sexta-feira, 24 de maio de 2013

Camus é que tinha razão!

CAMUS É QUE TINHA RAZÃO!


A proposição lógica de ideias deve seguir uma sequência que não seja impulsiva, numa construção racional de itens, pelos quais se está disposto a pelejar.

Depois das besteiras que ironizei, na postagem anterior (10 dicas para parecer um intelectual - republicada), faço questão de apresentar alguns tópicos, elaborados na maior frieza de pensamentos.

Para alguns não adiantará em quase nada, pois como refere Mário de Andrade, no Prefácio Interessantíssimo, um dos marcos do modernismo brasileiro, na obra Pauliceia Desvairada:

Está fundado o Desvairismo.
Este prefácio, apesar de interessante, inútil.
Alguns dados. Nem todos. Sem conclusões. Para quem me aceita são inúteis ambos. Os curiosos terão o prazer em descobrir minhas conclusões, confrontando obra e dados. Para quem me rejeita trabalho perdido explicar o que, antes de ler, já não aceitou.

Portanto, vamos por partes – ou seja – apresento a minha linha de raciocínio por itens e subitens, mesmo que antecipadamente não seja aceito, por quem me rejeita:

1.   A teoria de que um escritor, obrigatoriamente, deve estar FORMADO na Língua Portuguesa é a maior besteira que alguém pode escrever. Essa premissa é uma “falácia”, que beira a imbecilidade. Vamos provar isso pela própria Literatura Brasileira.
a. A aprendizagem ocorre por toda a vida, ou seja, sempre estaremos aprendendo e, algumas vezes, desaprendendo. O Graciliano Ramos de 40 anos não era igual ao mesmo autor, quando esse tinha 20 anos de idade. Pequenos erros de digitação e de gramática são normais, para os mais renomados artistas.
2.   Agora, imaginem se Rachel de Queiroz, que nasceu em 1910 e lançou a sua obra-prima em 1930, sob o título “O Quinze” (que referia sobre a seca de 1915), esperasse um pouco mais e não lançasse sua obra aos vinte anos, somente pelo fato de cometer erros de português. O que aconteceria com Álvares de Azevedo (morto aos 20 anos); com a epifania de Clarice Lispector, que publicou, em 1943, o seu primeiro romance “Perto de um Coração Selvagem”, sendo que ela tinha somente 19 anos! Errar gramaticalmente é usual, o que não é a mesma coisa que “errar grosseiramente”, sinal de falta do conhecimento básico ou banalização da língua-mater. O escritor, bom ou ruim, tem que se preocupar com o conteúdo e, obviamente, não esquecer a forma (melhor correção possível).
b. Passemos, então, para o inigualável Machado de Assis. Acabo de ler o lindo “Quincas Borba”, mas o seu melhor livro (sem dúvida) é Memórias Póstumas de Brás Cubas. Saiba, caro leitor, que Machado de Assis cometeu diversos erros de português, o que já é fato, na sua biografia, como atestam diversas teses de literatura. Ele chegou a tomar aulas de caligrafia e de português, quando era adulto, para melhorar a sua escrita (naquela época era tudo manuscrito).
c.  Alguns poucos escritores santiaguenses, talvez um único, ainda estão no início do século passado, antes da década de 20. Um passadista, bem mais atrasado que os passadistas. Vamos, agora, para o MODERNISMO BRASILEIRO, defender essa afirmação:
- a 1ª Geração Modernista (1922-1930) foi radical ao combater os parnasianos (que adoravam a métrica e a rima) e estabeleceu conquistas, tais como: o verso livre, mistura de prosa e poesia, blague (poema piada), a utilização de linguagem coloquial. Veja esse poema de Oswald de Andrade:

Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português
Oswald de Andrade

Existe a ironia no “Erro de português”. Qual? A ideia de dominação cultural, tão combatida pela antropofagia (movimento do mesmo autor) onde os europeus introduziram a sua cultura, goela abaixo, nos povos indígenas – e a sua ironia no verso, com erro gramatical “O índio tinha despido”, que estaria mais adequado com o “O índio teria despido”.
- a 2ª Geração Modernista (1930-1945) foi mais amena. Dela destaco o “poeta maior” da literatura brasileira, Carlos Drummond de Andrade, que chocou o público com o texto “No meio do Caminho”, colocado algumas postagens atrás, que modifiquei em homenagem intencional. Carlos Drummond foi fantástico, ao defender que o autor teria a liberdade de escolha ao produzir o seu texto, ou seja, da forma mais similar ao clássico (parnasiano), ou de um modo mais livre (moderno).
- Apesar da 3ª Geração Modernista (1945-1960) se opor à primeira, quero dizer, retornando ao culto da escrita mais elaborada (João Cabral de Melo Neto, por exemplo), a Literatura Brasileira nunca mais foi a mesma, após a Semana de Arte Moderna.
- Portanto, temos que pesquisar mais sobre a evolução de nossa literatura e, até mesmo, de teorias mais contemporâneas, como as  variações linguísticas.
e. Sobre as variações linguísticas, cabe destacar que uma das diversas modificações de linguagem está relacionada com a plateia e com a forma de se irá apresentar os textos para esse público. Obviamente, o coloquial pode ser aplicado ao blog, pois ele é uma interface que não possui a seriedade de um livro. Por isso, meu leitor mais assíduo, não faço tantas revisões no meu blog (ah, detalhe, o correto é blogue. Quem defende tanto o “correto”, não pode cometer qualquer erro). Num BLOG não é necessário se fazer tantas correções, visto que as redes sociais são interfaces que não sugerem isso.
f. Além disso, recebi certas “críticas” (é verdade!) por estar, algumas vezes, dificultando a minha escrita e, até mesmo, a fala. Alguns dos meus poucos leitores já acusaram que eu devo cuidar, para não cair no péssimo defeito de um certo colunista santiaguense, que escreve palavras que nem ele mesmo entende. Apesar das minhas limitações em Língua Portuguesa, confesso, sempre busco aperfeiçoar o hábito da redação. Fiz uma faculdade de Letras, estou sempre consultando o dicionário, sou um leitor assíduo etc. Aprender a “última flor do Lácio” (Olavo Bilac) não é nada fácil... Contudo, tentamos!
3.   Quem corrige erros de português, caro leitor, não é o escritor. Existe um profissional em TODAS as editoras (ou mais de um!), que se preocupa em corrigir pequenas falhas. Aliás, ele recebe dinheiro para isso. Aqui em Santiago, temos o Froilam de Oliveira, o qual ressalto a maior qualidade: CORRETOR ORTOGRÁFICO. Sugiro para ele, quando se aposentar, que invista o seu precioso tempo para se tornar um etimólogo, por profissão.
4.   Gostaria, nesse momento, de reforçar o convite, enviado por e-mail e não respondido pelo Froilam, para que participe do I Salão de Debates Culturais. Vamos lá, Froilam? Vamos debater ideias? (Ainda há tempo, nós divulgaremos a sua inclusão. Achei que tivesse "denegado" o convite...)
5.   Por fim, Sartre tentou aproximar o existencialismo do comunismo, buscando justificar a violência “pelo mal menor”, ou seja, as necessidades do estado poderiam, em determinados momentos, justificar a violência. A liberdade de escolha estava "limitada" pelos próprios limites do homem. Contudo, Sartre ficou chocado quando soube dos campos de concentração russos, os quais o filósofo não conseguiu justificar (milhares de mortos). Realmente, aproximo-me mais do "ex-amigo de Sartre", o escritor Albert Camus, que era não era favorável a qualquer tipo de violência (“O Homem Revoltado”), o que mais se aproxima de Paulo Freire, um dos teóricos que sigo. 
  Sugiro a leitura da seguinte obra, uma das minhas, de cabeceira:




Ah! O pior defeito de um “(pseudo)intelectual” é achar que, no mundo, somente ele realiza leituras. Faça-me o favor!

Você leitor, quer saber mais da Semana Literária? Clique em "Mais Informações".


A "VI SEMANA LITERÁRIA DE SANTIAGO" ocorrerá nos dias 14 e 15 de junho de 2013 (sexta e sábado), na Câmara dos Vereadores de Santiago. 

A atividade fornecerá um certificado de 25 (vinte e cinco) horas e terá o tema geral: "A Cidade Educadora e a Educação Intercultural"

CLIQUE NA FIGURA QUE ELA AUMENTA
PROGRAMAÇÃO


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por deixar o seu comentário neste blog.
Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...