sábado, 7 de abril de 2012

A imbecilidade da escravidão virtual - parte 1

Era uma sociedade decadente, com personagens podres. 
A pobreza de espírito era tão grande, de maneira geral, que a coletividade copiava as mesquinharias virtuais. O que fazer? Assistir ao Big Brother, com os personagens desconhecidos? Não. Definitivamente, não. A baixaria generalizada, com pessoas conhecidas, tornava-se uma diversão bem maior que as bobagens da TV.
A diversão baseada na imbecilidade escondia o maior dos fracassos: a derrota da própria moral.
O travesseiro não aceitava tamanha ignorância, que era revestida de materialidades que o dinheiro poderia comprar, de ternos e gravatas, ou simples desonra em troca de um aperto de mão.
A história poderia ser contada por inteiro, do início ao fim, citando nomes, pessoas e lugares. Contudo, o tempo é muito importante para ser perdido com futilidades detestáveis.

O fedor poderia ser bem pior, se não fosse lamentável.

O lamento era ecoado nos espíritos de crianças, em corpos de homens adultos, que buscavam fazer a diferença.
Fazer a diferença.
O quanto essa sentença pode ser opressora, principalmente quando se nasce e cresce numa cidade interiorana.
Como a imbecilidade pode fazer a diferença?
A realidade mais crua é que somos todos idiotas, meninos em dialéticas socráticas, sem fundamento teórico.
Como é interessante ganhar a atenção de alguns leitores, que contemplam a nossa falta de originalidade.

Ser original é fazer a diferença?
Ser individual está na atitude de não reproduzir a cópia cinematográfica dos heróis imortais. A imortalidade não existe e a primeira divisão das células é o início da morte, da putrefação e do pó.
Onde estão os nossos antepassados?
As figuras do bom selvagem, do sertanista e do gaúcho que possuíam a honra, a bondade e a lealdade.

A guerra não é só feita de heróis. Existem os covardes que abandonam as armas e partem rumo à retaguarda. Esses fracos buscam a segurança de alguns momentos; mas sua alma já está morta.

A virtual soberania de toda internet.
Estou soberano no meu blog e aceito o que eu quiser aceitar.
A fofoca possui a velocidade da luz na escuridão de nossa alma.
A imbecilidade da escravidão virtual, numa terra construída sob uma colina longa, na proximidade de um boqueirão.
A virtual soberania de toda internet.

Era uma sociedade decadente, com personagens podres e pobres...
Dentro dessa relação, naquela madrugada, eu era mais uma carniça que se postava sobre os teclados de um laptop.
Era uma carne decompondo, morta, esperando os urubus ou os vermes que atacaram Brás Cubas. 
Os vermes, como eu - você - e todos nós.

(acho que continua...)

2 comentários:

  1. Parabéns pelo texto Giovani Pasini, interessante, crítico e verdadeiro. Afinal, seu blog é extremamente bom de se ler.

    Abraço.

    André Ribeiro

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  2. Gostei muito,teu blog está interessante, textos que me prendem, bj te vejo mais tarde, kkkk.

    ResponderExcluir

Obrigado por deixar o seu comentário neste blog.
Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

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