segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 21 de fevereiro de 2014 - Besteirol Latino-americano - por Giovani Pasini

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Sociologia da beirada
5 artigos para o Brasil (da copa?)
Besteirol Latino-americano

Escrever um artigo é bastante complicado. A função de qualquer colunista é dificílima, pois ele trabalha com a expressão de uma opinião. A falha de comunicação já existe quando falamos – e falamos muito – imagina quando utilizamos da escrita para transmitir pensamentos. A própria intenção de criar uma literatura ‘original’, passa pela construção de ideias mediadas pelo mundo: indivíduo e o contexto. O maior conhecimento é o que está fora da gente, pairando por sobre as nossas cabeças. Para criar um texto artístico, de qualidade, é necessário que se tenha ‘inspiração poética’ e ‘erudição’: não só um, ou outro. Um possível teórico passa por, no mínimo, duas fases: entender-se e fazer entender. Estamos, a maioria, na primeira. Numa época onde dificilmente o leitor termina de ler um artigo de jornal ou revista, vemos uma enxovalhada de “frases-feitas” pichadas pelas paredes, ou embriagando as tirinhas do facebook. Assistimos ideologias de fachada, governos de fachada, economias de fachada, moralidades de fachada, notícias de fachada, imagens de fachada. O costume propagado pelo “besteirol mundial” torna-se adorado pelos latinos: parecer é bem melhor do que ser. No caso da sociedade brasileira contemporânea, temos que atentar para a mudança de três aspectos sensíveis: a falta de discernimento do que é limite e respeito; o excessivo valor dado aos bens materiais e às fotografias de ostentação; e a ausência de confiabilidade em pessoas e instituições. Você acabou de ler esse artigo? Parabéns. Consegue terminar um livro inteiro? Sucesso. Agora, somente a educação poderá modificar a conduta de multidões.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - Sociologia da Beirada - Perdidos e difusos - 14 de fevereiro de 2014 - por Giovani Pasini

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Sociologia da beirada
5 artigos para o Brasil (da copa?)
- Perdidos e difusos -


Há cerca de um mês, travei uma conversa com um jovem acadêmico de Letras, de uma universidade de Santa Maria. Ainda estou chocado, em virtude do diálogo, que passarei a narrar. Ele, poeta de grande capacidade, tinha diversos textos de qualidade, que mereciam ser editados. Ofereci ajuda, caso ele quisesse publicar o livro – auxílio que ele prontamente aceitou. De um dia para o outro, contudo, observei que ele havia pichado a própria marca, na parede de uma casa, localizada na Rua Floriano Peixoto, aqui no “Coração do Rio Grande”. Resolvi fazer um pedido, na próxima conversa que tivemos: “Olha, como você vai publicar um livro com selo registrado, só pedimos que não faça mais pichação, pois é um tipo de vandalismo...” A resposta, posteriormente, foi o que me assustou: “Não quero mais publicar o livro, pois não aceito opressão sobre a minha arte, que é pura manifestação democrática. Algo do tipo ‘underground’”. Após aquela exposição, tentei convencê-lo que grafite era arte; pichação, crime. De nada adiantou, pois os nossos pensamentos esbarravam nos limites ideológicos. Pior ainda, ideologia difusa, perdida, uma confusão mental sobre o que é a democracia. Fiquei pensando, que tipo de cultura pregaria a destruição do bem privado? Será que não passa pela cabeça desses indivíduos, a maioria jovens, que os donos das casas pagam impostos e, muitas vezes, dividem os galões de tinta em inúmeras prestações? O direito de um termina quando começa o do outro. O que vemos, na atualidade, é uma clara demonstração de fragilidade democrática: pichações de frases feitas, propagação de rancores desvairados. Onde estará a verdadeira liberdade?

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Santa Maria terá Encontro de Escritores do MERCOSUL - 2 a 4 de maio de 2014 - paralelamente a 41ª Feira do Livro


Os organizadores do evento (ordem alfabética):
- Casa do Poeta Brasileiro (POEBRAS)
- Casa do Poeta de Santa Maria (CAPOSM)
- Centro de Integração de Santa Maria (CILAM)
- Editora Literagir
- Eduardo Galeano Produções Culturais
- Grupo Kitanda da UFSM
- Prefeitura Municipal de Santa Maria 

Convidam a todos para participar do evento internacional VIII Encontro de Escritores do MERCOSUL - V Congresso Internacional de Educação Intercultural e Literatura Contemporânea que ocorrerá na cidade de Santa Maria, nos dias 2 a 4 de maio de 2014, paralelamente a 41ª Feira do Livro daquela cidade.

- Certificado 25 horas!
- Palestrantes da Argentina, Brasil e Paraguai!
- Possibilidade de apresentar trabalhos científicos!
- Acesse: www.escritoresdomercosul.org e se informe.

Nosso norte é o sul!
Nuestro norte es el sul!








sábado, 8 de fevereiro de 2014

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 07 de fevereiro de 2014 - Sociologia da beirada - parte 2 - Nossa "Education" - por Giovani Pasini

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Sociologia da beirada
5 artigos para o Brasil (da copa?)
Nossa “education”

Quando os europeus chegaram ao Brasil, no início do século XVI, encontraram um vasto império do “Diabo”[1]. Um ótimo motivo para exterminar os nativos. Os portugueses, pioneiros na exploração marítima, passaram a dizimar a população indígena, pelas três pragas: a guerra, a escravidão e as pestes[2]. As nossas primeiras “importações” foram doenças transportadas em navios: a gripe, a tuberculose, o sarampo, a coqueluche, a cárie dental, entre outras. Como povo colonizado, independente a menos de 200 anos (1822), nós brasileiros pecamos pela falta de personalidade, quero dizer, ausência de autonomia: primeiro foi o eurocentrismo, onde endeusávamos a Europa, em especial a França (Belle Epóque – Séc. XIX e XX). Posteriormente, após a 2ª Guerra Mundial, passamos a idolatrar o império dos EUA e todas as suas figuras heroicas: do Capitão América à Lady Gaga. Hoje em dia, é mais fácil ver um jovem usando uma camiseta com a bandeira americana do que a brasileira. Esse complexo de “vira-lata”, apontado por Nelson Rodrigues, está na genética de nosso povo, que sempre se considerou um cão sarnento. A sarna do “mais fácil” e do “deixa assim” corrói a pele patrícia. Estamos acostumados com o feio, com o errado. Não? Quer ver: qual a nação forte que denigre o termo “agricultor”? Somente um país sociopata, indiferente aos direitos e sentimentos dos outros, é capaz de enfraquecer a produção agrícola familiar, por exemplo, em prol de um assistencialismo eleitoreiro. A educação só é modificada com a alteração da cultura e, também, dos péssimos hábitos.



[1] Eduardo Galeano (As veias Abertas da América Latina)
[2] Darcy Ribeiro ( O povo brasileiro) 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 31 de janeiro de 2014 - Sociologia da beirada: 5 artigos para o Brasil (da Copa?) - por Giovani Pasini

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Sociologia da beirada
5 artigos para o Brasil (da Copa?)


Esses artigos estarão interligados, mas serão independentes entre si. Não peço que faça a leitura de todos, mas se o fizer, verá uma conexão natural entre eles. Inicio com uma metáfora: a ponte mais extensa do mundo é o presente. O Brasil do amanhã não existe, pois o futuro é imaginação e somente se fará real, quando for presente. Bastam-se, portanto, todas as manifestações sociais e de “blackbocs” para percebermos que estamos numa época confusa. Quais as causas das intempéries sociais? Não é preciso ser um especialista para eleger algumas. Nós brasileiros, na maioria, somos indivíduos alienados das necessidades coletivas (município, estado ou nação). Não percebemos a diferença entre “povo oprimido” e “povo sem autonomia”. Ignoramos a educação, pelo reflexo de uma péssima tradição: a “cultura do atalho”. Aqui, na terra Tupiniquim, a visão de sucesso – jogador de futebol, artista da novela das oito, modelo fotográfico, ou quem sabe BBB, passa por “cortar caminhos”. Quero dizer, diferentemente das ideologias orientais, calcadas no estudo, vivemos uma imaturidade acéfala e materialista. O povo é composto de sonhadores com espírito de "vaca-mansa". Somos pacatos, mas algo mudou, ainda que de forma desordenada. Percebemos que nos olhos dos manifestantes queima o fogo de uma revolta contra décadas de descaso em relação às necessidades básicas de saúde, segurança, educação, alimentação e moradia. Não existe mais esquerda ou direita, da política do século passado, mas sim a comprovada dor de uma rede social globalizada e fragilizada, com orfandade de líderes. O brasileiro nasceu acostumado com um tipo de personalidade: pele de lobo e máscara de cordeiro. Falta de educação? Talvez. Esse será o tema do próximo artigo.

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 24 de janeiro de 2014 - Doralina de Jesus - por Giovani Pasini

Doralina de Jesus

Doralina era uma mulher solitária. Adorava ficar sozinha. Dora, como chamavam os poucos íntimos, acreditava em Deus. Ela carregava a convicção da existência Divina, mas desacreditava todas as religiões. Certa feita, numa reunião com poucos amigos, passaram a debater as doutrinas mais comuns: a católica, a evangélica e a espírita. Doralina lançou um conceito filosófico importante, para quem crê em Deus – “a fé está alicerçada sobre a dúvida e não em cima de certezas”. Como assim? Toda a crença em Deus é subjetiva, individual, não comprovada, por isso a necessidade da fé (boa parte das vezes, falível). Doralina percebeu bastante paixão nos olhos dos interlocutores. Estavam todos convencidos, nas suas dúvidas, de que o Divino existe mesmo. Debater Deus, caro leitor, é diferente de discutir sobre religiões. Deus é o destino, o ponto final. Já as religiões, desde que provem o contrário, são apenas veículos para o destino. O problema é que gostamos de fanatizar muito – futebol, religião, política, entre outros. Pegamos, geralmente, veículos que possuem condutores esquizofrênicos. Doralina era sozinha, mas por escolha. Não estava depressiva e adorava viver. A cada noite, na sua casa, acompanhada de uma xícara de café ou chá de camomila, ela apontava o indicador para os céus e indagava: por quê? A resposta, usualmente, era – (é seu o livre arbítrio. A raça que você faz parte é uma falha genética, oriunda de macacos. Nem sempre aperfeiçoamos o barro). Doralina se casou com os próprios princípios, também mutáveis. Morreu abraçada a um homem-bomba, numa cerimônia ecumênica, lá perto de Jerusalém.
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