sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Artigo do jornal Expresso Ilustrado - 22 Fev 13 - Alegria e a Tristeza - por Giovani Pasini


Alegria e Tristeza

O andarilho era tão feliz, mas tão feliz, que o apelidaram de “Seu Alegria”. Passeava pela cidade, caminhando pelas ruelas, sem preocupação alguma, a não ser conseguir o alimento do dia. A fome era a sua única inimiga. Não arrumava brigas com a higiene, nem esquentava a cabeça com a aparência. O que mais gostava era andar pelas ruas e analisar os monumentos de livros e penas. Diversas vezes, atravessara a praça central, olhando a cara “bronzeada” do Getúlio e abanando à padroeira. As sombras das árvores eram o seu refresco para uma cochilada. Nas noites de verão, apreciava as estrelas; os olhos brilhavam, refletindo o céu imenso. “Seu Alegria” era livre, sozinho, mas completo. A pessoa que o visse, a qualquer hora do dia, recebia um largo sorriso. Para ele, independentemente da história, todo humano era um parente. Isso não era uma questão religiosa, mas ideológica. Como não tinha familiares, seu carinho era distribuído a todos. É bem verdade que “Seu Alegria” tinha um estranho hábito: ele atacava os “despachos”, nas estradas e rios. A galinha era para comer; a cachaça, para beber e as velas para ler, de noite, os jornais velhos. Não se preocupava com os deuses e nem os deuses tinham tempo para ficar com raiva dele. Sim, apesar de mendigo, “Seu Alegria” sabia ler. Além disso, enxergava muito bem. Certa feita, deitado nas estrelas, observou uma senhora rica, de sapato alto e vestido longo. Ao encostar o carrão, em frente ao banco, ela nem notara o fétido mendigo. A mulher sacou dinheiro, aos prantos, para corromper mais um abraço. Os dois estavam sós, mas para ele, restavam incontáveis riquezas.

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