sexta-feira, 31 de julho de 2015

E-mail recebido da leitora Célia Horquen de Oliveira - artigo Pão com Mortadela

Boa tarde;

É com água dos olhos e com nostálgica emoção que lhe parabenizo pelo "pão com mortadela". Me identifiquei muito. Minha infância no "interior do interior" (em Julio de Castilhos, morava "para fora" como dizem), acostumada com o pão caseiro que a mãe fazia; até hoje faz, porém agora na cidade, parece não ter o mesmo cheiro.
Nosso café também contava com torresmo, mandioca frita (na banha), chimia, queijo e morcilia (antes era assim, agora é morcela)... tudo feito pelos meus pais. Que infância deliciosa onde as brincadeiras eram na base da criatividade (não a base de energia elétrica como hoje)... Enfim, milhares de boas lembranças. 
Agradeço a você por, no meio da correria do dia a dia, fazer despertar em mim, ao menos por alguns instantes, aquela criança inocente que só queria subir na árvore e correr de pés descalços.

Um fraterno abraço;

Att;

Célia Horquen de Oliveira
Chefe de Gabinete
Secretaria Especial de Município

E-mail recebido de Leo Jorgelewicz sobre a coluna Pão com Mortadela

Parabéns pela tua crônica na razão. muito tocante e bem escrita barbaridade. Conheces as letras que vão ao coração.

Forte abraço.

Leo Jorgelewicz
Fisioterapeuta

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Artigo jornal A RAZÃO - 29 de julho de 2015 - Pão com mortadela



Pão com mortadela
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

Lembro daquela viagem, ainda criança, em que saí de Santiago do Boqueirão, rumo a Porto Alegre, numa excursão gratuita para a votação de uma diretoria do GBOEX (Grêmio Beneficente de Oficiais do Exército), entidade hoje falida, que afiançava seguros diversos.
Eu tinha apenas 10 anos e nunca havia visto uma cidade grande. Nem mesmo tinha visitado a nossa amada Santa Maria, tão comentada nos bairros de minha terra.
O motivo dessa narração é a marca profunda que a viagem me causou e, sabendo também, que o leitor poderá se identificar com essa simples aventura.
Depois de horas de sacolejos dentro do ônibus, com pessoas desconhecidas e acompanhado de meu pai, chegamos na capital do Rio Grande. O primeiro susto, ao passar pela orla do Guaíba, foi observar aqueles navios imensos, parados, que eu somente havia enxergado nas imagens da televisão, ou imaginara nas historinhas infantis, que iam do Popeye até Nautilus.
Ao chegarmos no centro da metrópole, próximo à rodoviária, paramos em frente a um imenso prédio, de quase trinta andares. Eu, nascido numa cidade do interior, conhecia apenas uma edificação de “incontáveis” dez andares. Mais do que isso, aquele local era rodeado de arranha-céus, boa parte revestidos de mármore.
Porto Alegre me pareceu um gigante barulhento, com seus sons e buzinas. Com certeza era um gigante com tuberculose...
Na base do edifício onde desembarcamos, todo decorado de mármore negro, havia uma lanchonete. Fomos encaminhados para lá, com o objetivo de comermos o único lanche doado. Na passagem pelas pilastras, enormes pernas de ciclopes, passei a mão suavemente, sentindo a maciez fria e lisa daquela pedra polida, o mármore.
“Como um humano pode construir isso? ” – Pensava.
A marca mais profunda, contudo, foi a causada pelo cheiro e, principalmente, pelo gosto daquele desconhecido pão francês, o famoso “cacetinho”, recheado com margarina e mortadela.
Na minha casa, nos pampas, éramos acostumados com o pão caseiro, amassado pelas mãos belas de minha mãe, elaborado com farinha de trigo e fermento. O “pão de casa”, que parecia não ter sabor especial.
Confesso que, até hoje, aquele gosto – o do pão com mortadela – me confunde.  Naquele momento, eu ainda não sabia que dois anos depois iria para um colégio interno, em Porto Alegre.
Não sabia, também, que anos depois sentiria saudade do pão caseiro, de meu pai e da massa embolada, branca, esmagada pelo carinho de minha mãe.


terça-feira, 28 de julho de 2015

Oficina de criação literária com Alcy Cheuíche

Nos dias 24 e 25 de julho de 2015, em Santa Maria, na CESMA, tive a oportunidade de participar da oficina de criação literária do escritor Alcy Cheuíche.
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Alcy Cheuíche é um renomado escritor gaúcho, autor de romances históricos premiados, como :
  • Sepé Tiarajú – Romance dos Sete Povos das Missões - 5ª Edição no Brasil (AGE), 2ª Edição no Uruguai (Banda Oriental), 1ª Edição na Alemanha (Ed. Evangélica Luterana)
  • O mestiço de São Borja - 5ª Edição - Ed. Sulina
  • A Guerra dos Farrapos - 4ª Edição (Prêmio Literário "Ilha de Laytano")-Mercado Aberto
  • Ana sem terra - 8ª Edição no Brasil (Sulina) - 1ª Edição na Alemanha (Ed. Evangélica Luterana)
  • Nos céus de Paris – Romance da vida de Santos Dumont - 1ª Edição Prêmios “RBS” e “Laçador”, 2ª Edição Pocket – Editora L& PM
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Sobre a oficina, posso dizer que foi EXCELENTE! Serviu para a motivar ainda mais para a literatura, além de desenvolver a técnica da escrita. Recomendo a participação, caso alguém possa se inscrever em outra oficina.



Alcy Cheuíche

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - Secretaria de Cultura de Santiago - por Giovani Pasini

FONTE: http://palavrasdearlete.blogspot.com.br/


Secretaria de Cultura de Santiago


Santiago já não é mais uma simples cidade interiorana: ela se definiu como “Terra dos Poetas”, por lei e por adesão notória de seus munícipes. Quando falamos em Caxias do Sul, Bento Gonçalves, o que se pensa? Vinho. Quando perguntam de Cruz Alta? A terra de Érico Veríssimo. Assim vai: Pelotas (doces), Santa Maria (cultura) e tantos outros. Nessa ótica, Santiago deveria, urgentemente, separar a Secretaria Municipal de Educação e Cultura em duas pastas distintas. Nada contra o desempenho da Denise Cardoso e do Rodrigo Neres. Eles fazem mais do que podem, até o impossível.  Só que a discussão sobre tal separação vem de 2009, ou seja, mais de seis anos. É apenas uma questão estrutural. Dois assuntos importantíssimos – educação e cultura – de extrema carga de trabalho, não devem ficar centralizados. Um dos dois será colocado para segundo plano e, usualmente, será a cultura. As necessidades da educação brasileira são fortes, notórias e dominam a atenção de qualquer gestor. Muitas cidades já possuem Secretaria de Cultura independentes, como a quase vizinha Santa Maria; além disso, a cultura está mais ligada ao turismo, desportos ou lazer. Em Chapecó, SC, existe a “Secretaria de Cultura, Desportos e Lazer”. Já em São João Del Rei, MG, temos a “Secretaria de Cultura e Turismo”. Os monumentos construídos não auxiliam para o turismo? Claro que sim. A cultura de Santiago precisa de independência, de verbas próprias, para poder respirar sem os aparelhos. Será que a SMC sairá do papel? Gostaríamos de saber, ainda mais numa cidade que elegeu a literatura como o seu ponto de referência e de reconhecimento. A reflexão tem de ocorrer pelas entrelinhas. 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Artigo jornal A RAZÃO - 22 de julho de 2015 - COLÉGIO ANTÔNIO ALVES RAMOS



Colégio Antônio Alves Ramos
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

Há alguns dias, fui realizar uma palestra sobre literatura brasileira no Colégio Antônio Alves Ramos, aqui em Santa Maria. Recebi o convite pela professora e escritora Nilta Hundertmarck, com o objetivo de falar por cerca de uma hora, durante a Semana Literária da escola.
Fato possivelmente corriqueiro, mas não foi.
Digo que não foi um evento simples, pois as coisas mais importantes – as impagáveis – acontecem dentro do olhar, não em montantes medidos com joias ou dinheiro.
O lema da semana era “Ler é segurar os sonhos com as mãos! ”. Lá, antes de minha apresentação, assisti a bela exposição dos alunos Diego Figueiredo, Mônica Mortari e Matheus Mello. Eles explanaram sobre os “quadrinhos”, indicando revistas e livros ilustrados, com bastante propriedade. São jovens como esses que ajudarão a mudar a nossa realidade. Adolescentes capazes de enfrentar o terrível “frio no estômago”, diante de centenas de colegas, e desdobrar com bastante convencimento. Convencer, vencer com.
Muito se fala que a educação é a saída para mudar o Brasil. Mas o que fazemos, de ação prática, pela educação de nosso país, estado ou município? Não adianta somente reclamar. Devemos cuidar de nossa própria aldeia. Assim nos diz o senso comum e Tolstoi “quem escreve sobre sua aldeia, escreve sobre o mundo”.
É nesse ponto que uma fala, com alunos inteligentíssimos, atentos, empolgados, pode reanimar um patriotismo cansado. É com atividades como essa que se faz a verdadeira educação, aquela que é bem superior à transmissão de conteúdo. A conscientização, a construção de uma autonomia, isso é que levará o Brasil para uma transformação social. Temos que passar aquela fase de esperar o político “Salvador da Pátria”, atributo de povo extremamente subdesenvolvido. 
Você gosta de ler? Sim? Não? Mais ou menos?
Pois eu digo que a leitura contribui para a formação da cidadania. Por quê? Ela é uma atividade isolada, autodidata. Lemos sozinhos e em silêncio. Uma dica de leitura, a melhor que existe, é que devemos ler o que gostamos. Serve qualquer texto ou imagem, até os importantes quadrinhos.
Entre uma revolução e uma livraria, devemos preferir a segunda.
Segurem-se! Apertem os cintos!
Essa juventude santa-mariense já é evolução.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Artigo do Jornal A Razão - 15 de julho de 2015 - Tide Lima


Tide Lima
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

Tide Lima era um grande contador de histórias. Ele era livreiro.
 As palavras, sua principal diversão. Por intermédio das letras, ele brincava e brigava – tudo em nome de sua alma trabalhadora. Aliás, no Brasil de 2015, quem não é batalhador? Quem não é defensor de uma posição binária, que nos acompanha? Maragato ou Chimango? Bom ou mau? Certo ou Errado? Azul ou vermelho?
Mas o Tide era diferente. Ele gostava de livros.
Tínhamos duas coisas em comum, motivo desse artigo: ambos gostávamos de livros e de Santa Maria. Conheci-o em 2008, num sebo em Santiago, na Rua dos Poetas, a cerca de 150 km da Boca do Monte. Ele era um dos donos do local, uma pequena loja debaixo de escadas, com livros novos e velhos, deveras aconchegante. Lá, muito conversamos sobre autores, obras e ideologias.
Depois daquilo, em 2010, quando vim para Santa Maria, acabamos nos distanciando um pouco. Apenas visualmente. Acompanhava-o por seu blogue e, de vez em quando, lia os seus textos combativos.
Certa feita, agora em 2015, na barbearia do César, na rua Serafim Valandro, nos encontramos novamente. Lembro do Tide Lima dizendo: “Pasini, gosto de Santa Maria. Gosto daqui, porque não é tão grande quanto Porto Alegre, nem tão pequena como Santiago. Tu sabe que Santiago faz a gente brigar, né? ” Concordei com o Tide Lima. Quem conhece Santiago, sabe que lá não se fica em cima do muro. Você tem que ser Maragato – se não for – é Chimango. Nada de dúvidas.
Realmente, já me considero um “Santa-Maguiense”, uma mistura de Boqueirão com Boca do Monte. Se Santiago é o sangue, Santa Maria tomou forma de carne. A afetividade é quântica, interliga e termina com qualquer indecisão.
Na barbearia, eu e o Tide falamos sobre o prazer de pegar um bom livro de sebo e tocar a textura daquele papel usado; sentir o cheiro das páginas e perceber os sonhos dos escritores. Falamos sobre a importância da leitura para a cidadania...
Após eu cortar o cabelo, nos despedimos carinhosamente. Éramos rivais ideológicos, sempre fomos, mas nos respeitávamos como humanos inteligentes. Respeito. Palavra importante para o século XXI, que anda faltando em nossos diálogos, principalmente nas redes sociais. Lembro que, no final, ele completou: “Pasini, se não fiz tudo certo na vida, com certeza fiz com o máximo de paixão”. Paixão.
Menos de uma semana depois daquele encontro, o livreiro Tide Lima teve um enfarto e faleceu. Hoje, neste importante jornal do RS, perenizo um pouquinho das letras que formam a nossa alma. Perenizo aquele aperto de mão e o baita abraço.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Reportagem de hoje (14 de julho de 2015), do jornal A Razão, sobre a Academia Santa-Mariense de Letras






Texto lido pela escritora Lígia Militz da Costa, durante a minha posse na ASL




Agradeço a minha amiga Lígia Militz da Costa, grande docente, escritora renomada, por toda a sua ajuda e ensinamentos. 
Fico feliz com o texto proferido durante a minha posse na Academia. Muito bem redigido, acarinhou o meu ego, ainda mais por vir de uma renomada intelectual. Recebi por e-mail e divido com os leitores.

++++++++++++++++++++++++++++++

GIOVANI PASINI
Dados biográficos para a noite de posse na ASL
                       
Santa Maria, 29 de maio de 2015.
Biblioteca Pública Henrique Bastide - 19 horas

                                                                                                                       Lígia Militz da Costa

“Vamos ser objetivos? ... o que vou fazer é útil? O que direi é benéfico? O que estou pensando é saudável?” Estas palavras iniciais, de autoavaliação, cabem muito bem neste momento e são de Giovani Pasini, e estão numa de suas crônicas do livro 77: Antologia de contos e crônicas, publicado em 2013.
 
Com um currículo e desempenho profissional admiráveis, Giovani Pasini é natural de Santiago, nascido em 14 de março de 75. Filho de Acir José Pasini  e Acelina Delevati Pasini, tem quatro irmãos: Sandra, Sônia, Daniel e Paulo. É casado com Karla Dornelles Pasini e tem dois filhos: Eduardo e Amanda.

Conta-nos que, desde pequeno, desenvolveu a paixão pela leitura e pela literatura, influenciado por pessoas apaixonadas pelos livros, como o seu pai e professores, como a docente Vera, do Colégio Militar de Porto Alegre, no período de 89 a 91.

Giovani formou-se oficial da Arma de Artilharia em 1997, na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, RJ, sendo atualmente Major do Exército Brasileiro.  Em virtude desta instituição, da qual se orgulha, pôde conhecer muito do país, como o Rio, Minas, São Paulo, Pernambuco, Amazônia, Bahia, Rio Grande do Norte, entre outros estados.

Em 2003, concluiu o Mestrado em Educação pela Universidade Vale do Rio Verde, em Três Corações, MG. Sua dissertação de Mestrado, transformada em livro de 220 páginas, foi a sua primeira publicação: ano de 2004, em Minas Gerais, com o título Corrida de Orientação. Realmente trata-se de um livro que enobrece o autor, nosso novo acadêmico da ASL, e esclarece o leitor. O esporte Orientação, desconhecido para os leigos no assunto, é apresentado desde suas origens, histórico e conceito, até a amplitude de suas correlações com a ciência, cartografia, matemática, psicologia — nesta vendo-se o estudo e a consideração especial para com as inteligências múltiplas; também os recursos de que a Orientação se utiliza são elucidados, a exemplo dos mapas, da bússola e do passo duplo. A proposta do livro é pedagogicamente sólida, e a pesquisa que o alicerça tem extensa fundamentação científica. 

Na verdade, Giovani Pasini é um educador vocacionado e qualificado, que maneja a língua portuguesa com fluência e facilidade.
Em 2005, foi declarado Mestre em Ciências Militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, no Rio de Janeiro, e, em 2009, formou-se em Letras e respectivas literaturas, pela Universidade Norte do Paraná.

Atualmente  é Coordenador do 3º Ano do Ensino Médio do Colégio Militar de Santa Maria, onde também atua como professor de Literatura Brasileira.

A cultura e as letras sempre tiveram posições marcantes na sua existência: em 2008, foi sócio-fundador e primeiro Presidente da Casa do Poeta de Santiago, que presidiu por três vezes. Entre 2011 e 2015, foi Coordenador Cultural do Centro de Integração Latino-Americana, e, em 2013, tomou posse como Diretor de Ações Culturais da Casa do Poeta Brasileiro, entidade que congrega 77 associações em 20 estados da Federação. Em Santa Maria, é associado da CAPOSM, na qual participa do conselho editorial.

Na América Latina, transitou por diversos países realizando palestras, sendo considerado visita ilustre em Encarnación, Paraguai, e recebendo documentos de reconhecimento, inclusive do Senado Federal da Argentina.

Cursando Doutorado no Centro de Educação da UFSM, é pesquisador do Grupo Kitanda, onde investiga assuntos da Educação Intercultural e da Antropofagia Cultural, com foco no MERCOSUL, e orientação do Professor Dr. Valdo Barcelos.

Giovani Pasini é colunista do Jornal Expresso Ilustrado, periódico do centro-oeste do Rio Grande do Sul, e também  é  apresentador do programa Santa Maria Argumentos: diálogos culturais, na TV Santa Maria, canal 19.

Militar, ativista cultural, desportista, palestrante, escritor e educador, já publicou oito livros e participou de diversas antologias.

No livro 77, de contos e crônicas, o que se vê são textos coesos e curtos, bem escritos, com amarração interna verossímil e convincente encaminhamento final. Ético e reflexivo nos valores, sensível à arte e aos afetos, campeiro às vezes e santiaguense sempre, Giovani Pasini é uma voz de liderança equilibrada e discreta  em diferentes áreas, defensor inconteste do papel do professor na sociedade, sabendo ser crítico e contundente na hora certa, e bem humorado e agradecido também nas  lembranças da infância.

Por todos esses motivos e muitos mais, a Academia Santa-Mariense de Letras saúda Giovani Pasini, seu novo Acadêmico Efetivo, exaltando seu perfil pessoal exemplar e de educador, pesquisador, professor de Literatura e escritor. Parabéns!

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Artigo do Jornal A Razão - 8 de julho de 1015 - Maracanaços

Esse artigo, publicado exatamente após um ano da derrota do Brasil para Alemanha por 7x1 (8 de julho de 2014), curiosamente foi planejado sem atentar que seria lançado no dia 8 de julho de 2015.

Coincidências literárias...



MARACANAÇOS
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

No Brasil, o senso comum tem poderes maiores do que os de filósofos.
Maracanaço foi um termo criado em referência à partida que decidiu a Copa do Mundo de 1950, onde o Brasil perdeu para o Uruguai, por 2x1. Naquela época, o povo brasileiro ficou totalmente arrasado. Cerca de 60 anos depois, foi a vez do Mineiraço, apelido que definiu o vexame da nossa derrota para a Alemanha, por 7x1, na semifinal da Copa de 2014. Novamente o país chorou. Voltamos a reforçar o nosso complexo de vira-lata.
 Essa expressão, complexo de vira-lata, foi criada por Nelson Rodrigues, após a derrota da copa de 50, para definir o sentimento de inferioridade que o brasileiro se coloca, voluntariamente, diante do resto do mundo. Para ele “O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima”.
Quem gosta de futebol, tem de enxergar a realidade nua e crua: só aqui na América do Sul existem três ou quatro seleções melhores do que a nossa. Precisaríamos de treinadores argentinos? (Os colorados que não me escutem). Talvez, quem sabe, necessitemos de uma motivação chilena?
Cabe ressaltar que, da forma como está, existe a chance concreta da seleção brasileira não se classificar para a Copa de 2018.
Agora, neste instante, o meu artigo fugirá do futebol e irá para o senso comum, o mestre dos filósofos nacionais: tanto quanto no futebol, o nosso país não é sério (Charles de Gaulle), pois somos bonachões. Bobalhões. Abestalhados. Teríamos mesmo um complexo de vira-lata?
Faço uma inversão do que disse o Nelson Rodrigues, ao menos para o Brasil contemporâneo: não temos mais somente um complexo de vira-lata – o que somos, na verdade, é a imagem expressiva de um “vira-lata complexo”. Um guaipeca que merecia ser internado num manicômio social ou, ao menos, ter uma consulta frequente com um psiquiatra.
Ainda virão muitos maracanaços para entendermos que a seriedade vale mais do que o jeitinho. Que o patrimonialismo corrupto é algo vazio, tosco. Que é muito melhor viver entre pulgas e poesia, do que ser engolido por moedas fedorentas.
Nunca seremos santos, isso é fato!
Mas, seria interessante fugirmos de prostituições ideológicas e financeiras. O senso comum só será modificado pelo bom senso.
Afinal, todo brasileiro é um técnico de futebol. Ai! Volta-se ao senso comum...



quarta-feira, 1 de julho de 2015

Coluna Jornal A Razão, 1 de julho de 2015 - Longe do Ninho (Giovani Pasini)

Artigo jornal A Razão - 1 de julho de 2015 - 

Longe do ninho
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com


“Somos pássaro novo, longe do ninho (...)”. Assim escreveu Renato Russo, da banda Legião Urbana. Ele, um dos grandes letristas da música brasileira, produziu uma arte diferenciada, em virtude de sua intelectualidade potencializada pela marginalização. Algumas vezes, ao ficarmos “à margem da sociedade”, adquirimos uma introspecção produtiva. O isolamento do Renato foi baseado, em parte, pela homossexualidade latente e pela falta de identificação com uma sociedade superficial e materialista.

Alguns leitores concordarão comigo: a catarse (libertação) só é alcançada quando transformamos solidão em arte. A tristeza é uma bela fonte de energia, quando direcionada para a criação. Reflexão faz bem. Arte também faz.

Esse texto é destinado à sociologia de nosso povo latino, tão sofrido e marginalizado. “Somos pássaro novo, longe do ninho”. Perdidos, não sabemos o rumo que tomaremos. Queremos uma mãe-pátria que cuide bem de seus filhotes. Ela, contudo, nos abandona. Por isso, permanecemos desorientados entre manifestações carnívoras e opressoras. Caídos no terreno de lobos, onças e gaviões.

Os séculos passam e o nosso Brasil continua tangenciando a própria história. Mas, o nosso país não é feito de humanos? Pessoas passam, pessoas pensam. Os hábitos – bons hábitos – podem mudar um povo, pois são cultuados pelo próprio povo.

Talvez, caro leitor, mesmo antes de eu terminar essa xícara de café, numa livraria de Santa Maria, a nossa sociedade já tenha percebido que precisa de menos festa e de mais solidão. Menos propina e mais catarse. Marginalizados, o que nos sobra é a arte.

Afinal, o lobo, a onça e o gavião também se sentem solitários.
O que fazer? “A única coisa a fazer é tocar um tango argentino”.
Manuel Bandeira levanta da cadeira e vai pagar a conta.
Pagaremos a conta?
Ah! Pagaremos...


Quer saber a programação completa do evento Antropofagia de Letras Nr 1 - em Santa Maria?



PROGRAMAÇÃO COMPLETA
 CLIQUE AQUI

evento é constituinte da pesquisa de doutoramento em educação de Carlos Giovani Delevati Pasini (Coordenador Geral da atividade), sob a orientação do Prof. Dr. Valdo Hermes de Limas Barcelos e conta com a contribuição de organização dos pesquisadores do Grupo Kitanda (nominados na programação completa).

Lema“Diálogos Culturais. Antropofagia de letras. ”    


Tema“Tupy or not tupy, that is the question. Fundamentos essenciais para o cidadão latino do século XXI”.
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