segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

E-mail recebido: Reflexão de Antonio Santos (Portugal) sobre o Ensaio de Literatura Brasileira Contemporânea - Parte 2 - Vale a pena ler!

Recebi um texto do correspondente português Antonio Santos, sobre o meu Ensaio de Literatura - Parte 2, onde eu escrevo sobre a importância da liberdade da escrita.

A sua análise é interessantíssima e uma terceira resposta (para o Antonio Santos e leitores) será feita, também, em forma de ensaio. Postarei daqui há alguns dias.

Para compreender a reflexão de Antonio Santos leia o meu texto: 


Antonio Santos 

Para acessar o blog de Antonio Santos clique: 
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Leia!!!


Olá Carlos Giovani, mais um surpreendente ensaio a colocar-nos numa profunda reflexão sobre Literatura.
Na 1ª questão, como disse num anterior comentário, para mim não existe literatura péssima mas literatura de vontade. O Ser é, involuntariamente, pensante, com ele nascem vontades internas, sendo uma delas a vontade de transcrever sentimentos. Esta pergunta levou-me aos Anos 70, onde o pensamento das pequenas massas era estrangulado pelo pensamento de outras, ditas superiores; daquelas que detinham liberdade expressiva, pela reflexão, pesquisa e leitura. O meu Avô era uma dessas vozes expressivas, debitava o que viano café, com os amigos.Juntava o seu pensamento ao daqueles que na altura liam o jornal da terra, e juntos formavam um pensamento crítico ao regime… Um dia descobriu-se, no seio familiar, que um seu neto,escrevia versos. O seu trabalho insidia-se nos comportamentos da própria família, o que para a maioria era displicente escrever tais sentimentos. Tudo se fez para travar a liberdade pessoal do poeta; rasgaram e queimaram-se poemas, levou fortes tareias o pequeno, (na altura),poeta… mas não desistiu. Todo este panorama familiar chegou aos ouvidos do nosso avô que, de imediato, interveio na defesa do escritor… Hoje é um escritor anónimo, (digo anónimo), porque o seu trabalho não é reconhecido no mundo literário, talvez por entenderem que a sua escrita é péssima. Como irmão não dou opinião, chega-me a de outros autores, que por diversas vezes analisaram os escritos e não sabem do porquê deste infame descredito.
Ele é um escritor de vontades, como eu, tu e aquele. Este meu comentário pode não reger-se nas ditas perfeições da escrita e do pensamento, porém, o transcrito, é o meu sentimento. É péssimo? Não é para resposta, somente para reflexão.
Temos uma segunda questão, sobre os benefícios do computador e Internet, penso que aqui não temos dúvidas, que ambos causaram a liberdade do pensamento do individuo. Sim concordo, com o que escreveu, Michel Foucault, não sobre a morte do autor, mas pelo facilitismo da pesquisa e reflexão.
Tu, Carlos, como professor universitário, sabes bem que hoje um trabalho académico é um ”copi paste” total tirado na estrada virtual.Nele encontramos um vazio de pesquisa e reflexão… Pesquisa não chega meter no Google o tema, temos as bibliotecas, livrarias, conversas com conhecedores e daí extraímos o sumo do tema. Quantos trabalhos, académicos, vêm com esta pobre informação? Contudo, de onde foram retirados, alguém os colocou lá, esse alguém teve de fazer pesquisas e estudo, porque só assim nasce a obra, agora não sou obrigado a concordar com tudo o que lá está. Posso contra-argumentar, conforme o estou a fazer e não sujeitar-me somente a concordar. Muitos destes estudantes, ao seguirem este método, estão a privar o melhoramento do pensamento global, ao não contribuírem para um acréscimo da matéria. Poderíamos Todos melhorar o pensamento das massas, se predispuséssemos a tal.
Tive um Professor de Filosofia, que Nos obrigava a fazer trabalhos extraídos do Nosso próprio pensamento, ou seja, sem recurso á Internet, somente recorrer a livros de grandes filósofos. O resultado desta forma de ensino foi, trabalhos com direito a exposição lá na escola. A mim, pessoalmente, deu-me um gozo tremendo. Todos os anos, em minha casa, pelo Natal escreve-se a carta ao Pai Natal e no ano passado, um sobrinho meu, com 22 anos, escreveu algo que me comoveu. Acontece que, depois em conversa com ele, me disse que tinha extraído tudo aquilo na Internet, deixando-me desolado. O que hoje vejo é um pensamento crítico baseado no facilitismo, pouca vontade de pesquisa, alguma falta de leitura e reflexão, embora note uma subida na venda de livros, coloco eu uma questão; serão os livros bem lidos e interpretados?
No final do ensaio já dizes tudo sobre se existe ou não uma literatura péssima. Claro que vai de quem está a ler o escrito…por exemplo enquanto José Saramago era vivo, os seus livros eram comprados por aqueles leitores mais críticos, (ala esquerda), embora outros os comprassem, era quase proibido dizer-se que lá na estante de casa tínhamos José Saramago, por medo de represálias. Após ele ter ganho o prémio Nobel da literatura, um dos seus livros, “Memorial do Convento”, passou a ser objecto de estudo nas salas de aulas de Portugal, na disciplina de Português. Foi um bom avanço no aceitamento deste escritor, que se exilou em Espanha, por deter um pensamento livre e próprio. Após a sua morte, as vendas, dos seus livros, disparam dos 30% para os 99% e aqui levantou-se a questão do porquê desta subida. Sabes qual foi a resposta mais plausível? Porque é chique ter na estante, José Saramago. Mas se perguntarmos a estes compradores sobre o conteúdo dos livros, mais de metade não saber responder, e pior ainda, dizem que a sua escrita é de difícil leitura. Isto também responde se um determinado livro é ruim ou não. Vai de quem o escreve e posteriormente de quem o lê. Naturalmente, este irónico autor, escrevia sobre o estado do Nosso País, suas políticas, governos, pensamento colectivo; convidando o leitor à própria reflexão e ao livre pensamento, mas são muito poucos os que sabem ler José Saramago.
Como dizia meu Avô, fala do que sentes que eu te abrigo. Foi com ele que sempre me expressei, mais tarde fui tolhido pela sua morte, e como se ele deixasse um sinal na terra, uns dias depois da sua morte, o meu irmão teve direito a um lançamento público,de um dos seus livros, na terra onde meu Avô viveu. Obrigado Carlos por mais este extraordinário trabalho.

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