sábado, 3 de novembro de 2012

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 02 de novembro de 2012 - Roda, roda, roda pião!


Roda, roda, roda pião!

Algumas linhas para o saudosismo. Era o final de 1987 e eu visitava a minha avó, lá no Alto Uruguai, mais especificamente em Sarandi. Eu tinha 12 anos e estava de férias escolares. O meu primo Rodrigo Pasini, grande amigo da infância, trouxe um pião de madeira. Os mais velhos sabem o quanto era difícil obter um brinquedo na década de 80. Lembro de nossa diversão, no chão de azulejo, vendo aquele pião rodar de um lado para o outro. Durante o dia andávamos de bicicleta, pescávamos na cascata (cerca de 8 km de distância) e atacávamos os pés de ameixa. No final da tarde, até a noite cair, o pião fervia! Era lindo ver a ponta de metal, quase rasgando o chão, em chispas de alegria. Depois daquelas férias, as melhores da minha meninice, muita coisa ocorreu: o Rodrigo faleceu num acidente de carro, a internet surgiu, a humanidade acelerou todos os seus segundos e o pião quase sumiu...Quase! Essa semana fui buscar o meu filho na escola. Enquanto aguardava, observei diversos alunos brincando com piões coloridos – verdes, vermelhos, azuis e tantas cores – numa guerrinha de “empurra-empurra”. Por alguns minutos, fui envolvido pela expressão de Fernando Pessoa “Pensar é estar doente dos olhos” e voltei a um passado feliz. Os alunos faziam manobras, competições, subiam e desciam os piões. As minhas memórias acompanhavam os movimentos. Quando o meu filho Eduardo chegou, perguntei: “Já brincou de pião?”. A resposta foi não, mas que deveria ser legal. Embarcamos no carro, enquanto eu fazia a promessa “Vou comprar um pião para ti!” Quando ele sorriu, complementei “Um não... vou comprar dois. Um deles será para mim!”    

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