sexta-feira, 8 de junho de 2012

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 08 de junho de 2012 - Conto lunático - Parte II


Conto lunático – Parte II

Da outra calçada, a mulher tentava entender o adolescente que falava sozinho. Ela levantou e passou a caminhar na direção do garoto.
Absorto na sua loucura, Oscar debatia alguns conceitos com Caio F. (que de dentro do macacão branco dizia):
- (...) Observe os sete copos na prateleira da pastelaria: por que eles estão lá? Qual o motivo de um copo estar do lado do outro? Por que eles não estão simétricos, ou seja, estão mais distante ou mais perto?
- Sei lá! – Respondeu Oscar – O dono não teve tempo de arrumar...
Caio F. sorriu e continuou:
- Os copos estão assim, porque estão assim. Existem níveis de percepção para o olhar humano. Os objetos não entram em conflito; quero dizer, os copos estão parados, apenas isso.
De repente, a figura de Caio se transformou na do sambista e boêmio Túlio Piva. O susto do rapaz foi grande, mas Túlio, acompanhado do violão, não o deixou falar:
- O Caio quer dizer que só o seu olhar é que se modifica, através do tempo e do ângulo que observa. Você pode, garoto, enxergar os detalhes mais simples, que para os outros não têm significado e torná-los o mais complexo possível: transformar um copo numa ilha. Esse é o poder da imaginação!
- O que você quer dizer? – Perguntou o jovem.
 Não houve tempo para uma resposta. Oscar sentiu alguém tocar seu ombro. Olhou para cima e viu uma linda mulher. Achou-a tão bonita que perguntou:
- Você é real? (continua)

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