segunda-feira, 11 de junho de 2012

Texto surreal da madrugada - A literatura é uma virgem

Confissão literária. Texto surreal. Ainda bem que quase ninguém irá ler... não tem figurinha é extenso e sem nexo; o pior defeito é que não fala sobre sexo (fora o título!)
Na verdade, ninguém vai ler...shshsh.... escreve baixinho, para ninguém ouvir!

Devo tudo o que tenho ao Exército Brasileiro.
Profissional - afetivo - pessoal - etc.

O que isso tem a ver com a literatura?

São exatamente três horas e trinta e nove minutos da madrugada do dia 11 de junho de 2012.
Há três meses eu estudo e reestudo as fases da literatura brasileira e algumas épocas da literatura portuguesa.
Confesso, caros leitores, que estou cansado - mas a alma também se encontra renovada. Hoje andei pelo modernismo da 3ª geração em diante: Guimarães Rosa, Riobaldo, Clarice Lispector, Laços de Família, Epifania, João Cabral, Cão sem plumas, Capibaribe, Recife, Concretismo, Décio Pignatari e tanto mais.

Esses estudos diurnos e noturnos fizeram eu "viajar na maionese"...
"Os papéis lançam um enorme barulho nas covas do cérebro" (acho que li isso em Álvares de Azevedo, ainda bem que ele não tinha blog, senão sua Lira dos Vinte Anos estaria posta em fotos no facebook). 

A interlocução atemporal faz o ser humano transitar, simultaneamente, pelo conhecimento e pela parte suave da loucura. 
Isso mesmo!
A criatividade é a loucura suave.
A metáfora é o gozo com o cérebro. 
A literatura é uma eterna virgem metafórica, que a cada leitura passa a ser redescoberta... de uma nova forma e por um outro ângulo. 
Cecília Meireles escreveu que "a vida só é possível reinventada". Sinto-me eterno quando leio e no momento em que escrevo, apesar de ser um pó. 
A literatura é a fonte da juventude, a prancha para um surfe no símbolo da história, nas ondas tempestuosas de revoluções e nas marolas de belas épocas - a liberação da resposta aos poucos, em conta-gotas, na aprendizagem que se esquece. Lê, esquece; relê, esquece. (Li isso em Reuven Feurstein - a educação é tudo aquilo que fica, quando todo o resto for esquecido.)

A profundidade de uma gota de água é relativa. Pode ser rasa, funda ou profunda.
O nível de uma gilete no chão é algo relativo (qual é a altura do Everest?).
Estudei, reestudei, li e reli.
Esqueci tudo e, agora, aqui estou eu.

Sujeito-ego-ignorância-epifania-serenidade.

Erros são imbecilidades de humanos esquecidos.
Esqueço tudo, acho que tenho a memória de um girino.
Aliás, o girino comanda uma cauda (ao menos) e sofrerá metamorfose que o transformará num sapo - tanoeiro - ou num príncipe do futuro.
Repetição dos erros são imbecilidades de esquecidos que são humanos e... sei lá! Esqueci...
Até quando o assunto se perde, ou quando me perco no assunto, estou pensando na arte literária.
Não quero renegar tudo o que produzi até agora. Não renego!
Penso que a questão afetiva também influencia na importância da obra, quero dizer: independentemente da qualidade literária, também existe a importância da esfera pessoal.
Mas renego tudo o que fui - a versão mais antiga do meu "eu".
Ela está ficando velha, ultrapassada.
Aceito-me como estou - no agora, perto das linhas do sempre.
A versão mais atualizada de meu software, num hardware ultrapassado...

Estou em Recife, longe de Santiago.
Canção do Exílio?
Não!
Estou longe da Terra, mas perto de mim.

Literatura:
de Moema a Iracema
da Boca do Inferno ao inferno da seca
da subjetividade até o  c o n C R E T O
do real que se transforma
no SurrEal...
(...)
Depois de tudo?
A raiva é perceber
que por mais que se explore essa mata
era sempre será virgem
...
e você será sempre um caolho 
(com os dois olhos cegos)
segurando um machado (cego)
com duas mãos calosas
procurando a matéria bruta
para uma fábrica de imaginação
cartomante
que será contraposta
no contraponto
do ponto cego
dos machados
de outro caolho.
Cegos, cegos, cegos!
Somos todos um belo Ensaio sobre a cegueira
gagueira de Machado de Assis
a epilepsia de Machado de Assis
a...
A vida é bela.
Quase conseguimos!
Quase transitamos com os loucos!
...
A certeza está no quase...
Percebe-se, então, que a cama 
o chama
chama
chama-o.
Ô!

Chega de bobagear a literatura!
Senão o Oracy vai mandar - (de novo!) - eu parar de  escrever de madrugada.

O blog não é privada!
não é privado
nem é privê.
Não priorizo o que escrever,
não me privo de prever
a pobreza do poder.

Eu posso.
Não é papel.
É virtual.
É imaginário.
É (0 1 0 1 0 1 0 1).
Não está nem escrito,
portanto.

O poder é só poder,
nunca será dever.

Não devo.
Mas sou feliz.
Reinvento-me a cada letra
e a Cecília me acompanha.

O Mundo de Sofia seria melhor?

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