sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 07 de dezembro de 2012 - O vendedor de picolés - Parte I - por Giovani Pasini


O vendedor de picolés – Parte I

Essa série de artigos é autobiográfica e relembra uma das melhores partes de minha infância. Eu tinha 12 anos de idade e era o ano de 1987. Iniciei, naquele período, a vender picolés de uma sorveteria que existia na rua Oswaldo Aranha, logo após o posto de combustível da Cooperativa. Esse foi o segundo modo de tentar conseguir dinheiro. O primeiro consistiu em vender jornais velhos e garrafas de bebidas vazias para o Bar Bonanza (o bar do Firmino). Na verdade, os aventureiros vendedores eram três: eu e os meus amigos Volnei e Robson Polga. Estudávamos de manhã e trabalhávamos a tarde. O nosso sonho – reforçado por uma matemática imaginária – era ficarmos ricos! Pegávamos as caixas de isopor e “zás”, saíamos quase que correndo. Lembro que competíamos para ver quem conseguia vender mais. Os famosos gritos “Picolé, sorvete! – Picolé, sorvete!” nas ruas de paralelepípedos azuis, com o sol escaldante e a esperança de uma boa vendagem. A cada casa, em todas as edificações, imaginávamos compradores escondidos, prontos para trocar um tostão por um saboroso picolé. Éramos três negociadores, desbravadores, autônomos e, principalmente, livres! A maioria das vezes eu ganhava a disputa da venda; recordo que analisava os locais onde mais se negociava picolé: atrás do Hospital Militar, na Belizário e na Vila Itu. Sempre percorria esses bairros, na busca dos “compradores perdidos”. Essa época foi a primeira vez em que me senti útil, um vencedor. Cheguei, caro leitor, a ser promovido! Recebi um carrinho de empurrar, aquele com rodas. Não era mais apenas um simples vendedor de caixa de isopor... (continua)

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