sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Artigo do Expresso Ilustrado - 14 de setembro de 2012 - Perguntas de um ateu - por Giovani Pasini


Perguntas de um Ateu
(Série de contos, fábulas e ironias)

Batuel era velho. Batuel era ateu. Ele tinha a convicção de que se o mundo fosse repleto de ateus, o primeiro religioso seria internado num manicômio. “Acreditar em Deus...”, pensava, “...é uma loucura coletiva, patológica”. Ele lançava perguntas aos conhecidos, que eram parcialmente respondidas “Se Deus é onisciente, como foi traído por 1/3 dos anjos?”; ou ainda “Se Deus é onipotente, porque o diabo se rebelou contra ele, ainda mais se já sabe que vai perder?”; e mais “Se Deus é onipresente, no tempo e no espaço, como explicar Ele não ter ‘visto’ a mordida da maçã?”. A resposta mais convicente que recebera, de um religioso, tinha sido: “Isso tudo é uma alegoria...”. Era isso que Batuel ponderava “Deus é uma alegoria!”. Uma imaginação do humano, que possui o receio de morrer; uma continuação da vida após a morte, pois não aceitamos o fim – o vácuo, o escuro e o silêncio. Procurou, durante a sua juventude, encontrar as provas da existência de Deus. Obviamente, nunca conseguiu, pois a fé é subjetiva. Ela se baseia na certeza do incerto, ou seja, na incerteza do que se acha certo. A fé se torna uma opção; uma escolha que se faz, ou não. Ela se constitui de uma ideologia e só se justifica para o seu possuidor. Para Batuel, a fuga para o oriente – com suas energias – se tornava algo inevitável; questão de inteligência. “O fanatismo...”, falava, “...é um atributo exclusivamente humano”. A religião que exclui as outras é fanática por natureza. Permaneceu com as suas convicções; até que o pai morreu. Então, mandou rezar uma missa para ele.

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