sábado, 19 de maio de 2012

Política regional (por um cidadão)

A política - de maneira geral - é motivo de vergonha.
Seja na esfera federal, estadual ou municipal.

Na verdade, existe um emaranhado da "política" (no sentido macro), com a "politicagem" (no aspecto estrito).
No Brasil, via de regra, o que perdura é a politicagem. Portanto, a confusão das palavras é compreensível, pois se torna uma das figuras de linguagem (metáfora de uma vergonha).

A corrupção moral inicia bem antes dos períodos eleitorais. Contudo, épocas como esta (pré-período) são "frutíferas" para a podridão. Corrupção, compra-e-venda-de-cabeças-de-gado.

O sistema fétido muda as condutas de certos indivíduos. O determinismo do meio (lama) influi em palavras, textos e condutas.

A preocupação principal é denegrir o adversário. 
Será que estão pensando em plano de governo, macroprojetos ou projetos? Óbvio que não. Afinal, essa não é a "verdadeira" política brasileira. A competência política só raciocina com a eleição: por isso as ferramentas maquiavélicas são utilizadas para "furar" a resistência do outro. Politicagem pura - escritores servindo de ferramenta para o monopólio de pensamentos.

E o povo? Os homens e mulheres são apenas dígitos. Dígitos que registram números (na urna eletrônica). Apenas isso. O pior de tudo é que a maioria de nós, não sabe de nada sobre todos nós.

Para a politicagem regional (sou do interior gaúcho. Moro numa cidade que fica sobre uma colina, perto de um boqueirão), que não difere em nada da bandalheira nacional, dedico esse poema de AUGUSTO DOS ANJOS.
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Versos Íntimos

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

(AUGUSTO DOS ANJOS. Eu e outros poemas. 30.ed. Rio de Janeiro: São José)

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