sexta-feira, 15 de junho de 2012

Artigo Jornal Expresso Ilustrado - Conto lunático (Parte Final) - por Giovani Pasini


Conto lunático – Parte final

Sentado no meio-fio, Oscar sentiu alguém tocar seu ombro. Olhou para cima e viu uma linda mulher. Achou-a tão bonita que perguntou:
- Você é real?
A mulher, na faixa dos trinta anos, possuía cabelos encaracolados, pele morena e era realmente bela.
- É claro que sou real! Você está se sentindo bem?
Tanto Caio quanto Túlio haviam sumido. O rapaz ficou em pé, ainda experimentando a tontura que o forçara a sentar; então respondeu:
- Já estou melhor! Vou embora...
O rapaz ameaçou caminhar em direção ao Círculo Militar, mas a mulher pegou o seu braço.
- Espera aí! Eu posso te ajudar... Um copo pode parecer semelhante, mas nunca será igual ao outro. “Esse crime, o crime sagrado de ser divergente, nós o cometeremos sempre.”
- Qu...Quem é você? – Gaguejou Oscar, percebendo nela outra visão.
- Meu nome é Patrícia Galvão, mas pode me chamar de Pagu.
Num relance o jovem relembrou da artista que fora a musa do movimento modernista, na década de 30; a mãe de Rudá, o segundo filho de Oswald de Andrade. Soltou-se da mão que o agarrava e correu rumo à rua Osvaldo Aranha.
Corria desabaladamente. Na esquina, fazendo a curva pelo meio da rua, enxergou Cecília Meireles, que disse: a vida é agora, não existe o depois. “A vida só é possível reinventada”.
Oscar continuou correndo. Antes de terminar aquela curva, um caminhão o atropelou. Atropelou. Matou.
A morte que ele convivera de forma lunática, agora era um fato. Apareceria, com certeza, nas últimas páginas dos jornais: seria o fim.

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