sábado, 13 de outubro de 2012

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 12 de Outubro de 2012 - A cebola que chorava - por Giovani Pasini


A cebola que chorava

Era uma vez uma cebola que chorava. Desde o início de sua existência, ela havia sido plantada no meio de abóboras e melancias, sendo, portanto, totalmente diferente das companheiras. Diariamente, na escola, sentia-se como um peixe fora d’água. Por isso mesmo, era ácida e arredia, fazendo várias colegas chorarem. O seu isolamento era tão nítido, tão claro, mas poucos percebiam ou davam importância – ela caía naquele grande silêncio proporcionado pelo egocentrismo da sociedade contemporânea. Pouquíssimos sabiam, mas dentro das diversas camadas protetoras daquela cebola, cheias de acidez, existia um coração puro. Certo dia, uma fada madrinha se aproximou, deixando de lado todas as ofensas que poderiam ser proferidas pela jovem planta. A fada, ao invés de uma varinha mágica, trazia nas mãos uma caixa de giz, um livro didático e um caderno de chamada. Para essa maga, todos eram importantes, independentemente das características ou defeitos. As suas palavras agiram como um feitiço na vida da pequena cebolinha: ensinou-lhe que ela, apesar de ácida, era forte; que a despeito de ser diferente, tinha as qualidades de ser anti-inflamatória, antitumoral e antiviral; que embora optasse por várias atitudes destemperadas, ainda assim temperava a vida de muita gente. A cebola cresceu e ficou adulta; superou todos os seus obstáculos e os do mundo enlouquecedor. A fada madrinha faleceu, infelizmente. A mágica, entretanto, sempre ultrapassaria as gerações, percorrendo as inúmeras barras de giz... Aquelas que atuam pelo encantamento do amor.

Aos professores (parte 2) – pelo dia 15 de outubro.

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