sexta-feira, 28 de março de 2014

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 28 de março de 2014 - Seu Jorge: o taxista - por Giovani Pasini

Seu Jorge: o taxista


Semana passada, estando em Santa Maria, precisei da ajuda de um santiaguense. Era por volta das 2 horas da manhã e tive vergonha de acordar os parentes e amigos. Devido à determinada urgência, resolvi ligar para um ponto de táxi. Fiquei impressionado com o seu Jorge, taxista da rodoviária, que cumpriu o auxílio acertado por telefone, confiando na palavra de que eu pagaria a corrida, posteriormente. Ser de uma cidade pequena tem os seus benefícios: algumas pessoas ainda acreditam nas outras, com resquícios daquela época em que o fio do bigode valia muito. Imaginei o que seria de mim, se precisasse da ajuda de um táxi, lá de Porto Alegre. Após a minha solicitação, o seu Jorge foi até o destino e somente retornou para o ponto, quando conseguiu realizar o que eu havia pedido. Um bom profissional nós reconhecemos de longe, independentemente da atividade que ele exerça. Acredito que o seu Jorge já tenha o reconhecimento que merece. Entretanto, sinto-me na obrigação de fazer esse singelo elogio, pois a confiança no ser humano é algo que está em falta na nossa sociedade. Cumprir bem o próprio ofício, com honestidade, é um exemplo a ser seguido. Os conceitos basilares de instituição, autoridade e família estão bastante fragilizados no Brasil, da atualidade. Jorge, o taxista, demonstrou que não precisamos ter dinheiro (como alguns burgueses), tampouco poder (como alguns políticos), para termos uma relevância social. A competência desencadeia a gratidão, principalmente em serviços públicos bem prestados, como o transporte, a saúde e a educação. Quem tiver oportunidade, ligue para o ponto do Jorge (3251-1511) e marque uma corrida. Ele merece o contato. Ele mereceu, também, cada gota da garrafa de vinho que separei, em agradecimento à pureza de seus princípios. Parabéns, pelo seu profissionalismo!

sábado, 22 de março de 2014

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 21 de março de 2014 - A chuva e o suor - por Giovani Pasini

A chuva e o suor


Gosto de relembrar as histórias contadas por meu velho pai, falecido em 2009. Ele narrava fatos de sua infância, vivida numa colônia italiana, lá no Alto Uruguai, onde acordava cinco horas da manhã, caminhava cerca de oito quilômetros e trabalhava o dia todo na lavoura, debaixo do sol escaldante. A mão ficava calejada e as costas vermelhas e ardidas. O suor banhava a carne. Pela testa escorria um rio de trabalho: árduo, difícil, lento. A enxada e a foice não eram tão rápidas quanto as atuais máquinas da contemporaneidade. O arado ainda era puxado por bois. No meio da manhã, o almoço dos colonos era pão e salame, acompanhados de um caneco de água ou vinho. A dicotomia da existência: dificuldade e valor. Quando as coisas surgem com penosa conquista, nós as valorizamos muito. Se elas são de fácil acesso, de pouca “utilidade marginal”, não damos importância alguma. O mesmo acontece com os exemplos. Hoje está chovendo bastante; a chuva relembra as histórias de meu pai. O chão de minha casa possui, agora, pequenos riachos de lágrimas. Quando eu era pequeno, não gostava dos dias de tempestade. Reclamava, pois o pátio magnífico, com ameixeiras e pessegueiros, não podia ser explorado. Um dia, quando eu tinha uns dez anos, meu pai disse, de forma pausada: “- Eu gosto de tempestades. Na minha infância, eu só podia brincar quando chovia muito. Nós não podíamos trabalhar na roça e ficávamos brincando no galpão. Estar preso era estar brincando, ou seja, livre.” A partir daquele dia passei a respeitar (mais) a chuva e, principalmente, o suor.

Casa do Poeta Brasileiro - POEBRAS - cumprimenta CAPOCAM pelos 25 anos


CASA DO POETA BRASILEIRO - POEBRAS NACIONAL
Fundada em 24 de julho de 1964

A Casa do Poeta Brasileiro, POEBRAS Nacional, escolhida para receber o Troféu Amigo da Poesia, alusivo aos 25 anos da Casa do Poeta Camaquense, a ser entregue na noite de 02 de abril de 2014, julga por dever de justiça:

1. agradecer à CAPOCAM, Casa do Poeta Camaquense, pelos 25 anos de excelentes serviços prestados à cultura da comunidade camaquense, do RS e do Brasil;
2. enaltecer, também, a efusiva dedicação de todos os seus confrades para a poesia regional, Rio-Grandense e Nacional; e
3. ressaltar o orgulho da Casa do Poeta Brasileiro (POEBRAS Nacional) em observar que a CAPOCAM completa o seu Jubileu de Prata, 25 anos de manifestações literárias, em particular da poesia, engrandecendo a arte da nação brasileira.

Pelo que foi supracitado e por tudo mais que está nas entrelinhas da literatura e da história da CAPOCAM, a Casa do Poeta Brasileiro (POEBRAS Nacional) cumprimenta a todas as pessoas e entidades que de alguma forma contribuíram para elevar o nome de tal entidade (CAPOCAM), ao nível histórico atual - de excepcional relevância para toda a nação brasileira.

Subscrevem o presente documento:

JOAQUIM MONCKS
Coordenador Executivo Nacional da POEBRAS


CARLOS GIOVANI DELEVATI PASINI
Diretor de Ações Culturais da POEBRAS

Casa do Poeta Camaquense - CAPOCAM - oferta prêmio para Casa do Poeta Brasileiro

Casa do Poeta Camaquense - CAPOCAM

Fundada em 31 de março de 1989

Praça Cel. Sylvio Luiz - CEP 96180-000 - Camaquã/RS
CNPJ: 90152596/0001-38
Entidade reconhecida de Utilidade Pública pelo Decreto Nº 16.807/2013

Camaquã, 18 de março de 2014

Ilmo. Sr. Joaquim Moncks
M.D. Presidente da Poebras

Ao cumprimentá-lo cordialmente, a diretoria da CAPOCAM, após assembleia realizada com seus associados, vêm por intermédio deste, informar que a Casa do Poeta Brasileiro - Poebras foi escolhida para receber o Troféu Amigo da Poesia, alusivo aos 25 anos da Casa do Poeta Camaquense.

A entrega da premiação será realizada na noite de 02 de abril (quarta-feira) às 21 horas, durante o Cafezinho Poético-Musical, no Galles Restaurante (Clube Camaquense), evento que integra a XVIII Semana da Poesia.

A CAPOCAM, no ano de seu Jubileu de Prata, se sente orgulhosa em prestar esta justa homenagem a uma entidade que ao longo dos anos vem engrandecendo a cultura e a literatura brasileira em particular a poesia.

Sendo o que tínhamos para o momento, renovamos todo nosso apreço e consideração.

Atenciosamente!
                                      

Catulo Fernandes

domingo, 16 de março de 2014

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 14 de março de 2014 - Arte - por Giovani Pasini

Arte


Algumas pessoas querem conquistar o mundo! Ter poder, fama e dinheiro; outras querem apenas saber fazer um bom desenho. Desde as primeiras lembranças que tenho da infância, sempre tentei desenvolver alguma arte. O primeiro grande sonho, normal entre os jovens, era me tornar cantor. O detalhe, naquele ensino fundamental do colégio Apolinário, é que eu não conseguia falar o “L” e nem o “R”. Possuía aquele defeito de dicção que você não diz “cara”, mas “caga”. A decepção ocorreu quando gravei, em fitas cassetes, a minha voz: “Das roupas veguias do pai, queguia que a mãe fizesse, uma maga de gagupa...”. Não precisa dizer que abandonei a tentativa frustrada. Pior ainda, eu sentia um terror quando a professora mandava ler. Na fala com amigos, eu substituía as palavras. Por exemplo, não dizia: - Você é louco! - modificava para “- Você é doido!”. Posteriormente, na adolescência, resolvi ser desenhista. A vontade surgiu quando aprendi a jogar RPG, uma diversão que tinhas personagens e imaginação. Desenhei, desenhei, desenhei... Sem curso algum, e mesmo sem ter o dom. Essa pretensão artística encerrou quando migrei para a Academia Militar; estava aberta, naquela época, a temporada de sobrevivência escolar para o Cadete que não tinha base estudo, que era imaturo com as suas coisas. O tempo na Academia Militar, apesar de muito difícil, está no rol de belas lembranças. Lá, num convênio com o Círculo Militar, participei de algumas aulas de pintura a óleo. Não demorei muito para perceber que também não tinha queda alguma para aquilo. Entretanto, a escrita, desde os primeiros poemas nunca publicados, é uma arte que me acompanha há bastante tempo. Encontrei, no fundo do baú, o poema “Para me livrar”, escrito no dia 14 de março de 1989, quando eu completava 14 anos. O sonho de saber produzir uma boa literatura já perdura por mais de 25 anos. Dessa arte, ainda não desisti.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 07 de março de 2014 - Espelho - por Giovani Pasini

Espelho

Anderson é um sobrinho de nossa vizinha do apartamento da frente. Ele mora em São Borja, mas teve que vir para Santa Maria. Anderson é muito jovem, tem apenas 14 anos. A sua estada no “Coração do Rio Grande” não é a passeio, ou mesmo estudo.  Agora, ele está internado no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo. Há poucas semanas, num jogo de futebol, ele simplesmente desmaiou. Exames, consultas, resultados. Descobriu-se que o rapaz estava com leucemia, o conhecido câncer no sangue. Pior ainda, após maior detalhamento, o diagnóstico terrível de que o jovem está com um tipo raro, agudo, da referida doença. O médico, excelente especialista, recomendou que a família e amigos rezassem por ele. Descobri que o seu sangue era “O+”, igual ao meu, e me ofereci para qualquer tipo de doação. Não dá. Não pode. “Temos que esperar baixar a febre”, disse-me a sua tia. Mal conheci Anderson, somente abanei para ele, da porta de meu apartamento. Fiquei sabendo de toda a sua dor física, da febre, da vontade de deixar o mundo material, como uma saída para o sofrimento. Num momento como esse, caro leitor, sentimos uma impotência maior do que o próprio universo. Não podemos fazer nada, ou quase nada. O que resta é rezar para Deus, qual seja, e pedir que uma surpresa aconteça. Talvez, quem sabe, uma oração coletiva tenha uma força bem maior, pelo que peço que rezem por esse menino: único motivo de criar o presente artigo. Hoje, nesta tarde maravilhosa de sol, não consegui me olhar no espelho.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 28 de fevereiro de 2014 - Tempo Nublado - coluna que encerrou a série de artigos - por Giovani Pasini

5
Sociologia da beirada
5 artigos para o Brasil (da copa?)

Tempo nublado*

Povo. Povinho, povão, povaréu, povoléu, populacho, populaça. HOJE. Gente, gentalha, gentinha, plebe, ralé, turba, tropéu, libambo, cangalhada. O BRASIL. Asno. Burro, jegue, mula, mua, ônagro, ignorante, apedeuta, insipiente, ignaro, idiota, parvo, parvalhão, chochinha, beócio. ESTÁ VIVENDO. Cidadão. Munícipe, cívico, civismo, civilizado, patriota, chauvin, jingoísta, citadino, urbano. MOMENTOS DIFÍCEIS. Baderna. Bagunça, tumulto, desordem, balbúrdia, zaragata, escabeche, rebuliço, estardalhaço, basqueiro, fecha, confusão. ONDE ESTARÁ? Liberdade. Livre, liberto, liberal, livrança, livramento, licença, parrésia.  ONDE ESTARÁ. Prisão. Liberticídio, libertinagem, presídio, calabouço, detenção, cárcere, xilindró, aljube, ergástulo, masmorra. A DEMOCRACIA? Voto. Votação, sufrágio, votivo, eleição, escrutínio, galopinar.  ATUALMENTE. Desonra. Descrédito, demérito, infâmia, ignomínia, opróbrio, vergonha, vexame, indignidade, torpeza, ladroagem, ladroeira. ESTAMOS VIVENDO. Morte. Óbito, funéreo, fúnebre, lutuoso, lúgubre, nefasto, obnóxio, mortuório. TEMPO NUBLADO. Brasil. Brazil, tupiniquim, brasileiro, brasiliano, brasileiríssimo, brasilidade, brasilismo. FIM?

Não sou positivista, nem acredito no mito da neutralidade científica. Toda educação (e toda ciência) é política, na concepção freireana. Entretanto, onde estará a “Ordem e Progresso”? O futuro se fará na intertextualidade de nosso povo?


*Série de artigos dedicados ao escritor mexicano Octavio Paz e a todos os brasileiros.
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