terça-feira, 10 de abril de 2012

Comentário da leitora Túlia Corrêa - Campo Grande, MS

 Comentário da leitora Túlia Correa sobre a postagem:

E-mail recebido do militar da reserva Adaltro Albinelli Pinto - Manifestação favorável ao 31 de março de 1964 - Campo Grande (MS)


"Senhor Giovani Pasini,
Meus parabéns pela postagem!!
Embora sendo eu uma cidadã do meio civil, comungo do mesmo pensamento dos integrantes das Forças Armadas Brasileiras.
Vejo no amigo Albineli assim como nos seus companheiros verdadeiros patriotas defensores da democracia.
Tulia Corrêa - Bacharel em Direito
Campo Grande- MS"

5 comentários:

  1. Prezado Paisini:
    De minha parte, que também resido em Campo Grande, fiquei envergonhado por essa manifestação. Mas explica-se: Campo Grande é uma das cidades de perfil mais conservador e elitista do Brasil. Também considero uma contradição evidente apelar para o espírito democrático em defesa de uma manifestação de apoio a um "movimento" que destruiu a democracia no Brasil. Quem quer que estude o contexto cultural dos anos 60 antes e depois do golpe de 64 perceberá o verdadeiro desastre que ele significou, principalmente após o AI-5. Mas tenho certeza que o Sr., em nome de seu manifesto espírito democrático, não deixará de publicar minha opinião.

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    1. Caro Ravel,

      Leonardo Boff afirmava: "Todo ponto de vista é a vista de um ponto".

      Da minha parte, como educador freireano (Paulo Freire) e militar, posso lhe dizer que sou favorável aos governos militares. Apesar de parecer contraditório (a priori).

      Sou contrário a qualquer tipo de desrespeito (físico e psicológico). Contudo, alguns fatores devem ser questionados, para que não sejamos enganados por falsos argumentos, principalmente os veiculados por uma mídia tendenciosa ou que façamos uma análise superficial, sem a visão do contexto histórico:

      1. Faça uma enquete (pergunte) com os mais idosos, que viveram o período. Faça sem tentar influenciar a resposta. Particularmente, sempre que possível, questiono os mais velhos. Até hoje - tenha certeza disso - ao conversar com uma amostragem de mais de 30 idosos, NUNCA encontrei alguém que falasse mal do Exército daquela época. Pelo contrário, as palavras gerais são: "...se você trabalhasse e não fizesse bagunça, teria uma ótima vida".
      2. Cuidado com "Movimentos Pendulares", ou seja, que sejam radicais para um lado ou para outro. Ninguém, dos envolvidos ideológicos da época, foi inocente. Concordo que ocorreram alguns excessos, conforme mostra a nossa história, mas não eram de regra geral ou política de governo. A nossa boa índole de brasileiros, que já faz parte da nossa genética, conduz os brasileiros por caminhos melhores.
      3. Como já disse, sou admirador de Paulo Freire (que foi exilado), mas também sou admirador do Marechal Castelo Branco e do General Ernesto Geisel.
      4. Pesquise sobre o atentado ocorrido no aeroporto de Guararapes, em Recife, no final do Governo de Castelo Branco. Até ali as coisas estavam tranquilas. Pesquise sobre a quantidade de mortos por atentado no Brasil, por conta da ação de terroristas - posso lhe enviar por e-mail uma relação de atentados da época. Da mesma forma, você poderá me enviar uma lista de desaparecidos.
      5. A questão mais importante desse debate é a seguinte: por mais que eu tente te convencer - e você faça o mesmo - nós dois teremos opiniões que cada vez mais divergirão para um lado e para o outro.
      6. Da mesma forma que você não irá enaltecer os terroristas que assaltaram, explodiram bombas (com origens de esquerda radical) - eu também não enaltecerei possíveis torturas da direita radical. Louvo a imensa maioria dos militares que trabalharam na época, como o meu pai, que pautavam a sua conduta utilizando o "norte" da ética, do desenvolvimento do país e, principalmente, da defesa dos bons costumes. O mais interessante é que não existem descendentes ricos dos presidentes militares. Por que será?
      7.Se o companheiro observar - antropologicamente - os governos militares estavam em todos (menos dois) países da América Latina. Era a regra geral, devido a Guerra Fria. Houve a influência dos EUA? É claro que houve. Como também ocorreu pela URSS (guerrilhas armadas.
      8. Enfim, essa discussão seria longa demais e, tenho certeza, dificilmente (para não dizer nunca) nos convenceríamos da opinão contrária.

      Agradeço a sua opinião, apesar de discordar de quase tudo nela. Principalmente, sobre o que está escrito no início, onde a sua democracia questiona a liberdade da outra leitora se manifestar. Que liberdade é essa? A mesma dos manifestantes (bagunceiros) que estavam na frente do Clube Militar no Rio de Janeiro?
      Não devemos impor a verdade. Até pelo fato que eu tenho a minha verdade e você a sua.

      Saúde, paz e felicidade.

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  2. Prezado Paisini:
    É bom discutir em termos civilizados, mas eu vou fugir a essa tentação, pois como o Sr. mesmo reconhece, essa discussão iria longe sem chegar a lugar algum. Só quero esclarecer dois pontos:
    1) Não questiono a liberdade da leitora ou quem quer que seja se manifestarem. Sou contra o teor da manifestação, não discuto sua legalidade.
    2) Também não sou "contra militares". Meu pai também era militar (e, aliás, gaúcho; e, aliás, tinha parentes em Santa Maria), e também era um exemplo de ética e conduta pessoal. Mas não era militarista, no sentido de atribuir às forças militares alguma função além da de defesa do território que lhe é atribuída.
    Seja como for, creio que estamos, aos trancos e barrancos, construindo um aprendizado da democracia, e não me parece que este é o momento de louvar os regimes de exceção, nem de direita nem - concordo com você - de esquerda.
    Enfim, bola pra frente.

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  3. Prezado Paisini:
    É bom discutir em termos civilizados, mas eu vou fugir a essa tentação, pois como o Sr. mesmo reconhece, essa discussão iria longe sem chegar a lugar algum. Só quero esclarecer dois pontos:
    1) Não questiono a liberdade da leitora ou quem quer que seja se manifestarem. Sou contra o teor da manifestação, não discuto sua legalidade.
    2) Também não sou "contra militares". Meu pai também era militar (e, aliás, gaúcho; e, aliás, tinha parentes em Santa Maria), e também era um exemplo de ética e conduta pessoal. Mas não era militarista, no sentido de atribuir às forças militares alguma função além da de defesa do território que lhe é atribuída.
    Seja como for, creio que estamos, aos trancos e barrancos, construindo um aprendizado da democracia, e não me parece que este é o momento de louvar os regimes de exceção, nem de direita nem - concordo com você - de esquerda.
    Enfim, bola pra frente.

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    Respostas
    1. Olá Ravel!

      Que bom que seu pai era militar!
      Assim, tenho certeza, você consegue visualizar o espírito da educação militar e dos princípios éticos que norteiam a instituição.

      As forças militares possuem a destinação que você está dizendo, ou seja, de defesa externa. Além disso, na constituição, existe a previsão de utilização como Garantia da Lei e da Ordem (com autorização do Presidente e sob solicitação de qualquer governador de estado).

      A época de 64 era outra, do ponto de vista histórico, em virtude da Guerra Fria. Basta dizer isso e mais nada. O mundo da atualidade é outro.

      Enfim, concordo, bola pra frente.

      Obrigado.

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Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

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