quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Site do programa Argumentos TV - retorna ao ar - para interessados.




ACESSE O SITE - CLIQUE AQUI OU NA IMAGEM


O site do programa ARGUMENTOS - TV SANTA MARIA - Canal 19 da NET (www.smargumentos.com.brestava fora do ar por um problema de programação interna que levaria algum tempo para ser sanada.

Em virtude de diversos outras atividades, a equipe do Programa só conseguiu ajustar agora.

Ele está de novo no AR, com inúmeras entrevistas que rodaram na TV. Lá o leitor/telespectador terá a oportunidade de assistir debates interessantes com diversas pautas, variadas autoridades e intelectuais.

Cabe ressaltar que o site ainda não está com as entrevistas atualizadas, pois ainda estamos lançando os programas de Julho de 2015. Logo estará em dia!

Programa Argumentos - mais de um ano debatendo educação, literatura, cultura e assuntos da atualidade.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Coronel Airton Gazzana lança livro de crônicas

Coronel Gazzana (esquerda) e o 
Tadeu Martins (Presidente da Academia Santiaguense de Letras)

O Coronel da reserva Airton Gazzana publicou um livro crônicas, denominado "Sobrevivendo na Face Obscura da Vida". A obra lança diversas passagens da vida do militar, que foi Chefe do Estado-Maior do Comando da 1ª Brigada de Cavalaria Mecanizada de Santiago, nos anos de 2010 e 2011.

No livro, o leitor terá contato com a vivência nacional, um dos requisitos da vida militar, onde o Coronel Gazzana conta sobre suas passagens pela Amazônia, Distrito Federal, Sul, Sudeste, Nordeste, entre outros.

Em Santiago o leitor poderá encontrar o livro na Livraria & Café Inove
Em Santa Maria, está a venda na Livraria da Mente.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 18 de dezembro de 2015 - Santiago: da coxilha ao boqueirão



Santiago: da coxilha ao boqueirão

Era uma vez uma grande cidade. A sua importância não era medida pela quantidade de habitantes, ou por extensão territorial. A relevância, de suas terras e de seu povo, residia na quantidade de adjetivos que ela possuía. A sua força telúrica, nativa, estava na paixão adjetivada. Aliás, os adjetivos são essenciais! Alguns escritores têm pavor dessa classe gramatical, por pensarem no rebuscamento de sua função. Contudo, vejo os adjetivos com muito carinho, pois caracterizam as coisas. Eles poetizam a amargura da vida real e escondem – ou mostram – todos os nossos defeitos. Os poetas adjetivam o mundo! Por falar nisso, a amada “Terra dos Poetas”, que se estende por sobre uma coxilha, oriunda de um boqueirão, surge como uma imensa folha de papel, cheia de códigos e símbolos. Ela está versificada em casebres misteriosos, em ‘cantares e ares’; em apartamentos taciturnos, nos prédios medianos. Santiago está em entidades já criadas e nas que ora surgem, enaltecidas pelo objetivo institucional; está, também, nas ruas de paralelepípedos azuis ou nas praças verdejantes; Santiago do Boqueirão possui ‘gente e legendas”, uma relíquia nas pessoas. Está em tudo, nas entrelinhas... Santiago, adjetivamos-te! Aos escritores que não gostam de caracterizar, colocar defeitos ou qualidade, respeito a postura. Todavia, a rapidez da vida que passa, não nos deixa somente substantivar os sonhos, atributo para mestres como João Cabral de Melo Neto e outros ‘engenheiros da palavra’. Para mim, por exemplo, Santiago não passa de um mero adjetivo: imensurável. Afinal, a leveza da criança nunca será a própria criança. 

sábado, 19 de dezembro de 2015

Artigo do Jornal A Razão - 18 de dezembro de 2015 - De meu apartamento, uma Medianeira



De meu apartamento, uma Medianeira
Para a professora e escritora Lígia Militz da Costa
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

De meu apartamento ouço, por entre prédios e casas, o barulho intenso da Avenida Medianeira. Ela, tanto quanto o nosso corpo, de manhã e de tarde permanece rumorosa; de noite se acalma, em marcha lenta e sonambulismo senil.
Ah! A Medianeira...Com suas igrejas de Dores e esperanças; local de peregrinações em que espíritos se esquecem de rancores, transformam minutos em séculos e suavizam lágrimas de memórias. Ah! A Medianeira... Com seus mercados, shoppings, rotatórias, postos de combustível e padarias de guloseimas. Ah! A Medianeira... A alameda santeira, dos parques que circulamos, que subimos ou descemos em exercícios ineficazes, na companhia de um templo ou do imaginário Itaimbé (de onde Imembuí encantou todas as estrelas).
Algumas vezes me pergunto: como uma pavimentação dura pode aparentar possuir uma alma tão sensível? Será que posso responder? Não sei. Não sei. Mas me arrisco, nessa imperfeição que são as letras: códigos e símbolos que reduzem o que sonhamos.
Ela, essa linda serpente asfáltica, torna-se carinhosa em nossas idas e vindas, quando vemos pedras e gramíneas, razão apenas que serve de bom pretexto para permanecermos vivos, na eterna briga contra a opressão temporal e biológica. Isso mesmo! Uma pedrinha disforme, caída numa calçada da Avenida Nossa Senhora de Medianeira, já reforça a beleza da vida, contrariamente aos problemas, opondo-se às imperfeições.
A larga Medianeira... Aquela paralela a outra bela!
De meu apartamento, ela se transforma em uma ponte barulhenta, que interliga Santa Maria a diversos municípios. Conexão mental, ilusória, mas que encurta distâncias e aproxima sensações. Ah! Essa formosa avenida... De corpo esguio e trejeitos charmosos, que inebria os viajantes: os que chegaram para ficar e os que passaram para permanecer.
Digam o que quiserem, autores, feitores, ou beija-flores. A vida – aquela que é real – é constituída nos batimentos de um coração figurado e, também, na vivência emotiva dos instantes, aqueles que serão perenes, mesmo quando a carne e os ossos não mais existirem.
Ah! Capilar Medianeira que parece engolir o mundo! Desculpe-me a imperfeição desta prosa poética, uma crônica imigrante. Saiba que você, neste instante, – superior a qualquer rima ou verso – tornou-se amante transcendente a qualquer amada! Já está encravada, nessa alma errante. Foi magia; fez-se fada.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Mensagem da Jacira Pedroso - sobre o Curso intensivo de Cultura e História Literária




Recebi, por e-mail, a mensagem abaixo, da colega Jacira, da Casa do Poeta de Santa Maria. Para quem ama a docência e a Literatura Brasileira, não tem como escapar de ficar emocionado. Obrigado Jacira! Pela gentileza e pelo reconhecimento! Fraterno abraço.

**********
Olá, professor Giovani!

Espero que esteja tudo bem nesse final de ano.

Eu sou a Jacira, da Casa do Poeta e tua aluna no Curso de Cultura e História Literária.
Senti muitíssimo não poder concluir o curso devido ao acidente sofrido dia 02/12.
Estou até agora sem poder caminhar, mas já em franca recuperação ( graças a Deus! ).

É raro e maravilhoso ver um professor tão dedicado e apaixonado pelo que faz!
Agradeço a Deus por estares entre nós!

Desejo que tenhas um lindo Natal junto a teus familiares e um excelente Ano Nov
com muita paz, harmonia,saúde e alegrias.
Que Jesus te ilumine sempre!

Grande abraço

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Artigo Jornal Expresso Ilustrado - 11 de de dezembro de 2015 - Falar mal é uma arte (parte 2)


Falar mal é uma arte (Parte 2)

Recebi alguns comentários sobre o artigo “Falar mal é uma arte”. Um dizia: O escritor e professor Giovani Pasini falou sobre a arte da fofoca usando sua coluna do Expresso. Abordou a necessidade que muitos têm de propagar algo mentiroso ou sobre o qual não têm certeza. Essa “arte” faz parte da vivência humana, como bem argumentou o colunista. No entanto, ele esqueceu de mencionar que há uma maneira de saber se o seu “amigo” fala mal de ti. É só ouvi-lo. Caso ele fale mal de duas ou três pessoas em menos de uma hora, não restará dúvida: falará mal de você também. Como ensinou o filósofo Platão: “Pessoas normais falam sobre coisas; pessoas inteligentes falam sobre ideias; pessoas mesquinhas falam sobre pessoas”.


A realidade é que (se formos verdadeiros) todos nós falamos mal dos outros. (Vírgula) Todos nós, adultos. Esse péssimo hábito é inexistente entre as crianças. Mas, se todos nós falamos mal, qual a diferença entre um cidadão ilibado e o ‘mentiroso profissional’? Chama-se péssimo hábito; ou seja, a quantidade de vezes que se pratica a falácia, principalmente em casos que você não está emocionalmente envolvido. Concordo com o leitor: indivíduos que nutrem o ‘vício’ de fofocar também o farão com você. Até mesmo pelo fato de que todos somos imperfeitos. Portanto, se formos mal-intencionados, não será difícil acharmos falhas nos ‘amigos’. Nisso (quem sou eu!), discordo de Platão: os inteligentes falam menos de pessoas e mais de ideias. Final de ano. É tempo de (virar-se) para si; buscar mais soluções e menos problemas.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Artigo Jornal A RAZÃO - Que país é esse? - 11 de dezembro de 2015



Que país é esse?
Dedicado aos 'velhos' e aos novos fãs do Legião Urbana

Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

"Nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado, ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação!"
Há cerca de trinta anos, o cantor e compositor Renato Russo criava uma de sua letras mais importantes: "Que país é esse?". Uma literatura do passado, ainda muito atual.
Na quarta passada, a população de Santa Maria que foi até a UFSM conseguiu reviver o sonho de ter a presença daquele grupo Punk, do Planalto Central.
Na minha opinião, o  vocalista convidado, André Frateschi, surpreendeu positivamente ao conduzir a sua apresentação com uma qualidade ímpar. Ele se colocou - nem abaixo, nem acima - de Renato Russo. O vocalista, acompanhando de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, muito respeitosamente, ficou ladeado do inigualável Renato Russo.
Digo isso, pois a maestria da apresentação fez com que a plateia, na sua maioria, fosse ao delírio. Nós, uma geração Coca-Cola quase ultrapassada, ainda consegue explodir com aquela arte idealista (mais que ideológica), do grupo que produziu músicas que nos faziam sonhar com a modificação de nosso país.
A realidade é que cerca de trinta anos depois, o "Brasil ainda vai ficar rico, vamos faturar um milhão, quando vendermos todas as almas, dos nossos índios num leilão!".
Como acrescentou o Dado, durante o show desta semana: "O nosso ideal era que o Brasil suplantasse essa música, quando a construímos". Numa nação assoberbada de pessoas buscando tirar vantagens indevidas, principalmente os de maior influência e poder, infelizmente, ainda estamos com "sujeira para todo lado", num jogo de forças, em grupos antagônicos, que visualizam unicamente a obtenção ou manutenção do poder.
Caro leitor, nesse mundo opressor, a arte serve de uma fuga para a realidade atroz. Não uma escapatória covarde, mas uma libertação do que é efêmero. Afinal, os politiqueiros do Brasil e do mundo já estão mortos, sem saber, com os corpos em lenta putrefação. Para nós, vivos, só resta ficar sem a voz, de tanto gritar com o coração.
"Tenho andado distraído, impaciente e indeciso e ainda estou confuso, só que agora é diferente, estou tão tranquilo e tão contente... Quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém..."
O Legião Urbana voltou.
O mundo não está mais perdido. Nem o tempo. Tempo perdido.


Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 04 de dezembro de 2015 - Academias de Letras


Academias de Letras


Hábitos positivos conduzem a uma cultura espiritualmente favorável. Costumes individuais, que se tornam coletivos, modificam condutas e refletem na tradição de um povo. Um pouco distante de Santiago, meu município de nascimento, acompanho – efusivo – o sensível avanço cultural de nossos conterrâneos. Dia desses, na reunião da Academia Santa-Mariense de Letras (ASL), tivemos a presença do ilustre Tadeu Martins. Ele realizou a entrega de um convite, em nome dos novos acadêmicos de Santiago, para que nós de Santa Maria fossemos à fundação da Academia da “Terra dos Poetas”. A diretoria da ASL ficou lisonjeada com o convite, principalmente pelo laço fraterno de parceria literária que ora se cria. 

O resultado é que o Presidente da Academia daqui, João Marcos Adede y Castro, acompanhado de uma belíssima representação de acadêmicos, estará presente na fundação da Academia Santiaguense de Letras, no dia 17 de dezembro de 2015, às 20h, no auditório do Centro Empresarial de Santiago. Estamos organizando uma caravana de escritores, do “Coração do Rio Grande”, com grande felicidade e honra. Santiago dá mais um passo em direção a dignificar o epíteto de que tanto se orgulha; o nosso município cria mais uma entidade que irá contribuir para perenizar a literatura de expoentes como Aureliano de Figueiredo Pinto, Caio Fernando Abreu, Adelmo Simas Genro, Túlio Piva e tantos outros imortais. Que a explosão de símbolos, letras, códigos, significados continue a edificar tantos sonhos. Afinal, a nossa carne é perecível; mas a arte extrapola a corrosão da matéria. A arte embeleza qualquer cultura. Parabéns, Santiago! Você também tem a sua Academia.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Artigo Jornal A RAZÃO - 4 de dezembro de 2015 - Bolinhas Azuis - Giovani Pasini



Bolinhas azuis
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

Há algum tempo fui ao banco, com o objetivo de sacar dinheiro.
Na entrada do estabelecimento, uma velha senhora, magra, pedia esmolas para os transeuntes que entravam e saiam do local. Os cabelos brancos contrastavam com a roupa escura, destacando as mãos esquálidas que seguravam uma pequena caneca.
Separei uma moeda de um real, julgando ser o suficiente, para contribuir com a doação. No momento em que me aproximava, antes que ela pedisse algo, um rapaz saiu do banco e impediu, temporariamente, a minha passagem. Num relance, observei-o entregar uma nota de R$ 20,00, como donativo.
Naquele instante, os olhos da senhora brilharam de forma magnífica. Indescritível. Acredito que não era pelo valor do dinheiro, mas sim pela diminuição do sacrifício da espera.
Quando eu abria a porta do banco, ouvi-o dizer: “É para a senhora comer algo...” Fiquei emocionado com a situação. Não somente pelo ato de doação, mas também pela simplicidade que o jovem expressava, na singeleza de sua vestimenta.
Albert Einstein formulou um pensamento que inicia assim “A vida é como jogar uma bola na parede: se for jogada uma bola azul, ela voltará azul; se for jogada uma bola verde, ela voltará verde”. Isso mesmo: se jogarmos uma bola forte, ela nunca voltará fraca. A ordem natural de ação e reação. A vida não possui represas, ou compartimentos (manhã, tarde e noite); ela é fluxo corrente e contínuo. A vida se torna uma consequência de mágoas, perdões, amizades, inimizades, paixões, ódios e tanto mais que o leitor possa pensar.
Não consigo deixar de refletir sobre os conflitos armados que existem na atualidade. Um palestrante, o Prof. PhD. João Figueiredo, da Universidade Federal do Ceará declarou o seguinte: “Não se apaga fogo com fogo. A França deveria estar jogando pães e livros na Síria. Assim quebraríamos o ciclo vicioso”. Entretanto, também não julgo os franceses, pois a humanidade toda está totalmente desorientada.
O Renato Russo, do grupo Legião Urbana, assim escreveu: “Você culpa seus pais por tudo; isso é um absurdo, são crianças como você, o que você vai ser, quando você crescer”. Algumas vezes, aparece aquela impressão de estarmos perdidos no próprio mundo: o que fazer? Como decidir? O que meu pai faria? Surge, então, a sensação de que o tempo irá nos engolir. O chão parece sumir e os pensamentos ficam na superfície, na beira da casca; os olhos percorrem o vazio de ideias.
Contudo, independentemente da dúvida (interior), ainda existem pessoas que precisam de nossa fortaleza, da base concreta e do ombro companheiro. Hoje estamos inseguros, amanhã poderemos ser o exemplo. Hoje podemos culpar os nossos pais; amanhã beijaremos os pés de sua saudade.
Que a busca do bem e da bondade seja o Norte para a nossa consciência coletiva.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - Falar Mal é uma Arte - 27 de dezembro de 2015



Falar mal é uma arte
Prof. Giovani Pasini
e-mail: professorpasini@gmail.com


Na contemporaneidade, alguns de nós, humanos, aperfeiçoamos uma antiga ‘arte’ – a fofoca. No Brasil, ela quase está se tornando uma nova profissão: o “falador profissional”, de quem irei traçar um perfil. Na nova atividade técnica, quando você quiser denegrir a imagem de alguém – talvez um inimigo – poderá ligar para o celular, pedir pelo “whatsapp” ou entrar na internet e contratar o “fuxiqueiro on line”. Ele o ajudará a enterrar o nome de seu antagonista, por um valor monetário bem ético. Esse mexeriqueiro, por natureza, tem a capacidade de distorcer qualquer fato; aumentar defeitos de outrem; criar rótulos para os desafetos; talvez usar da máquina pública para aumentar a propulsão de maledicência. Ele, o “falador de carteirinha” é capaz de te jurar lealdade, nesta esquina, e na outra dizer a muitos colegas que odeia o teu individualismo mesquinho. Para qualquer um, conhecido ou não, ele é todo sorrisos. Adora utilizar adjetivos, qualificações, sabendo abusar de qualquer palavra que “enalteça” as características de quem pode lhe fazer algum bem. O artista de ‘sebologia’ não guarda mágoas, quero dizer, não demonstra que ficou magoado. Orgulho não gera lucros; é coisa de gente caturra, teimosa, burra. O fofoqueiro é laborioso eficiente... A língua “mater”, portuguesa, é a principal ferramenta de seu trabalho. Ele escorrega pelas palavras, como lesma gosmenta, em busca de uma “proteção de tela” para as falhas no próprio caráter, dentre elas, a covardia. É “Doutor Honoris Causa”, pela universidade da intriga. Conhece mais os vizinhos, do que a si mesmo. Aliás, este é o principal ditado: “Conhece-te ao outro mesmo”. Nessa nova profissão, digo a todos os leitores, tentaram até criar um Sindicato. Não deu certo... Os possíveis participantes falaram muito mal da iniciativa. Continuam profissionais autônomos, na arte da criatividade destrutiva. Brasilidade revolucionária, em linguagem fenecida.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Artigo Jornal A Razão - 26 de novembro de 2015 - Um Atentado na França


Um atentado na França
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

Dia desses, houve um atentado na França.
Assassinados cruelmente, morreram cerca de 130 pessoas inocentes.
Escrever sobre catástrofes como essa, excetuando-se os jornalistas que trabalham com a informação, é atribuição para melancólicos. Refletir a respeito de assuntos animalescos, nos levam ao mais desumano de nossa espécie e entristecem a própria alma.
A melancolia está em perceber que não existe imbecilidade maior do que uma ideologia radicalizada, o que geralmente nos leva à barbárie. Da mesma forma, a religiosidade fanatizada, deixa de ser espiritualidade positiva e passa a ser excremento humano, ou seja, violência febril.
A culpa, então, não está na ideologia ou na religiosidade, mas, sim, no fanatismo e na histórica violação do respeito. O fanatismo é uma violência à individualidade do outro.
Essa doentia tendência humana coletiva, que busca destruir outras opiniões ou pensamentos. Algo tão comum no mundo, tanto quanto no Brasil, onde o terrorismo acontece diariamente, por exemplo, com as mais de 140 mortes diárias, somente por homicídios. A violência transformada em dia a dia e descaso; o terrorismo diluído na completa ignorância.
O horror se encontra na fome e na sede de populações africanas, latinas e asiáticas, essencialmente em crianças, invisíveis, que morrem de inanição.
O terror está nas mortes causadas pelos bombardeios de coalisão ou na reação de rebeldes, que forçam milhões de pessoas a fugirem da Síria, rumo à Europa (Terra Prometida?).
O temor está ao parar o carro, de noite, num sinal de trânsito brasileiro. Está no apavoramento de se enfrentar uma fila do SUS, ou ter que defender os próprios direitos em um país que cumpre pouco as suas leis.
O pânico se encontra nos bilhões de reais que são desviados do povo brasileiro, que também morre de fome, de sede e falece de sonhos; está no fato da corrupção não ser um crime hediondo, que terceiriza a falência múltipla dos necessitados, pois pessoas morrem por falta de segurança, de saúde, ou mesmo de educação.
Dia desses, houve um atentado na França. Morreram cerca de 130 pessoas inocentes.
Demonstração de um extremismo que emudece a compaixão. A fé transformada em pó.
Qual seria a esperança?

A arte é a única saída para a opressão, pois apaga o ódio, dilui a maldade e afaga os carentes. Mas ela só é bonita se a barriga estiver cheia e o coração permanecer batendo. A esperança está no final desse mundo doentio, arquitetado por falsos deuses e liderado por pérfidos intelectuais.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Artigo do Jornal A Razão - 18 de novembro de 2015 - Padre Atino





Padre Atino
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

Amar é – verdadeiramente – um ato humano.
Mas... Quantas vezes você já sentiu raiva de alguém?
***
Atino era um jovem padre, que buscava não ter ódio. Entretanto, foi de repente. As palavras inadequadas saíram daquela boca, ofendendo-o com o maior dos vigores.
Os segundos que se passaram, logo após a injúria, transcorreram num absoluto silêncio, ainda com todas as sensações imóveis. As paredes não se mexiam e o tempo estava num daqueles raros instantes, que parece não haver o depois.
Os próximos pensamentos, envoltos pela mágoa, foram de retrospectiva, relembrando toda a sua existência. Nasceu triste, ficou em pé, cresceu e sustentou as inquietações que o transformaram no que ele era: um respeitado pároco.
Em momento algum, na sua vida de sacerdote, pensara em desistir – até agora. Tinha sobrepujado os desejos mais secretos; havia dominado as necessidades carnais que Roma considerava obscuras; manteve a sua fé, com paciência, em nome da doação. Doar em silêncio – essa era a sua vocação.
Na juventude, pensara que conseguiria suportar as mesmas chagas de Jesus e padecer em qualquer calvário. Após aquele ultraje, contudo, retornava a ser apenas uma criança indefesa, com medo dos fantasmas que flutuavam na base de sua cama de menino.
Uma palavra, uma pessoa, várias indecisões. Olhava aquela mulher opulenta, larga, obesa e pensava “Eu nunca fui isso!”. No fundo dos olhos femininos, gélidos, perdurava uma friesa que ele nunca vira igual.
Ele tentou se defender: “Mãe...”, mas foi interrompido, com a repetição do insulto: “Você é um grande egoísta! Egoísta!” Aquela voz aguda o encobriu, como um amplo manto negro, forte e tenebroso.
Somente ali percebera que uma frase tinha tanta força quanto diversas adagas.
Descobriu, então, que uma menção também poderia vir a ser um demônio feroz.
***
Atino queria paz. Deixou de ser padre e resolveu ser humano...

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Artigo Jornal A RAZÃO - 04 Nov 2015 - "Ainda Existe uma Esperança"

 
 
Ainda existe uma esperança
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

     Ainda existe uma esperança.
    Quando a política e a violência parecem querer acabar com os sonhos, surgem situações que iluminam a alma. Quando a economia oprime, a arte é que liberta. Ela, a arte, salva-nos do mundo desumano e ofensivo. Dois fatos importantíssimos, ocorridos na semana passada, comprovam o que digo.
    O primeiro, foi o “Festival da Canção”, do Colégio Militar de Santa Maria, no dia 29 de outubro. Mesmo que correndo, por outras atividades de trabalho, pude observar a música e a sua magia etérea. A música, tão enaltecida por Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Renato Russo, Elis Regina e tantos outros ‘hipnotizadores’ de ouvidos. Vários jovens do Colégio Militar, nas diversas categorias, por uma iniciativa daquela escola, puderam encantar os momentos dos próprios colegas e de educadores. Enquanto ouvia as bandas nativistas ou de Rock, eu pensava: “No meio dessa juventude, aparecerá um novo Raul Seixas? Talvez um grupo como o Paralamas do Sucesso? Ou, quem sabe, um Tim Maia?”.
     Ainda existe uma esperança.
    Outro momento, tão sublime quanto, foi o concerto realizado na sexta-feira, dia 30 de outubro, pelo Centro Social e Cultural Vicente Pallotti. Somente quem estava lá conseguirá verdadeiramente compreender o que digo: assistimos a um Centro que trabalha com muito amor, em prol de crianças de nossa região. Lá, naquele imenso anfiteatro de Santa Maria, percorremos nuvens de liberdade. As crianças dedilharam a nossa alma, utilizando instrumentos clássicos, com vozes de um coral que inundou todos os sorrisos. Parabéns à coordenadora Márcia Batista, ao maestro André Chiomento, a todos os profissionais envolvidos e, principalmente, aos alunos que se empenharam para nos transmitir alegria. O espetáculo “Sonhos” iluminou aquela parte tão importante, escondida dentro de nosso peito, chamada ‘coração’. Não o de carne, músculo pulsante; mas aquele imaginário, que nos leva a olhar para frente. Sempre.
       Ainda existe uma esperança.
     Ela está nessa juventude. Na que anda por colégios civis e militares, que frequenta centros sociais, que ainda tem a vontade de modificar o país. De alterar as reticências da imoralidade, tão atroz na alta cúpula de quase todas as esferas.
      A esperança também está na arte – e em toda a beleza que ela produz – a arte capaz de alterar a compreensão do ‘Outro’, da vida e da necessidade de ser; não somente de ter, ou mesmo de dominar. Enfim, a esperança está no afastamento de si mesmo; para sentir a leveza de várias crianças, que conseguiram silenciar o barulho e sonorizar o silêncio. Sol e som. Esperança.
 
 

sábado, 31 de outubro de 2015

Filosofia barata de quem tenta ser escritor...

Não tenha medo do que falam pelas suas costas.

Quando isso ocorre, com certeza a origem está fundamentada em dois motivos:
1. Pode faltar coragem, por parte de quem está falando, de chegar até você e expor o pensamento; ou
2. Pode existir a maldade, tão comum ao nosso mundo.

Ora, partindo-se do princípio que todos erramos - ninguém é perfeito ao ponto de se sentir soberano. Afinal, até reis e imperadores tiveram o seu próprio "Brutus". Errar é necessário, pois fundamenta os passos da existência.

Errar com coragem e sem maldade.

O olhar para frente - caminhar é preciso - e buscar manter a tranquilidade de travesseiro. Amar a melhor parte do ser humano. Esquecer o que é detrito.

Programa Santa Maria Argumentos - 16 de Julho de 2015 - Adelmo Simas Genro


TEMA: Um pouco da história do escritor, advogado, professor Adelmo Simas Genro

MEDIADOR: Rafael Friedrich
PARTICIPANTES: João Marcos Adede y Castro e Giovani Pasini

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Artigo jornal A RAZÃO - O ENEM E AS IDEOLOGIAS - 29 de outubro de 2015



O ENEM e as ideologias
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

O que me assusta, principalmente nas redes sociais, é a radicalização de ideias e a ridicularização de posicionamentos. A sociedade brasileira caminha na contramão da história civilizada.
A ideologia, quando fanatizada, é uma doença. O ruim é que boa parte de nós, brasileiros, adoramos romantizar ou fanatizar pessoas, fatos e coisas: ídolos, religiões, futebol, política, entre tantos.
Tenho ressalvas com a atual democracia brasileira, pois ela realmente não existe, na sua plenitude. A atualidade demonstra que não sabemos trabalhar com a diversidade. A imensa maioria do povo brasileiro não é politizada, sendo uma coletividade “gangorra”, influenciada por gente lesada, que propaga o ódio e a divergência entre classes sociais. Por exemplo, no século XXI, quando se falar em opressor ou oprimido, nunca esqueça da palavra “momento”. No jogo de forças sociais contemporâneas, existem momentos que somos opressores e, outros, oprimidos. Só que eu e você – nós brasileiros – independentemente do capital de giro que cada um carregue no banco, seremos usualmente reprimidos.
A diversidade deveria colocar o respeito sobrepondo a tolerância; pois a respeitabilidade está num nível acima, na medida que tolerar é aguentar algo ou alguém, por apenas algum tempo. A democracia plena predispõe que toda a tese possua a sua anti-tese (antítese). Não quero que você concorde totalmente comigo, mas respeite o meu posicionamento.
Que a ‘postura colonizadora’ não nos pareça fantasiosa, pois ela realmente existe: quando um país se sobrepõe ao outro; quando uma cultura fagocita a outra; quando um grupo acha que seus costumes são melhores que o de outros; quando apenas uma ideologia é vista como a correta, sem respeitar a visão oposta; quando um professor tenta convencer o aluno, ou melhor, quando tenta vencer o aluno e não ‘vencer com’; quando não é aceita a autonomia e a individualidade de pensar, agir e contrapor.
Uma pergunta vai esclarecer o que escrevo. Quem foi mais importante para o Brasil, o Marechal Castelo Branco, ou Luís Inácio Lula da Silva? A resposta dependerá – unicamente – de você. Não dos nomes que estão no questionamento lançado. A solução à pergunta está amarrada a sua concepção de mundo, ao seu ponto de vista, a sua ideologia. Eu não tenho dúvida alguma qual dos dois foi mais importante. Isso importa? Claro que importa, mas não quero te convencer.
Quero dizer ao leitor que a vida é feita de escolhas e de individualidades. Augusto Cury já dizia que só não podemos escolher a vida e a fuga da morte - o resto são opções.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Comentários do leitor - Leo Jorgelewicz - sobre o artigo "Dragões sem Cabeça"

"Querido amigo, Giovani! Você me levou, com seu texto, a um passeio pela literatura, pela filosofia, psicologia e pela milenar cultura chinesa que tanto aprecio! Enquanto lia, sentia você falando e para mim! Acredito que outros leitores também tiveram essa rica experiência. Parabéns, parabéns."


Leo Jorgelewicz - Fisioterapeuta - sobre o artigo "Dragões Sem Cabeça"

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Artigo do Jornal A RAZÃO - 21 de outubro de 2015 - Dragões sem cabeça




Dragões sem cabeça
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

Na obra Ovelhas Negras, de Caio Fernando Abreu, existe um pensamento do I Ching que julgo bastante interessante. Em nossa vida “(...) aparece uma revoada de dragões sem cabeça”. Tal afirmação leva a uma reflexão básica: a maioria de nossos problemas não está do lado de fora, mas dentro de nosso cérebro. São os imaginários “dragões sem cabeça” que atormentam bem mais, do que realmente fazem mal.
Na interação entre as pessoas existem, pelo menos, três mundos paralelos: o que imaginamos, o que o outro imagina e o que poderia ser o real. Só que o mundo real também não existe de forma pura, verdadeiramente.
Equívocos. Distrações. Distorções.
Algumas vezes, na falha de comunicação, atuamos de forma errada. Erros, erros e mais erros. Não é por mal, mas acontece. Aos que falam de menos, a ofensa realizada parece maior, em virtude do que não foi dito e poderia ter sido. Os que dizem para mais, as palavras que voam da boca percorrem o espaço feito adagas cortantes. Magoamos e somos magoados.
Temos olhares e gestos convencionados; apresentamos cumprimentos e respostas definidas. O sorriso, a testa enrugada, o abanar de mãos, o gesticular de cabeça. O determinismo de meio (local em que se vive) e de momento (tempo histórico) definem parte do caráter do indivíduo. A coletividade (real e virtual) influencia nas escolhas que fazemos, por intermédio da internet, da televisão, do cinema, da música, da leitura, dos amigos e tanto mais.
Certa época de minha vida – há pouco tempo – pensei em desistir de nós, seres humanos. Numa introspecção profunda, agarrado aos livros, preferia o silêncio do que as conversas difusas, coletivas. As letras escritas me pareciam mais fáceis do que as palavras faladas. Penso que vários leitores também já tenham se sentido assim. Mais adiante, contudo, percebi que os diálogos eram essenciais para a constituição da própria humanidade. O problema poderia não estar nos outros.
Quero dizer, ainda continuo agarrado nos livros; apenas questão de opção.
Mas, constantemente, busco tirar os “grilos” da minha imaginação. Vou onde quero ir; penso no que desejo ponderar; agrado a quem julgo essencial. Isso estabilizou a minha calma e afastou diversos dragões indesejados; principalmente aqueles “sem cabeça”.



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Artigo Jornal A RAZÃO - 14 de outubro de 2010 - O Vendedor de Picolés




O vendedor de picolés
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com

Por falar em costumes antigos, alguém lembra o quanto era moda vender picolés? Parece que não faz muito tempo, mas a mocidade de hoje, na maioria, nem sabe o que é isso. Costume perdido, que era tão usual para os jovens da década de 80 e 90.
***
Eu tinha 12 anos de idade. Era 1987. Comecei a vender picolé de uma sorveteria que tinha na rua Osvaldo Aranha, em Santiago. Na verdade, os vendedores de picolé eram três: eu, o meu amigo Volnei Polga e seu irmão Robson Polga. O nosso sonho era ficarmos ricos!
Pegávamos as caixas de isopor e "Shhhisp", saíamos quase que correndo rumo às vendas. Lembro que competíamos para ver quem comercializava mais. Os famosos gritos: "- Picolé, sorvete!" nas ruas de paralelepípedos azuis, com o sol escaldante e a esperança de uma boa vendagem. A cada casa, em toda residência, imaginávamos tesouros escondidos, prontos para serem entregues em troca de um saboroso picolé. Éramos negociadores, vendedores, autônomos e, principalmente, livres.
Entretanto, nem tudo eram flores. Como todo jovem, eu tinha imensa vergonha da possibilidade de algum colega de escola me ver vendendo picolé. Ai, ai, ai! Pior ainda se o colega fosse uma menina! Aconteceu uma vez, apenas uma vez. Eu observei a colega, de nome Isabel, e dei meia-volta, quase saí correndo em disparada. Passadas largas, coração saltitando. A minha mãe me disse, naquela época: "- Vergonha é roubar e não poder carregar!" Velho adágio popular. Fácil falar! Difícil era incutir isso na cabeça de um pré-adolescente. Lembro que no dia seguinte, a Isabel me perguntou: “- Era tu que estava vendendo picolé?”
Vocês acham que eu neguei ou falei a verdade?
***
Certa feita, numa tarde de calor infernal, um homem perguntou: “- Você tem picolé de cachaça?”. Envergonhado e inocente, respondi que não. Então ele me disse: “- Quero comprar todos os picolés de sua caixa, mas escolha um para você!” Instantes depois, eu voltava para a sorveteria, com um picolé de morango cremoso e com a caixa vazia.
Quase um ano depois, eu já tinha um bom dinheiro. Mais importante do que isso, era o valor sentimental que eu dava para ele, pois havia sido obtido com muito suor. Suor.
***
Atualmente, toda vez que escuto os raríssimos “- Picolé! Sorvete!”, eu giro a cabeça para olhar quem carrega a caixa de isopor. O jovem que trabalha dessa forma deve se orgulhar! Pode até ser que fique cansado agora, mas no futuro terá ótimas lembranças e diversas façanhas para contar. No meu caso, por exemplo, quando chega o verão, recordo aquele passado feliz, desbravando as ruelas de uma cidadezinha do interior. "- Picolé, sorvete!"

(Republicando um texto do passado!)

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Coluna semanal do Jornal A RAZÃO - Democracia: forma degenerada da organização política


Democracia: forma degenerada da organização política
Giovani Pasini (professor e escritor)
E-mail: professorpasini@gmail.com


“Nós que consideramos a democracia não só como uma forma degenerada da organização política, mas como uma forma decadente e diminuída da humanidade, que ela reduz à mediocridade, onde colocaremos a nossa esperança? ”
Calma. Calma. Essa declaração não é minha. Foi feita há algum tempo, por Friedrich Nietzsche. Apesar de parecer totalitária, a intenção do filósofo era que pensássemos sobre a democracia, nossa condição, e se ela realmente ocorre. Para ele, a falsa alegação de “igualdade” destrói a democracia, em virtude de ela não existir verdadeiramente. Nietzsche critica a “qualidade” do voto, pois independentemente da condição do votante, cada voto vale um. A democracia é “quantitativa”, tornando-se limitada, desigual e mentirosa.
Segundo Nietzsche, a degeneração ocorre na medida que um voto de uma pessoa despreparada, conduzida por outros, tem o mesmo valor do voto de um indivíduo mais qualificado, consciente da sua posição no mundo. Como existem mais pessoas desinformadas, a democracia privilegiará sempre o que é ruim. Ele se pergunta: a quem interessará isso?
***
Apesar da filosofia nietzschiana ser dura e atacar o conceito da revolução francesa de igualdade (égalité), cabe uma boa reflexão, que trago para nosso país. Somos realmente iguais em direitos e deveres? Quem de nós é votante qualificado? Então, como diminuir a degeneração da democracia brasileira? Qual seria a oposição ao pensamento de Nietzsche?
A única barreira à degeneração da democracia é a educação democrática. Digo isso, pois a lógica da matemática é exata; nós, humanos, seremos sempre inexatos. Não há fórmula de soma (ou multiplicação) para se construir um bom caráter/cidadão.
Paulo Freire idealizava que o humano deveria assumir-se como um ser social e histórico. Como? Tudo passa pela construção de um olhar crítico, de uma consciência “eu-mundo”; de uma cidadania que surge num “insight” libertador. Do nada (nonada), numa manhã qualquer de nascimento empírico, ve(re)mos que não somos passageiros de decisões alheias; que também intervimos na sociedade. Nasce(re)mos maduros, enquanto outros passarão pela vida sendo adultos placebos, carneiros de lamentações.
A democracia brasileira somente irá se regenerar – do carcinoma da corrupção – quando o voto for algo consciente e, mais do que isso, no tempo em que for valorizado como ato único. Essa égalité deveria iniciar na escola, berço das utopias possíveis. Não com a venda de ideologias prontas, mas simplesmente ensinando o aluno a pensar. Afinal, ser democrata é ter paciência, até quase o vômito; e brigar somente se for em busca da utopia de um povo com voto mais qualificado.

Auri Sudati - ASSUME UMA CADEIRA NA ALPAS 21

Auri Sudati em trabalho com crianças

Extrato do e-mail recebido do Auri:

"Giovani (...) És um INCENTIVADOR de meus livros e de minha carreira literária, por isso, te agradeço "de coração"!
   PARABÉNS a ti pelo belíssimo trabalho realizado esta tarde, na 8ª Feira Livro na Mão, com relação à Literatura Infantil, foi um trabalho MARAVILHOSO, acho que todos gostaram!"
________________________________
Recentemente o amigo Auri Sudati foi eleito para uma cadeira na Academia Literária Internacional ALPAS 21, de CRUZ ALTA.
O Auri é um dos grandes escritores da região, pessoa muito admirável; um baita amigo.
Esse reconhecimento é merecido, pois além de ter um caráter exemplar, irrepreensível, é um cidadão que serve de exemplo a todos nós.
Com uma ligação forte com Santiago, onde foi docente por vários anos, o Auri é um professor/escritor nato.
Sucesso ao amigo pela posse na ALPAS 21.
Parabéns ao escritor!

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

VIII Feira do Livro na mão - CASA DO POETA DE SANTA MARIA - 7 e 8 de outubro de 2015


Hoje e amanhã (7 e 8 de outubro de 2015) ocorre a VIII Feira do Livro na Mão, organizada pela Casa do Poeta de Santa Maria, na AABB de Santa Maria. A atividade é feita para crianças até o 5º ano do Ensino Fundamental.
Tive a grata satisfação de participar, hoje de tarde, com a palestra "O universo mágico da leitura". Foi bastante gratificante, ainda mais que estive em companhia de jovens leitores, amigo escritores e, especialmente, da minha filhota Amanda (representando a família....hehehe).

















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