sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Artigo do jornal Expresso Ilustrado - 17 de dezembro de 2014 - Liberdade - por Giovani Pasini

Liberdade


Gosto de debates intelectuais. Sou fã de programas televisivos, que exercitem a capacidade de raciocínio e que promovam discussões. Assisto, por exemplo, “Roda Viva”, “Canal Livre”, entre outros. Teve uma época, há poucos anos, que adorava participar de congressos e seminários, não somente para correr atrás de certificados. As palestras, na maioria, sempre traziam algo de bom, alguma forma de aprendizagem. A leitura diária também ajuda muito, quando um dos maiores prazeres é a busca de conhecimento. Ao escrever este artigo, meu subconsciente sugere: você sabe por qual motivo o leão não lambe abelhas? Apesar de ser uma fera, o felino entende o perigo da dor provocada pelas pequenas coisas. Hoje, caro leitor, declaro-me livre do deus ocidental, personificado nas religiões que conhecemos. Apesar disso, sei que existe algo de místico na vida, que a teoria Darwiniana não conseguiu explicar. Talvez, quem sabe, sejamos os próprios anjos caídos, expulsos de um paraíso e ludibriados por escrituras quase demoníacas, que testam a nossa inteligência. Palavras que pregam “verdades” transplantadas e que, no fundo, promovem a segregação e a violência entre os humanos. Essa é a única explicação palpável: a palavra talvez seja uma ferramenta maligna, pois ela aprisiona as ideias. Acredito em Deus, não entenda errado o que digo. Não creio nas religiões ocidentais e muito do que elas representam. Respeito, entretanto, o seu direito de seguir essas palavras religiosas. Como respeito, também, o direito de quem assiste ao “Big Brother”.  Cada um constrói o próprio céu e inferno. “Todo ponto de vista é a vista de um ponto”, como disse Leonardo Boff.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 10 de janeiro de 2014 - Crônica da madrugada - por Giovani Pasini

Crônica da madrugada


Madrugada. Os pingos da chuva batem na janela. Escuridão na noite, brilho na mente. O sono foge junto com as férias. O que dizer para o leitor? Chega-me uma frase longínqua, lembranças da meninice: “Honrar o fio do bigode!”. Poucas palavras, mas que dizem muito. Trabalhar honestamente, preservando o sobrenome; nunca deixar marcas negativas numa palavra empenhada; uma promessa afiançada deve ser mantida até a última instância. Quem tem mais de 30 anos, com certeza já escutou esses dizeres. Parece-me um saudosismo, que sempre soa como pessimismo, quando desnudamos a alma. Não temos mais a esperança no futuro? O futuro não existe. A realidade é que temos que modificar o que tocamos. Somente isso existe, o resto é imaginação midiática. A magia está em acreditar na nossa redoma espiritual: o escudo impenetrável para a corrupção. Se vender por dinheiro? Por qual motivo? Amanhã ou depois estaremos num caixão, debaixo de palmos de terra. Isso também não é pessimismo, mas realidade. A consciência possui um valor que não tem preço; não existe bem material que pague a liberdade de poder dizer: isso nunca me atingiu! Como os antigos, honramos o fio do bigode. Silêncio na noite, barulho no cérebro. No relógio do computador marcam 04h34min. A chuva parou. Que bom que minha insônia é somente por causa das férias. Espero que você possa repetir comigo... Liberdade! Acho que vou para a cama, pois daqui a instantes começará a raiar mais um lindo dia e tenho gramíneas verdes para brincar.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Artigo do jornal Expresso Ilustrado - 04 de janeiro de 2014 - São Thiago: 130 anos - por Giovani Pasini

São Thiago: 130 anos


No dia 4 de janeiro, Santiago completa os seus 130 anos de existência. Este artigo não poderia ter outra finalidade, senão enaltecer as características dessa terra, cantada em tantos versos. Arrisco-me a descrevê-la, como se falasse a um estranho: a pequena Santiago cresceu e se estende por sobre uma coxilha, perto de um boqueirão. O mais bonito daqui é que do centro da cidade, em alguns pontos, você consegue enxergar o seu final: aquele pampa bonito, com pequenos bosques e cercas campeiras cruzando as colinas. O cheiro da terra é envolvente; o perfume invade o cérebro e cria raízes profundas. Dizem os nativos, que a maior qualidade do povo é também o seu pior defeito. Aqui, onde vive uma população de cerca de 60 mil indivíduos, as pessoas se conhecem e se cumprimentam na rua. Todos buscam saber da vida de todos. Diferentemente das cidades grandes, onde um humano não encara o outro, desviando o olhar por medo ou descaso, em Santiago as pessoas se analisam e contam a sua história para tantos, até para estranhos, na fila da lotérica ou do Banco. As discussões vertentes, nas rodas de ideologia ou de política, carregam uma força inigualável, que remonta os farroupilhas. Falem o que quiser da pacata Santiago, mas ela é manancial de natural inteligência, baseada em sonhos de pessoas obstinadas. O fogo queima o coração santiaguense. O ponto chave que a faz diferente, contudo, é o epíteto que a impulsiona para a cultura. Essa cidadezinha constitui(u) uma fonte rica de inspiração para diversos artistas. Parabéns, terra de Caio Fernando Abreu. Parabéns Santiago: “Terra dos Poetas”! (Bem-vindo janeiro, Januário maneiro.)
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