terça-feira, 18 de junho de 2013

E-mail recebido: Gen Bda Reformado Valmir Fonseca Azevedo Pereira

Uma INSTITUIÇÃO à beira de um ataque de nervos

Tudo começou com a “Placa”, lembram-se?

Inaugurada por imposição da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), em homenagem aos cadetes falecidos em atividade de instrução no decorrer do Curso de Formação de Oficiais e em desagravo ao Márcio Lapoente da Silveira, ela foi fixada e permanentemente mantida nas instalações da Academia Militar das Agulhas Negras.

Naquela oportunidade, afirmamos que ela representaria o fim dos sonhos, a morte dos anseios, a descrença na caserna, o desrespeito pelos superiores, o funeral da disciplina.

Era um sinal de que tudo estava perdido.

A falta de reações permitiu que a Secretaria desembestasse frontal e ousadamente contra uma instituição centenária, permanente, e que goza da mais alta credibilidade no âmbito popular.

A Resolução da Secretaria de Direitos Humanos, publicada nesta sexta-feira (7) no "Diário Oficial da União", determinou a criação de um grupo de trabalho para apurar casos de maus-tratos e torturas dentro de unidades militares.

Conhecemos a parcialidade e a sanha que impulsionam a Secretaria dos Direitos Humanos. Contudo, semelhante investida contra o Exército Brasileiro é mais do que uma medida arbitrária e revanchista.

Nós que labutamos por mais de 40 anos naquela exemplar Instituição, vemos horrorizados como um mar de lama pode ser jogado sobre toda a sua História.

Nós passamos a maior parte de nossa vida militar lidando com soldados, com jovens que adentravam os quartéis, com precária educação, reduzido vigor físico e, em geral, sem os mínimos padrões que deveriam ser apanágios de um cidadão.

Na caserna, incutimos neles hábitos de cidadania, treinamento físico, pontualidade, higiene, disciplina e um profundo amor à Pátria.

Longe da grandeza militar e do respeito aos subordinados, de menosprezar, ferir, desmoralizar, muito menos torturar, um jovem, em geral, voluntário.

Por vezes, a dureza do treinamento, o critério da seleção rigorosa, em determinados cursos, determinavam aos instrutores e responsáveis elevado grau de exigência para a melhoria do próprio instruendo, mas sempre respeitando o “não faça aos outros o que não gostaria que fizessem com você”.

O respeito sempre foi a base para a formação de Oficiais e de Sargentos que cursaram a AMAN e as Escolas de Sargentos, todas de mais alto gabarito, tanto no que diz respeito aos temas profissionais, como os dos currículos escolares.

Para nós, criados e formados com rígidos padrões, baseados na hierarquia e na disciplina, cala como agressão essa atividade aviltante da Secretaria contra a nossa Instituição.

Temos vergonha do que está acontecendo, pois fere as nossas convicções, saber que sem o menor pejo, um reles grupo, sabe-se lá como será formado, prenhe de revanchismo, parte para denegrir a nossa instituição como se fosse um antro de facínoras.

Realmente, chegamos ao fundo do poço.

É incrível como, sem fazer força, devidamente amparados pelo desgoverno, qualquer ministério, secretaria ou autarquia pode extrapolar as suas atribuições e investir contra o que quiser.

Hoje, é obrigação das autoridades militares, do inefável Ministro da Defesa impedir a concretização dessa vergonhosa ação.

Esse passo, caso concretizado, ensejará a total investida nos currículos das escolares militares, nas suas normas, e, sem dúvida, nos seus princípios.

De fato, após tantos revezes, está difícil manter a cabeça erguida por ter passado a vida inteira acreditando que, orgulhosamente, éramos militares, que nos apegamos aos valores e às virtudes mais caras.

Sim, ao invadirem os quartéis à cata de criminosos, melhor fariam se buscassem entre seus antigos subversivos contumazes em atos terroristas, assaltos e sequestros.

Ao duvidarem dos padrões que nortearam e norteiam a vida dos militares, maculam a identidade da nossa Instituição.

Na Reserva, impotente e com indescritível mágoa no coração, vemos a Instituição que tanto amamos e respeitamos chegar à beira do colapso.

Meu único consolo é que já estou na Reserva; se na Ativa, melhor seria pedir as contas.

Não ficaria surpreso, se diante de tantos descalabros, alguém pedisse demissão.

Brasília, DF, 09 de junho de 2013.

Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

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