terça-feira, 27 de novembro de 2012

Ensaio sobre Literatura Brasileira Contemporânea (LBC) - Parte 2 - Existe uma literatura péssima?


Antes de ler esse artigo - se o leitor quiser ver a primeira parte  - acesse AQUI.


ENSAIO DE LITERATURA CONTEMPORÂNEA[1] 
 PARTE 2
Existe uma literatura péssima?
(Literatura libertadora e humanizadora)

Carlos Giovani Delevati Pasini[2]

“Dedico esse texto contraditório a Rá, o deus sol, que fugiu da mitologia egípcia, vindo incorporar num ardiloso crítico literário regional.”

“Dedico, também, aos blogueiros Júlio Prates, Márcio Brasil, João Lemes, Alessandro Reiffer, Rafael Nemitz, Ruy Gessinger, Tide Lima, Jayme Piva, Miguel Bianchini, Cassal Brum e tantos outros que conseguem movimentar a massa reflexiva do centro-oeste do RS.”


Revolução Francesa - Fonte: Google Imagens
 Era uma vez um rei que foi decapitado por um povo que fazia uma revolução. Entre os revolucionários havia uma representação de todas as classes e gêneros; ricos e pobres, mulheres e crianças, burgueses e camponeses. Era o ano de 1789 e a instabilidade foi chamada de Revolução Francesa.
Toda revolta causa dor e morte. Toda guerra mescla culturas. Retrocessos e avanços, em momentos de convergências de destinos. A parte positiva da Revolução Francesa é que ela propagou os ideais da “liberdade, igualdade e fraternidade”. Era o início da era da democracia. O Brasil foi extremamente influenciado pela ideologia da supracitada revolução, suscitando na Inconfidência Mineira, por exemplo.

Fonte: Google Imagens
A liberdade de expressão e de manifestação em todas as artes começava a ter a sua base estabelecida. No Brasil, passamos por alguns fatos importantes para a literatura, tais como: a abolição da escravatura (1888), Proclamação da República (1889), os reflexos da 1ª Guerra Mundial (1914-1917), a Semana de Arte Moderna (1922), as revoluções da década de 30, os reflexos da 2ª Guerra Mundial (1939-1945), entre outros, até chegarmos à atualidade.
O renomado Sigmund Freud, no ensaio “O mal-estar na cultura”[3] defende que:

A liberdade individual não é um bem cultural. Ela era a maior possível antes de qualquer cultura; (...) Não parece que se possa levar o homem, através de algum tipo de influência, a transformar a sua natureza na de um cupim; é provável que ele sempre defenda a sua pretensão à liberdade individual contra a vontade da massa.  Uma boa parte da luta da humanidade se concentra em torno da tarefa de encontrar um equilíbrio conveniente, ou seja, capaz de proporcionar felicidade, entre essas exigências individuais e as reivindicações culturais das massas; (...) (FREUD, 2011, p. 98-99)


Essa liberdade de expressão, adquirida pelo homem no decorrer da história e parte de sua natureza individual, é a mola-motriz do presente discurso, que se inicia com um questionamento:
Existe uma literatura péssima?
A questão precisa de uma análise um tanto detalhada para ser respondida, mesmo que parcialmente. Passaremos a um ‘ensaio de literatura contemporânea’, mesmo sabendo que não iremos solucionar a pergunta, em virtude de sua resposta ser ideológica, ou seja, de acordo com os conceitos do indivíduo.
Primeiras tipografias: fonte Google Imagens
Quando a imprensa de Gutenberg passou a fazer sucesso, criando livros e jornais, alguns escritores atestaram que a escrita com a pena (caneta) iria terminar; quando o computador surgiu, alguns preferiram a máquina de escrever; tudo questão de ideologia ou ideologias.
O francês Michel Foucault (1926-1984) declarou que poderíamos enxergar, futuramente, a morte do autor. A crítica complexa fazia a relação da escrita com o apagamento da individualidade do escritor. Ele combatia a transferência científica, de caráter binário, que surgia nas universidades e que se mantêm até hoje. Segundo ele, a investigação acadêmica não se tratava de uma pesquisa científica, mas de ideias retransmitidas e transcritas sem a reflexão.
A proposta desse ensaio é, justamente, refletir. Como todo ensaio, ele poderá pecar em algum conceito, pois nem todas as definições estão alicerçadas nas convicções do seu postulante. Não existe, também, nenhuma ideia nova ou objetivos maiores para o texto. Esse está sendo construído pelo amor ao assunto.
Autor: fonte Google Imagens
O combate a qualquer autor da literatura brasileira, de Machado de Assis a Paulo Coelho, não parece ser uma atitude inteligente, por diversos fatores. A maioria desses aspectos será lançada na presente apologia à literatura libertadora e humanizadora.
Todavia, antes de prosseguirmos, seria interessante outra pergunta: Por qual motivo a vendagem de livros cresce no Brasil?
Os defensores do caos da literatura, na era da internet, erraram os seus prognósticos. A leitura, no Brasil, começará a ficar em alta, ainda nessa década. A seguir, alguns conceitos de defesa dessa assertiva, em tópicos para facilitar o entendimento:
Net: fonte Google Imagens
1.    A internet não é o ocaso do livro impresso e da leitura, mas a sua principal propulsora; nunca se leu tanto na história da humanidade. Tal afirmação pode ser combatida com a teoria de slow reading (leitura lenta), onde se afirma que o internauta lê muito, mas com pouca profundidade. Contudo, estudos atestam que os celulares, os computadores portáteis estão favorecendo a inserção de pessoas que antes eram analfabetas. Para entrar no facebook, enviar um sms, ou qualquer outra forma de comunicação virtual é necessário que se tenha a habilidade da leitura. O indivíduo analfabeto, que muitas vezes estava marginalizado na sociedade, passa a tentar aprender os códigos das letras, para se enquadrar nas redes sociais.
E-book: fonte Google Imagens
2.    O livro eletrônico não é concorrente do livro impresso. Na verdade, eles se reforçam. Quem gosta de ler o faz em qualquer plataforma (papel, Papel higiênico, guardanapo, bula de remédio, tela de computador etc). Se você vai para um lago, por exemplo, viver uns minutos de lazer e realizar um piquenique: importa se utiliza um carro ou uma bicicleta para o transporte?
3.    O maior inimigo da leitura não é a internet, mas a televisão e o videogame. A quantidade de leitura aumenta no Brasil e no mundo, mas o tempo de horas na frente da TV e do videogame quadriplica.
4.    A questão da leitura, no Brasil, passará por mudanças. Ela ainda é baixa por questões sociopolíticas, tais como: a rede escolar pública brasileira é precária (ver notas do ENEM); os professores são mal pagos (de maneira geral); os professores não são leitores (na maioria); as crianças de hoje são filhos de pais não leitores; o Brasil é o país das novelas televisivas e de programas de “Reality Show”. Quando atingirmos uma maturidade histórica[4], isso irá modificar. Para isso, cabe a teoria do ensaísta Walter Benjamin[5], que defendia a evolução da cultura pelo desenvolvimento das massas. O pensamento do teórico, resumidamente, é que o topo da pirâmide intelectual já está desenvolvido culturalmente e que o investimento na difusão da arte para a base da pirâmide (maior e menos letrada) é que levaria um país a um salto qualitativo na relação sóciocultural.
5.    É importante que um indivíduo adquira o gosto pela leitura, independentemente do livro que se leia. Quem aprende a gostar de ler o faz na forma virtual, no livro físico, em papel higiênico ou bula de remédio.  
6.    Quem gosta de ler só irá parar se ficar cego. Quero dizer, se ficar cego a partir de adquirir o hábito, com certeza irá executar a leitura pelo método Braile. Quem gosta de escrever, não desiste nem com as mãos quebradas.
7.    Quem atua como professor, escritor, jornalista, critico literário ou qualquer outra função que viva e difunda a escrita - sempre deveria ter a compreensão que a maior demonstração de inteligência está em respeitar as diferenças. Assim nos ensinava Paulo Freire, o patrono da educação brasileira.
8.    Há pouco mais de duas décadas não existia a internet e a maioria dos jovens não gostava de ler alguns tipos de livros. A culpa era e ainda é da relação “nível de linguagem X público alvo”. Existem determinados autores que possuem uma linguagem mais rebuscada e, portanto, não se tornam interessantes para leitores novatos. Essa é a chamada conversação entre o erudito e o popular. Aqui entra, mesmo que resumidamente, um pouco da doutrina ideológica do século XX, que influenciou intensamente o Brasil. No final do Séc. XIX os autores Marx e Engels lançaram uma série de postulados que modificaram o mundo. Aqui no Brasil, o reflexo passou a ser bem notado a partir da criação do partido Comunista (1922) e da Semana de Arte Moderna (1922), entre outros movimentos. Tivemos, durante quase todo o século XX, uma “Direita-intelectual”, conservadora do poder e com bom poder aquisitivo; também tivemos uma “Esquerda-Revolucionária” baseada numa massa que se sentia motivada pelas doutrinas marxista-leninista, sendo liderados por políticos, escritores (Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Jorge Amado etc.) e músicos (Caetano Veloso, Gilberto Gil no Tropicalismo etc.) que pregavam o ideal da mudança. Essas duas frentes produziram obras distintas, de teor diferente, mas que ocupam um lugar destacado na literatura brasileira.
9.    No século XX, a função principal da literatura – para intelectuais – era ser uma ferramenta para adquirir e manter o poder. Por isso é comum escutarmos “tal pessoa é um intelectual de grande capacidade”. A leitura era um instrumento de citação de outros autores (ainda é) para a demonstração de uma capacidade de oratória e de um futuro desenvolvimento de qualidades literárias.
Prazer em ler: fonte Google Imagens
10.          No século XXI, a literatura se baseará, principalmente, no ideal do entretenimento[6]. O leitor da atualidade está mais globalizado; ultrapassou fronteiras; clicou o mundo e busca romper com os limites da realidade (virtual x real). Nessa época é normal que se tenha um desenvolvimento maior da literatura fantástica, ou seja, da ficção.
11.         Uma relação que pode parecer um disparate, mas não é: o recente julgamento do “mensalão”, no Brasil, com o posicionamento interessante do STF irá dar uma maturidade maior para a sociedade brasileira. Essa modificação de conceitos, quando chegar ao senso comum, irá favorecer alteração da conduta dos brasileiros.
Voltamos para a pergunta: Existe uma literatura péssima?
Para entendermos uma literatura é importante sabermos que existe uma relação de AUTOR (ou autores) com o LEITOR, por intermédio do TEXTO.
A autoria de uma obra pode ser de um ou mais autores. A leitura é feita, geralmente, por um único leitor. Quando um livro é lançado, diz o senso comum dos artistas, ele deixa de ser somente do autor e passa a também ser do público (50% de cada um).
Quando se fala em TEXTO, cabe salientar que existem diversos contextos que influenciam o AUTOR e o LEITOR. O primeiro na construção dos códigos e o segundo na compreensão daqueles códigos escritos.
Cabe citar, agora, a doutrina do pensador Paulo Freire[7], a leitura de mundo precede a leitura da palavra. Primeiro, quando criança, temos o contato com tudo o que está a nossa volta: casa, mãe, pai, fome, sono, engatinhar, andar, falar. Depois, no decorrer da vida, aprendemos a decodificar os “textos” de acordo com o nosso contexto (que é mutável).
Comunicação - Fatores: Fonte Google Imagens
A partir de agora, irei apresentar alguns CONTEXTOS[8] que escutamos no meio acadêmico e que interferem diretamente no TEXTO:
O contexto psicológico do autor e do leitor, no momento em que escreve ou lê. O estado emocional irá influenciar na comunicação, tanto que o chileno Humberto Maturana[9] atesta que a definição de que somos animais racionais está incompleta. Antes disso somos emocionais. Para escrever esse texto, da forma como eu quero, tenho que estar calmo (e não discutindo). As brigas, por exemplo, diminuem a nossa capacidade de raciocínio. Somos animais emocionais que raciocinamos.
Maturana (2009) afirma que é importante visualizarmos que existem dois tipos de debates entre as pessoas: as discussões lógicas e as ideológicas. Quando o desacordo é lógico (por exemplo: 2+ 2 = 5), isto é, quando ele ocorre de “um erro ao aplicar as coerências operacionais derivadas de premissas fundamentais aceitas” (2009, p. 17), quando a dúvida se encerra, a discussão acaba e, normalmente, se encerram as animosidades. Mas existem outras discussões – as ideológicas – nelas ocorre a possibilidade de negarmos “ao outro os fundamentos de seu pensar e a coerência racional de sua existência”. Por isso, que existem disputas que jamais serão resolvidas, no plano em que são propostas.
O contexto social (sociológico) do autor e do leitor. A faixa etária, a capacidade da leitura, o grau de escolaridade, os aspectos econômicos também influenciam na literatura.
O contexto geográfico se refere ao local onde residem o autor e o leitor. Recentemente troquei ideias com o meu amigo Antonio Santos lá de Portugal. Apesar de a distância ser razoável, a facilidade da linguagem propiciou uma boa comunicação. Se ele fosse japonês, contudo, a dificuldade de comunicação seria maior. De um local para outro a cultura se modifica e a variante linguística também.
O contexto histórico do brasileiro é diferente do israelense. A nossa “faixa de Gaza” estava nos morros do Rio de Janeiro. A história coletiva influencia nos textos e, também, a história individual do leitor/escritor.
Desses contextos, que não são todos os existentes, existem ramificações importantes: limitações da linguagem e capacidade de escrita do leitor/escritor; objetivos do texto (para quem ele está sendo escrito); público alvo do texto (jovens, velhos, homens, mulheres etc).
Dentre todos os aspectos, voltamos a Paulo Freire, o que importará num texto será a relação da ideologia do autor/leitor. Para Paulo Freire toda pedagogia é política, ou seja, toda a educação é permeada de fatores ideológicos. Portanto, se a ideologia do autor for diferente da do leitor, será quase certo de que não haja a sintonia de pensamentos.
Uma frase da professora Nelly Alleoti Maia é fundamental “Toda educação é um conhecimento, mas nem todo o conhecimento é educação.” O ladrão de carros rouba a partir de um conhecimento adquirido, mas que o marginaliza. A educação, pelo contrário, serve como uma ferramenta de herança cultural (transpassa as aprendizagens e hábitos) e uma ferramenta de mudança social (mudar os hábitos, ou mesmo “subir na vida”).
Seguindo essa linha de raciocínio, toda leitura é um conhecimento e todo livro é feito a partir de uma educação.
Fonte: Google Imagens
Portanto, toda a leitura é importante - independentemente de quem seja o autor. O ato de ler partirá de uma opção ideológica do leitor. O leitor é a figura principal de uma obra. Por isso, desde Paulo Coelho até Machado de Assis, qualquer obra de qualquer autor será relevante se o leitor quiser lê-la. A crítica a determinado autor, por viés ideológico, nunca abrangerá todos os humanos: não existe verdade, mas a sua verdade.
A “literatura libertadora e humanizadora” prega uma ideologia de que o indivíduo desse milênio possui a liberdade instituída de ler o que quiser (em qualquer plataforma) e ninguém tem o direito de confrontá-lo. Nós lemos sozinhos, em silêncio.
A minha “escada da literatura/escalada literária”, por exemplo, se iniciou lá na juventude com o “Um cadáver ouve rádio” da coleção para gostar de ler. Esse é um dos primeiros livros que li. Lembro de “É tarde para saber” de Josué Guimarães (um romance de adolescentes), de gibis, de coletâneas de crônicas, contos e poesias. Passei a ler sobre o espiritismo; li algumas obras de Paulo Coelho; depois foi Rubem Alves; Fernando Pessoa; Conan Doyle; Reiki; Gnosticismo; Paulo Freire; Augusto Cury, Octávio Paz; Eduardo Galeano; Morte; Deus; filosofia; educação; interculturalidade; Humberto Maturana; Karl Marx; Maquiavel; Kant; Engels; Homi Bhabha; Carlos Drummond; Gilberto Freire; Sérgio Buarque de Holanda; Machado de Assis; Frédéric Martel; tantos assuntos e autores que nem sei mais citar. Cada um tem o seu tempo e a forma como irá adquirir o amor pela leitura. Desde que leia. Não somente dos clássicos e consagrados se vive uma literatura. As obras tidas como ‘destaques’ são importantíssimas, mas não são as únicas.
A minha ideologia defende que qualquer livro – feito com empenho e com amor – por si só já merece a publicação.  A sensação de realização do autor que lança uma obra, quando movido pela paixão, é algo indescritível.
O reconhecimento da importância do livro cabe ao leitor e não a qualquer crítico. Qualquer crítica utiliza dados de generalização, sendo, portanto, falha. Quer ver uma prova do que estou falando?
A obra de Machado de Assis é fantástica[10]. Isso todo mundo sabe e todos dizem. As reclamações que surgem - normais para a nossa atualidade - ocorrem pela dificuldade de sua linguagem, já que o autor utilizou a grande maioria das palavras de nossa língua mater.
A literatura machadiana é tão importante, que já foi reconhecida mundialmente. Entretanto, transcrevo a seguir a CRÍTICA feita por Urbano Duarte, contra a obra "Memória Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, na época de seu lançamento.

"A obra do Sr. Machado de Assis é deficiente, senão falsa, no fundo, porque não enfrenta o verdadeiro problema que se propôs a resolver e só filosofou sobre caráteres de uma vulgaridade perfeita; é deficiente na forma, porque não há nitidez, não há desenho, mas bosquejos, não há coloridos, mas pinceladas ao acaso.” (DUARTE)[11]

Cabe ressaltar que a referida obra (Brás Cubas) causou espanto no público da época, pois rompia com as definições do romantismo, estilo ainda predominante. Os leitores românticos estavam acostumados aos folhetins, tendo um protagonista de caráter admirável e uma história de amor.
Brás Cubas é um livro escrito por um defunto autor (autor-defunto - o próprio Brás Cubas),  que foi membro da elite brasileira e que realiza uma "anatomia do caráter" da sociedade da época: com descrições cruéis, adultério, corrupção, hipocrisia, interesses, vaidade, entre outros componentes do Realismo. Podemos ressaltar outras características realistas, tais como: análise psicológica, ironia, contraponto dialógico e trabalho com a linguagem.
Voltando à crítica: conseguiríamos imaginar, na atualidade, algum crítico literário condenando Machado de Assis?
Dificilmente. Por isso, não confie em críticos literários. Eles julgam a obra com um ponto de vista limitado. Aliás, "Todo ponto de vista é a vista de um ponto", segundo Leonardo Boff.
A crítica que destrói só serve como barreira a ser vencida. Apenas isso. Acredite no seu gosto de leitor - se o livro que você leu agradou, que bom! (É nisso que Machado de Assis é amigo de Paulo Coelho - leia o que quiser! É o caminho para o hábito salutar).  Caso não tenha gostado do que leu, pode ser que ele seja um epígono (pertence à geração seguinte), ou extrapole a "visão compartimentada", normal no ser humano. No caso de Machado de Assis, ele foi a verve de várias gerações seguintes.
A crítica literária só é válida se tiver uma finalidade educativa, ou seja, contribuir para o desenvolvimento do autor. Já que falamos em crítica literária, vamos voltar à origem do presente texto:
Existe uma literatura péssima?
Talvez, quem sabe, exista uma literatura ruim para um leitor. Para outro poderá não ser. A leitura de um livro servirá, no mínimo, para que puxe outro. Se o texto não agradar o leitor (por questões ortográficas ou de conteúdo), ele servirá para que possamos desenvolver a “escalada literária ou escada literária”. Todo livro merece ser lido, mesmo que digam que não tenha a qualidade necessária. Quero dizer, toda a obra que desejarmos ler – ela merecerá ser lida!
Fonte: Google Imagens
Enfim, todas essas ideias (voláteis ou não) sempre terão o contraponto, ou seja, o contraditório do CONTEXTO de cada leitor. A maior certeza é o conceito (freireano) de que somos iguais somente na nossa diferença.
Espero que tenha ajudado na reflexão do leitor!


Recife, PE, 27 de novembro de 2011.





[1] Esse ensaio não é meu, mas se torna uma consequência de anos de rodas debates na Casa do Poeta de Santiago, Casa do Poeta de Santa Maria, Grupo de Estudo Dialogus (UFSM), Centro de Integração Latino-Americana, com os docentes do Colégio Militar de Santa Maria; além de ser fruto de congressos, tais como o Congresso Literário da FLIPORTO 2012 e a leitura em diversos autores. É a segunda parte de um ensaio sobre literatura brasileira. Não é feito para o meio acadêmico (como parte de publicações – por isso algumas falhas de citação), tendo, portanto, aspectos ideológicos e lúdicos para o debate no senso comum.
[2] Professor de Literatura Brasileira, Mestre em Educação pela UNINCOR/MG e Mestre em Ciências Militares EsAO/RJ. E-mail: gpasini@ig.com.br
[3] FREUD, Sigmund. O mal-estar na cultura. Porto Alegre: L&PM Pocket. p.98-99
[4] Pensamos que essa maturidade começa a ocorrer na atualidade. Ela passa pelo aumento da autoestima e, talvez, daqui uns 100 ou 200 anos seja sentida de uma maneira melhor.
[5] Tive o conhecimento das teorias de Walter Benjamin pela professora Rosane Vontobel, pois o teórico era um dos que fundamentava o “Projeto Santiago do Boqueirão, seus poetas quem são?”. Os conceitos gerais fornecidos pelo teórico teriam ótimos resultados no Brasil, se bem empregados.
[6] A primeira vez que ouvi essa ideia foi numa palestra do escritor e jornalista JUREMIR MACHADO, na cidade de Porto Alegre. A partir daí, refleti sobre a relação do entretenimento com o grande desenvolvimento da literatura fantástica. O leitor do século XXI lerá por prazer.
[7] O conhecimento da teoria freireana (mais a fundo) surgiu a partir da minha participação no Grupo de Estudo Dialogus, da UFSM, liderado pelo professor Doutor Celso Ilgo Henz e de suas aulas junto do professor Doutor Valdo Barcelos. Ver, também, os livros de Paulo Freire: 1.Livro Importância do ato de ler: em três artigos que se completam da coleção Polêmicas de Nosso Tempo, nº 4, Editora Cortez.// 2. Livro Conscientização. Teoria e Prática da Libertação: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. São Paulo: Moraes, 1980. pp. 57-95.// 3. Ação Cultural para a Liberdade. 8.ed. São Paulo: Paz e Terra, 1982. pp. 131-149. //4. Educação e Mudança. 6. Ed. São Paulo: Paz e Terra, 1983. pp. 27-41. // 4. Pedagogia da Autonomia. Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra. 1999. pp. 46-51. // 5. Pedagogia do Oprimido. 43.ed. São Paulo: Paz e Terra, 2005. pp. 65-87. 
[8] Sobre esses contextos eu recomendo os textos da Professora Nelly Alleoti Maia, da UFRJ. O leitor poderá procurar na internet, ou em livros.
[9] Ver a obra: MATURANA, Humberto. Emoções e Linguagem na Educação e na Política. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2009. pp.18-21 e 36-47. 
[10] O texto que apresento, sobre Machado de Assis, já foi alvo de uma postagem no meu blog.
[11] DUARTE, Urbano. Apud GUIMARÃES, Hélio de Seixas. Os leitores de Machado de Assis. São Paulo: Nanquim, 2004, p. 192.


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