessoalmente, para que possamos debater como publicar o seu livro.

O senhor Miguel serve de exemplo para todos nós, leitores e escritores. Exemplo de motivação.

Vamos escrever e ler!

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Jornal A RAZÃO - 19 de agosto - "Vai na fé!"

VEJA MAIS: https://www.arazao.com.br/colunistas/giovani-pasini/


Vai na fé!
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

Dias atrás escutei uma história, numa rádio local, que achei tragicômica.
Era uma reportagem sobre roubo de veículos, na grande Porto Alegre. Segundo os radialistas, esse tipo de crime aumentou consideravelmente nos últimos tempos, em virtude do tráfico de drogas e da crise financeira. No programa, uma senhora enviou uma mensagem contando que, ao ser roubada (assaltante armado), ela ficou apavorada. O motivo do susto, além do crime: a sua filha estava presa numa cadeirinha infantil, no banco de trás do automóvel. Desesperada ela suplicou:
“- Moço, pelo amor de Deus! Deixa eu pegar a minha filha!” – A resposta do marginal foi:
 “- Vai na fé!”. 
Ela retirou a filha do carro e, mesmo perdendo um veículo, inconscientemente falou :
“- Muito obrigada!!!”
***
O grande problema brasileiro, não está nos políticos. Um político é representante do povo, sendo, portanto, integrante desse povo. O pior dilema de nosso país está contido em duas palavras distintas, mas interligadas: educação e ideologia.
De que forma poderemos diminuir a violência?
Atuemos no descompasso social criado por essas duas palavras.
A educação brasileira deve ser repensada. Principalmente, do momento da concepção (ato de prazer e dor), até a fase que a criança chega na escola.
Dentro da escola? Chega de desmerecermos o sacerdócio que é a profissão docente. Não é somente questão de salário, pois a desvalorização da educação brasileira é histórica, sendo uma conjunção maquiavélica, social, coletiva. Os professores necessitam de um melhor tratamento, de maneira geral, seja pelos governos ou pelas famílias. Muitas vezes nós não cuidamos bem de único filho e queremos que uma professora seja a “salvadora da pátria”, com trinta ou quarenta alunos? Educar é ato grupal e a família tem a maior responsabilidade sobre isso. Famílias desestruturadas, nação violenta.
Por isso a ideologia, algumas vezes, é a metáfora do jumento.
Ela pode levar ao fanatismo ideológico e, por consequência, à violência – moral ou física. Paulo Freire nos falou que toda educação é política, o que concordo plenamente. Da mesma forma, penso que dividir o Brasil em extratos sociais é algo perigoso. Não existe classe somente opressora, nem povo apenas oprimido. Todos nós – eu e você – ocupamos momentos de opressor, outros de oprimido. Autonomia é tentar escapar, ao máximo possível, desses dois adjetivos. Sem esquecer, é claro, que sobre os ombros do povo latino pesa a maior opressão, que é a ideológica; em segundo lugar, a econômica.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Artigo do Jornal A RAZÃO - Os quatro elementos - Giovani Pasini


OS QUATRO ELEMENTOS
(continho Boca do Monte)
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

TERRA fria, noite escura. Agachado diante da lixeira verde, numa rua escura de Santa Maria, Márcio Ortiz sente fome. Com uma força surgida do sangue, do espírito, mas de estômago vazio, ele resolve levantar daquele chão gelado, consequência dos terríveis ocasos de agosto. Tosse. Tosse. Tosse.

 (...)
Era a quarta vez que tossia, apenas nos últimos minutos. O AR entrava nos seus pulmões, com ardência terrível. Estava novamente fraco. A fraqueza dominava quase todos os seus pensamentos e dilacerava a sua carne. Sentia fome. Sentia sede. Sentia frio. Estava cansado de tentar sobreviver numa sociedade tão difícil. Opressão selvagem.

 (...)
Lembrou que tomou ÁGUA apenas no início do dia. Recordou que o líquido desceu pela garganta e saciou uma das necessidades fisiológicas essenciais ao homem. Em pé, deu alguns passos e, cambaleante, alcançou a lixeira. Encostou a mão direita na grande lata verde(-gelo), o conhecido contêiner e sentiu a maciez gélida do metal, exposto às intempéries do inverno. Márcio Ortiz pensou: (...)
“Será que essa lixeira terá restos de comida? Será que acho alguma lata de refrigerante com um pouco de bebida? Tomara, pelo menos, que ela tenha pedaços de madeira. Colocarei FOGO nos gravetos e papéis; aquecerei a minha carne. Dormirei tranquilo, até que a nave do infinito me leve para junto dos preás gordos, da cadelinha Baleia e de um Fabiano companheiro. Principalmente, serei carregado para aquele sertão quente – sem esse frio terrível – e suarei bastante! Suarei na devida proporção de nossas Vidas Secas. ”
Márcio Ortiz ainda não sabe e jamais saberá... Mas ele nunca perecerá!

 (...)
O fim? Ele não existe. Nós, mundanos medíocres, continuaremos a reclamar que o time de futebol não está jogando bem...  Nós, mundanos medíocres, engolimos a alma da Santa Maria.
==========
PS: Esse artigo foi construído numa oficina literária sob a orientação do escritor gaúcho Alcy Cheuíche. O exercício utilizou os quatro elementos (terra, ar, água e fogo) e quatro tempos verbais, separados pelas reticências. Cada parágrafo possui, predominantemente, um tempo verbal: o presente; o pretérito imperfeito; o pretérito perfeito; e o futuro do presente.
Cabe ressaltar que Alcy Cheuíche estará na Biblioteca Henrique Bastide (Largo da Locomotiva), no sábado, 15 de agosto, 17h, lançando o livro “O Farol da Solidão”. Vale conferir!

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Convite recebido - Lançamento Escuta essa voz

Convidamos a todos os escritores e leitores de Santa Maria.

Olá, tudo bem?
Meu nome é Cleo de Oliveira, sou escritor de Novo Hamburgo.
Neste sábado, 15/08 às 17hs estarei em Santa Maria, lançando meu segundo livro de contos "Escuta Essa Voz", pela Editora WWlivros. O lançamento integra o mês da Cultura em Santa Maria

Estou lhe mandando algum material sobre o meu livro para divulgação no blog e aproveitando para convidar os amigos da Caposm para o lançamento.
Obrigado
Cleo de Oliveira 




sábado, 8 de agosto de 2015

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Artigo jornal A RAZÃO - 5 de agosto de 2015 - MALABARISMOS


Malabarismos
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

Ando pelas ruas de Santa Maria e vejo a vida passando.
Olho as fisionomias dos diversos transeuntes e um, especialmente, chama a minha atenção. Entre todos, ele me parece ser o de mais energia: um senhor de idade avançada, portando um rádio AM/FM antigo, envolto pelo braço. A sua pele morena, na praça Saldanha Marinho, é submersa pela fumaça de um cigarro de palha, que também ostenta, e pelo som alto de uma música regionalista.
- O RS não tem mais saída! Estamos ferrados! Não tem mais como tolerar! – Grita ele, para um amigo.
Aquele idoso aumenta a minha vontade de conhecer cada vez mais Santa Maria, suas praças, bares, monumentos, restaurantes e, especialmente, suas pessoas.
Penso no contraste desse Brasil – o de Monteiro Lobato – onde passado e futuro permanecem no presente. Dois Brasis: o de ricos e o de pobres. O das Capitais e o do interior. O da comida para sobreviver e o da comida para enaltecer. Malabarismos.
Nós, humanos, tendemos a fanatizar algo, alguma coisa ou alguém: artistas, ideologias, religião, política, futebol, entre tantas ramificações. Uma das origens da expressão “fanatismo” está baseada na palavra fan, ou seja, “fã”.
Fanatismo se opõe à tolerância. Um fanático utiliza de qualquer meio para atingir o seu objetivo, ou o de seu grupo. Mundo “Partido”.
Onde ocorre uma interação –  uma comunicação –  mesmo sem palavras, poderá ocorrer uma discordância. Divergir significa não aceitar argumentações, ou parte delas. Quando alguém diz o que você não aceita, pelo menos ouça! Intolerante é aquele indivíduo que finta a comunicação – interrompe ou ofende – apenas pelo fato de não aceitar o que está sendo dito.
A tolerância deve estar ligada ao respeito, não à subordinação de pensamentos. Tolerar é ato individual; por consequência, torna-se fundamento de determinada cultura, com ações coletivas.
O ódio é uma intolerância potencializada, muitas vezes com apoio de uma coletividade. Observem as redes sociais e as besteiras que alguns radicais escrevem. Nós, brasileiros, adoramos a metáfora do jumento.
Devemos combater ideias e não pessoas. Necessitamos pelejar contra os argumentos, nunca contra carne, ossos e ignorância. Afinal, na cultura tupiniquim, infelizmente, ainda achamos graça dos malabarismos de determinados palhaços, que ainda dominam a nossa atenção.
Tolerância...


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