quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ensaio - resposta ao e-mail da amiga Nuraciara Xavier - os 10 livros mais vendidos dos últimos 50 anos



Dedicado à amiga Nura

Essa é a postagem que prometi para ontem e não deu tempo. Espero contribuir com alguma coisa. Adoro debates literários!

Caro leitor, gostaria de ouvir sua opinião, caso você leia todo o texto, é claro. (Sei que saiu longo demais, para a net...)
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A literatura FANTÁSTICA e o homem do século XXI

No final do século XIX, mais especificamente em 1881, o escritor Machado de Assis lançava a primeira obra realista brasileira Memórias Póstumas de Brás Cubas. Tal livro chocou a crítica brasileira, em especial os literatos cariocas. No enredo, Brás Cubas, o defunto-autor, apresenta suas memórias, tendo a liberdade de falar o que pensava, visto que havia obtido a alforria da morte, ou seja, não possuía as amarras sociais.
O Realismo veio a contrapor o Romantismo. Este era baseado na subjetividade. Aquele, com base na realidade que marca o ser humano, sustentando-se em teorias como o determinismo (Taine), o darwinismo (Darwin), o positivismo (Comte), entre outras.
Tudo isso surpreendeu a virada para o século XX. O mesmo ocorreu e ocorre, agora, desde as últimas décadas do século passado. Não somos mais realistas, somos fantásticos!

Observe a lista enviada pela Nuraciara:
1. Bíblia Sagrada - 3.9 bilhões de cópias
2 - O livro vermelho - Mao Tsé Tung - 820 milhões de cópias
3 - Harry Potter - J. K Rowling: 400 milhões de cópias
4 - O Senhor dos Anéis - J. R. R. Tolkien: 103 milhões de cópias
5 - O Alquimista - Paulo Coelho: 65 milhões de cópias
6 - O Código Da Vinci - Dan Brown: 57 milhões de cópias
7 - Saga Crepúsculo - Stephanie Meyer: 43 milhões de cópias
8 - E o vento levou… - Margarett Mitchell: 33 milhões de cópias
9 - Think and Grow Rich - Napoleon Hill: 30 milhões de cópias
10 - O Diário de Anne Frank - Anne Frank: 27 milhões de cópias

Na lista dos 10 (dez) livros mais vendidos dos últimos 50 anos, temos quatro que se baseiam na literatura fantástica (em vermelho), para não incluir mais. O Código Da Vinci, por exemplo, temos um protagonista que consegue desvendar todas as charadas, com uma inteligência sobre-humana (quase fantástica).
A literatura FANTÁSTICA (lato sensu) é caracterizada (simplificando) como toda literatura que foge da realidade. Para ser mais claro, o FANTÁSTICO engloba histórias onde os personagens (e contexto) possuem poderes de vampiro, lobisomem, mago (alguns dirão – religiosos) etc; isso tanto no cinema quanto na literatura, ou em outras formas de arte.
Julgo que o grande “boom” dessa literatura ocorreu com a série da “Jornada das Estrelas”, a cerca de 30 anos. No final de 2010, assisti a uma palestra do Juremir Machado (escritor) e ele dizia: “A literatura do século XXI está baseada no entretenimento. Ela será escorada na literatura fantástica”. Sábias palavras.
Por qual motivo o ser humano (adolescentes, principalmente) busca o FANTÁSTICO?
Penso que estamos na era do virtual – a virtualidade fornece todos os tipos de “poderes” aos usuários. A fantasia se torna realidade, em corpos fictícios. Percorrendo o mundo pela rede, os jovens já não se emocionam com o heroísmo de um soldado na batalha literária, ou a sinceridade de um defunto-autor.
O leitor da atualidade quer poder conquistar os outros, de qualquer forma, e soltar a fera que está presa dentro de si, acuada por doenças psicossociais (bullying, depressão etc). Dominar os outros “monstros” que não respeitam a força de sua virtualidade (facebook, twitter, blog, orkut, e-mail, second life etc); poderes ‘internáuticos’ que não são refletidos na realidade cheia de ‘sardas e espinhas’, com pais chatos e, muitas vezes, ausentes.
A resposta ‘internáutica’ ficou rápida, mas vazia. Nós, que escrevemos, ficamos sem leitores profundos (leitura lenta). As participações em blogs, por exemplo, geralmente são apenas “links” para outros blogs, ou seja, para o nosso próprio egoísmo, em poderes digitais-digitados.
Literatura FANTÁSTICA, a literatura que invadiu pelo cinema, estendendo suas teias (de aranha?) para todas as artes e que possui elementos inexplicáveis pela lógica da realidade. Esse gênero literário (ultracontemporâneo?) possui a subdivisão nos seguintes subgêneros: ficção científica, fantasia e terror.
Fugir dessa realidade é se tornar um PASSADISTA, ou seja, escrever para estantes, ou somente para críticos literários. A sociedade, principalmente os mais jovens, mais do que nunca busca a fuga da realidade, cada vez em vôos mais altos – condoreiros – que Castro Alves teria medo. O trocadilho foi intencional: não devemos fugir dessa realidade - da fuga da realidade.
Paulo Coelho foi um dos primeiros brasileiros a transitar pelo FANTÁSTICO, com suas obras redigidas por um “mago”. Acho que foi inteligência e não loucura.
O brasileiro é, de maneira geral, subjetivo e supersticioso. Por isso que as diversas religiões possuem inúmeros devotos. Por isso o romantismo durou tantos anos e ainda perdura (redimensionado). Por isso o simbolismo, o neosimbolismo, a morte (e tudo mais) têm tanta força na nossa história recente.
A subjetividade, a fantasia, os computadores, a carência afetiva, a necessidade de ser diferente, tudo isso contribui para o gênero em pauta. Estamos numa época que entreter é iludir e fantasiar. Essa é a realidade, ao menos para os brasileiros de 8 a 25 anos.

Você discorda? Quais os seus motivos?

PS: como ensaio, o texto está inacabado e não foi corrigido. (Sem tempo para a fantasia...)

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