sexta-feira, 25 de maio de 2012

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 25 de maio de 2012 - O preço de uma vida - por Giovani Pasini



O preço de uma vida

O artigo de hoje reflete sobre a frieza dos apresentadores de telejornais ao falar sobre a morte. Qual o preço de uma vida? O falecimento de outrem merece uma atitude de respeito? Diariamente, assistimos jornalistas falando coisas do tipo “Morreram 16 pessoas num acidente de ônibus...” e, de repente, “Boas notícias: o Neymar permanecerá no Santos...”. Uma reviravolta que não apresenta a mínima alteração de expressão facial, ou seja, o futebol (por exemplo) tem o mesmo gosto do sangue. Eu sei. Os mais jornalísticos irão dizer que o povo gosta disso. Qual povo? O mesmo que tem o prazer em ver corpos esfacelados, nos acidentes de trânsito? Aqueles que procuram notícias de assassinato ou fofocas de traição? Concordo com os psicólogos, quando afirmam que o gosto pela desgraça dos outros é um dos produtos de nosso egoísmo (e insegurança). Voltando aos repórteres, será que noticiar uma morte não mereceria mais seriedade? A consternação é devida apenas para pessoas famosas? Na maioria das vezes, por detrás de cada falecimento, existem vários familiares envoltos em lágrimas. Quem vai, não sente; quem fica, sofre. Então, como falar em “dor” da mesma forma que se fala em “alegria”? Falta de preparo profissional dos apresentadores, o que não percebemos ou reclamamos. Afinal, também somos duros e, algumas vezes, mesquinhos. Como saber se temos condutas pequenas? Simples: qual o primeiro assunto que lemos no jornal ou assistimos na TV? Morte? Reflita sobre a sua resposta. Talvez façamos parte do “povo” que aceita o leviano e está acostumado com o feio.

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