quinta-feira, 5 de abril de 2012

Debate sobre leitura - Postagem 10 - Giovani Pasini (resposta para Adaltro Pinto, Jayme Piva e A Santix) - participe você também!


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Caro Adaltro!

Espero que esteja bem, nessa Campo Grande.
O que surgiu antes: o ovo ou a galinha?
Deduções científicas podem atestar que a galinha passou - a partir da sua evolução - a colocar ovos para reproduzir.
Temos que dar o exemplo e, principalmente, incentivar a leitura (de qualquer coisa!), mesmo que seja uma leitura virtual.
Paulo Freire dizia que a busca da utopia leva ao avanço. Temos que criar um país de leitores! Ele dizia, ainda, "Somos iguais somente pela nossa diferença". 
Existe um país de analfabetos (ou funcionais)?
Talvez os 10 anos que você mencionou sejam poucos. A independência do Brasil ocorreu em 7 de setembro de 1822 - ou seja, não transcorreram nem 200 anos. Para nós - que já estamos ficando velhos - 200 anos não são nada! Conseguimos perceber a rapidez dos anos!
A leitura deve arrebentar com os grilhões da hipocrisia social - que vivemos e sobrevivemos!
Obrigado pela postagem!
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Caro Jayme Piva!
A construção de obras didáticas, no Brasil, algumas vezes segue pelo rumo de uma "doutrina partidária", ou se quiser chamar: uma ideologia de perpetuação do poder. A televisão possui o poder de conduzir as nossas massas. A intelectualidade (existem intelectuais?) é comprada facilmente - a força do dinheiro - e as mensagens midiáticas traduzem o interesse escuso dos "condutores da charrete" - só que nós somos os burros puxadores de mordomia. Tenha certeza que isso ocorre no Brasil e em pequenos municípios (ocorre em Santiago?).
A leitura favorece a criticidade - e a percepção das amarras transparentes que envolvem todo o poder.
Somos inocentes? Talvez sim, mas "ingnorantes" eu acho que não.
Obrigado pela sua participação no debate!
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Caro A Santix!
Montaigne, filósofo francês, disse que "A palavra é metade de quem a pronuncia, metade de quem ouve".
Portanto, associo-me à tua escrita reinvindicando uma participação etérea no contexto da produção.
O exercitamento do cognitivo (do conhecimento) acorda a magia do saber. Belo pensamento, lindas palavras. Texto que já nasceu sendo 50% do leitor e 50% seu.

A docência - o ato de ser professor - é a atividade cognitiva (afetiva e psicomotora) mais importante da existência humana. Para o educador é a transmissão e recepção dessa magia do saber; para o aluno, também se resume nessa troca (transmissão e recepção) de significativa relevância social.

A filosofia é a mãe de todas as ciências. A política necessita de reflexões filosóficas, principalmente no que diz respeito à transitoriedade da vida - morreremos em seguida, por qual motivo "corruptar"?
Talvez, somente na esfera do talvez, o problema maior esteja arraigado na nossa educação capitalista - competir, triturar, destruir, sobreviver. Não que eu pense no socialismo como saída; menos ainda no comunismo. Julgo que a saída é o "filosofar" e repensar a própria existência.

Tanto quanto no seu país, o Brasil possui um emaranhado de políticos egocentristas e inescrupulosos. Retornamos à época anterior a Revolução Francesa (1789) onde a nobreza (políticos) não respeitava o povo, nos ideais de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade". Penso que temos que fazer uma nova Revolução Francesa, só que sem armas ou sangue.

As palavras são as maiores armas que um povo possui.

Os professores são os construtores do primeiro futuro. O ruim é que a maioria de nós, docentes, não percebe isso. Sabe por qual motivo? O professor tem que batalhar em causa própria. Tem que sobreviver as suas contas mensais.

A função do professor é contribuir com a construção da personalidade de cidadãos. A transformação de nossa sociedade (portuguesa e brasileira) começará quando a "massa docente" se unir num mesmo discurso.
Seria um discurso ideológico?
Parcialmente sim. Contudo, não seria o que ocorre na atualidade: capitalismo X socialismo; neoliberarismo X conservadorismo etc. Deveria ser um discurso que pairasse na ideologia da recuperação dos valores morais perdidos. Os professores devem incutir na mente dos alunos, numa clara ideologia,  sobre a importância do ofício do educador. Não basta só isso! O mais importante é a questão dos valores morais e do exemplo.
No futuro - quando os alunos se tornarem políticos - talvez os nossos países fiquem melhores.

A "sujeira" pode impregnar na pele, nas paredes de instituições perenes, no subconsciente coletivo de uma forma que o "sujo" se torne normal. Acostumar-se com o feio: não ter vergonha de possuir o nome cercado pela lama da indescência.
A classe política brasileira - odeio generalizar, mas tenho que fazê-lo - é uma podridão.
Eu teria vergonha de me candidatar a alguma coisa (apesar de gostar de projetos). Eu não! Não sou ladrão! Tenho preocupação com minha moral. (A que ponto chegamos? Candidatar-se uma vergonha? Deveria ser assim?)

Nisso eu te convido para uma reflexão: o poder da pena, do papel e das palavras. A leitura - a difusão do ato de ler é uma saída para o futuro!

A mentira coletiva não pode se tornar uma verdade individual. Não devemos aceitar isso de boca calada!
Você já leu Gramsci?

A hegemonia do poder está atrelada ao domínio da EDUCAÇÃO, da RELIGIÃO e dos MEIOS DE COMUNICAÇÃO de uma sociedade. Eles possuem os meios de comunicação e parte da educação. Discorda? Penso que a educação também ocorra de dentro para fora e não só de fora para dentro. Daí surge a importância da filosofia e da leitura.
(Lemos e não concordamos com tudo - filosofamos e construímos a nossa personalidade crítica)

Por tudo isso que a leitura é importantíssima. Ler de tudo! Qualquer coisa (dos gibis, bula de remédio, livros, jornais, quadros, desenhos etc.)!

A leitura cria um mundo paralelo, longe dos interesses e das desonestidades mundanas. A podridão vai passar e vai virar pó, junto com os ossos de todos os políticos corruptos.

Já Fernando Pessoa (Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro Campos), Almeida Garrett, Antero de Quental e tantos outros portugueses, ou Machado de Assis, José de Alencar, Carlos Drummond e tantos outros brasileiros - esses sempre serão eternos.

Agradeço a sua mensagem e convido os seus leitores a participar sobre um debate sobre leitura, no meu blog: www.giovanipasini.com

Continue com esses textos magníficos!

Grande abraço!

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