domingo, 29 de abril de 2012

Madrugada literária

A madrugada literária promete ser producente.
Diante do livro pesquisado, não temo ter a antinomia com o passado.
Não estou pronto.
Não nasci feito.
Construo-me a cada dia e a todo instante.
A descendência da escrita percorre todo o caminho - de Antônio Vieira a Ferreira Gullar - ou na crônica do admirador de Maria Sharapova. ORA leio Caio, outrora penso em Alceu WamosY. Transito pelo Estado Novo, época da 2ª Geração Modernista e do indomável Getúlio DORNEL(L)ES Vargas. Só resta dizer: OBRIGADO.

O silêncio é uma dádiva, quando queremos o universo.
Deus inventou o mundo pelas letras. No sétimo dia Ele poetizou.
O homem, ignorante, transformou a poesia em profecia.
A mania de querer predizer o futuro e esquecer de construí-lo.
Deus fez o mundo num soneto. No oitavo dia, Ele criou as (os) Pessoas.

A produção artística permanecerá - como a força de uma tempestade - enquanto houver um único leitor a debater conceitos. Escrevo essas linhas imperfeitas, comparando-as com um rio que flui mansamente. Deixo-as escorrer, como saliva, por todo o meu corpo até molhar as pontas dos dedos. Você, caro leitor, que é um dos poucos a terminar a postagem, torna-se uma figura importantíssima na minha vida. Pode ser carência - acho que realmente é - mas o que será da existência sem o carinho?

Se a religião é o ópio do povo, a leitura é o ópio do sonho. Marx também sonhava. A sua poesia foi transformada em armas. A força de sua língua metafísica foi utilizada pelo homem - entre sangues azuis e vermelhos - como a pólvora para empurrar balas de metal.

A leitura feita por cegos, sem o advento do braile.

A vida é um salto de trampolim. 
A queda ocorrerá, de uma forma ou de outra. Contudo, o modo como se aceita a força da gravidade é  o que muda o conceito artístico. Será um salto acrobático ou um acidente desengonçado.

As metáforas não explicam o silêncio.

As formas quadradas da pintura - a que me olha no canto da parede - tomam as formas irregulares do neosimbolismo. 

A expressão, a impressão, o futuro, o cubo, o surreal não confundem o Dadá que existe na minha personalidade.

A queda ocorrerá. A prática leva à perfeição. A busca do impossível resultará em algum avanço.

O que mais quero - junto de meu ego que se embaralha - é que minhas letras não sejam tão imperfeitas quanto o meu nariz. Que elas apontem para todos os lados, que sintam todos os cheiros, gostos, vozes e que assistam todos os beijos, numa sinestesia que começou e terminará fora de mim.

Quem escreve com amor, entra em contato com a "essência".
Quem lê com amor, surfa sobre nuvens equatoriais.
Quem resolve percorrer a trilha da literatura, não se importa com "a pedra do caminho".

Será que os dedos trairão o sorriso da medusa?
A pedra do caminho envolverá todo o nosso corpo?

A realidade é uma parte de toda loucura.
Ponto final.
Melhor: reticências...

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