sábado, 27 de julho de 2013

Artigo do jornal Expresso Ilustrado - 26 de julho de 2013 - Sem falar - por Giovani Pasini

Sem falar


As nossas palavras sempre serão distorcidas. Escrevo isso, pois acho que alguns leitores irão se identificar comigo. Primeiramente, para quem não nos conhece, parecemos antipáticos. A verdade, caro leitor, é que vivemos no “mundo da lua”. Quando caminhamos na rua, ou quando guiamos o automóvel, normalmente não estamos no momento presente. Dizem os cientistas que nós, os que somos assim, temos a característica de estar um passo a frente do agora. Por isso derrubamos copos. Por isso pisamos nos pés dos outros. Por isso usamos palavras inadequadas, para situações inoportunas. A introspecção, ato de ficar quieto, é um prazer para nós “Ah! Como é bom concordar com a cabeça e responder mentalmente.” Só que isso não é bem aceito por nossos interlocutores. Confessamo-nos criadores convictos de falhas de comunicação. Não que sejamos maus; tampouco somos bonzinhos. A realidade, é que as relações humanas são complicadas: pensamos uma enormidade; falamos a metade e escrevemos bem menos que isso. Nós, os  desatentos das letras, cometemos gafes sem querer. Geralmente, por trás de nossas condutas, está a inocência. O perfil sonhador, focando em projetos criativos, causa intempéries comunicativas. Por qual motivo? Simplesmente pelo fato de não estarmos ligados no instante atual. Não nos culpe pelas “tiradas” indevidas. Tenha certeza que não percebemos! Aliás, quando alguém fica chateado, demoramos a notar. Algumas vezes, quando “cai a ficha”, já é tarde demais. Por incrível que pareça, dormimos o sono dos anjos: para os liberados da má intenção, a inimputabilidade da consciência. Para nós – eu e você – o “mundo da lua” é a suavidade. As nossas palavras sempre serão distorcidas. Pelos outros?

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