sábado, 12 de maio de 2012

Estágio de Caatinga - Petrolina, Pernambuco - uma atividade difícil!

No período de 5 a 11 de maio de 2012, realizei o Estágio de Caatinga, do Exército Brasileiro. A atividade militar ocorreu na cidade de Petrolina, no interior do estado de Pernambuco.


Além da motivações militares, a intenção de realizar o estágio ocorreu, também, pelo fato do ambiente ser similar a Canudos, palco da grande obra de Euclides da Cunha (Os Sertões). Num livro que estou escrevendo existe um personagem que é sertanejo. Eu queria sentir as agruras do sertão brasileiro.


Posso afirmar, com toda a certeza, que essa foi a situação mais difícil que já passei em toda a minha carreira militar. Emagreci 5 quilos e quase tive alucinações com o calor (também pudera! Um gaúcho no sertão...)


Em contrapartida, o leitor tenha a clareza de que as aprendizagens foram muitas, sendo que o estágio foi conduzido por instrutores competentes, o que me dá cada vez mais orgulho de pertencer ao Exército Brasileiro.


Veja algumas fotos (batidas por um profissional que acompanhou o estágio) e a narração de alguns fatos do estágio:

Cerimonial de início do estágio
Fato: o Estágio exigiu uma preparação anterior de material militar. As atividades começaram na sexta, dia 5 de maio de 2012. Ficamos internados no 72º BIMtz, em Petrolina, entre sexta e domingo.

Todos os deslocamentos com mochila e correndo

Fato: todo estagiário recebe uma numeração, que passa a ser a sua identificação. Eu recebi o número de "Estagiário 008! Caatinga! Brasil!".
Marcha na Caatinga
Fato: a maior dificuldade foi a falta de água e o calor. O sertão nordestino é algo inexplicável! É um ambiente hostil ao homem, mas os "hércules-quasímodos" (adjetivo criado por Euclides da Cuna), ou seja, os sertanejos conseguem sobreviver nesse local. Passamos por diversos deles, em muares (jegues, mulas, etc.) que cumprimentavam os militares com admiração.

Comendo o cacto Mandacaru
Fato: quase não existem árvores frutíferas na região (à exceção do Umbuzeiro e outras poucas árvores). O mesmo ocorre com a falta  d'água. Os cactáceos são uma das poucas fontes de água da Caatinga. Na foto acima, por exemplo, estou consumindo o miolo do Mandacaru. Na minha opinião, o melhor cacto para mastigar e tirar líquido é o Cora-de-Frade. Ainda existem outros: Facheiro, Xique-xique etc.  Para quem não conhece e quer saber o gosto de um cacto, digo que é bastante parecido com o gosto de babosa, só que um pouco menos amargo.


Fato: tivemos inúmeras instruções - Numa primeira fase: Alimentos de origem animal, de origem vegetal, topografia (orientação) diurna e noturna, marcha utilizando muares (burros, jegues, mulas etc.), deslocamento na caatinga com GPS, Reações fisiológicas à falta d'água etc. 
Nenhuma água...
Fato: numa segunda fase tivemos a alucinante sobrevivência. Ela ocorreu de quarta até sexta, no meio do sertão, onde recebemos apenas um cantil com água (para 9 pessoas) três palitos de fósforos e alguns outros poucos materiais. Passei quase dois dias inteiros comendo diversos tipos de cactos (e sentindo, talvez, o que sentiram os soldados que combateram Antônio Conselheiro, em Canudos, no final do XIX). 


Fato: o calor do sertão é insuportável. Algo que não tenho como descrever... mas vou tentar: o corpo sua, o coração bate acelerado, a boca fica seca, os lábios racham. Entre 10 e 15 horas (diariamente) você não consegue ficar em pé. Se encontrar qualquer água barrenta irá disputar com os animais o gole do poço marrom.

A realização do curso foi importantíssima: 
- passei (realmente) a dar valor ao mais básico de nossa vida a água.
- adquiri conhecimentos significativos da realidade e da região do sertão semiárido. Fato que ajudará no meu próximo livro.
- aumentei, ainda mais, a minha motivação com o Exército Brasileiro. Recebi a divisa de combatente adaptado à caatinga brasileira.
- cheguei até o máximo da minha resistência física e psicológica, passando a conhecer o limite de minha capacidade (de gaúcho que sofreu com o sol)
- fiz novos amigos.
- tive que dominar as emoções (controle emocional) diante do imponderável.

Esses conhecimentos modificam uma visão de vida. 

Enfim, Somente o Exército poderia propiciar que eu conhecesse o Nordeste - da praia ao sertão!

Caatinga! Brasil!


8 comentários:

  1. Eiiii que massa! Foi obrigado a emagrecer, gordo. hahahaha
    Queria fazer um negocio desses, mas eu acho que morria no primeiro dia. hahaha
    Que legal as fotos, parece de filme. Curti o chapéuzinho tbm! aheuehauhe
    Saudades de todos vcs. Abraço, Pasinão!

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  2. Cara, que joia!! Adorei essa tua postagem. Que experiência fantástica essa que tu compartilha com os teus leitores. Mas, de minha parte, não aguentaria passar por isso. Prefiro que meu contato com a caatinga seja só assim, literariamente. Eheheheh. Não teria essa resistência toda pra encarar essa seca e, certamente, sucumbiria. Afinal, sou gaúcho! Eheheheh! abraçãoo!!

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  3. Que lindas fotos!Como a kamilla falou parece cena de um filme.Que aventura hem?Depois vai nos contar detalhadamente tudo.Saudade de vocês.Um abração!

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  4. foi nesse sertão que dissram que era a lua quando uns idiotas acreditão que foram la, valeu major pelas fotos lembrei que um dia fui militar e nuca esqueci

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  5. Oieee meu mano querido! Que bela postagem!! As fotos então, show de bola!! parabéns Pasini por mais essa vitória, pois pela tua descrição do fato, imagino o quanto deve ter sido difícil!! mandei hoje um e-mail pra ti e para Karlinha...por favor me dá um retorno se receberam ok, pois tem fotos da viagem em anexo ok. baita abraço e daqui muitassss saudades!! Mandem email please!! E bjs nas crianças!! Fiquem com Deus!

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  6. Muito bom pode ser melhor ehehhehe...

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  7. Muito bom pode ser melhor ehehhehe...

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  8. se deus quiser em maio de 2015 tarei fazendo a msma coisa

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Obrigado por deixar o seu comentário neste blog.
Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

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