sexta-feira, 12 de abril de 2013

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 12/04/2013 - Meu pé de ameixa amarela - por Giovani Pasini





Meu pé de ameixa amarela

Existem textos que contêm um mundo. Existem poemas que engolem um universo. Rubem Alves é mestre ao falar de seus ipês amarelos. José Mauro Vasconcelos publicou o lindo romance juvenil “Meu pé de Laranja Lima”, do personagem Zezé (um menino que amava uma árvore). Trago comigo algumas benditas recordações que recebi de meu pai (Acir) e de minha mãe (Acelina). Aliás, no dia 10 de abril minha mãe completou 71 anos de uma grande vida (parabéns, mãe!). De tantas coisas boas que ganhei dos dois, a maior delas foi uma infância feliz. Das variadas lembranças, tenho que focar naquela ameixeira, do pátio de nossa casa: ela servia de avião, helicóptero, carro-de-combate, montanha e tanto mais. Na época frutífera, ainda se tornava uma boa refeição. Eu, meus irmãos e amigos – todos atacávamos as ameixas. Alberto Caeiro nos fala que “O mundo é para ser visto e não para pensarmos nele”. Ainda hoje, sinto saudade daqueles dias, quando a preocupação era conseguir subir até o galho mais alto; sei que a nostalgia é diferente do saudosismo – a primeira tem o seu caráter negativo. Sou saudoso, mas, também, sou nostálgico. Não há nada mais valioso do que o tempo. Nem existe algo tão fundamental quanto o tempo. O presente, segundo os árcades, é a única realidade que existe. Nesse agora, consigo vagar pelo cheiro das folhas de todas as árvores que tive naquela casa, da rua Tito Beccon. A ameixeira deve estar lá. Junto dela estão meus maiores sonhos. Ao lado deles, descansam as experiências. Não devemos esquecer, caro leitor, que a relevância não está no passado, mas na visão que temos daquilo que um dia já foi presente. Um presente…

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