sexta-feira, 27 de abril de 2012

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 27 de abril de 2012 - Você é do bem ou do mal? - por Giovani Pasini


Você é do bem ou do mal?

Há poucos dias eu passeava de carro com a minha família. Dirigindo o veículo, escutava a brincadeira de meus dois filhos, que se divertiam com bonecos, no banco traseiro. Em determinado momento um dos bonequinhos perguntou para o outro, em voz alta “Você é do bem ou do mal?”. A resposta foi um grito “Do bem! Iááááhh!”. Como a vida seria fácil se os adultos tivessem a sinceridade das crianças. Chegaríamos para um desconhecido e perguntaríamos: você é do bem ou do mal? Tão simples. Só que as relações humanas não são assim. As brincadeiras infantis nos enganam, pois vamos ficando maduros e o questionamento sempre retorna “Ele será do bem?”. Somos atrapalhados pelo imenso quebra-cabeça que é o ser humano. Uma grande colcha de retalhos, com pedaços brancos e porções negras. Erros e acertos. Amigos e inimigos. A maioria, como eu e você, pecam na falha de comunicação – não possuem mau coração. Apenas uma pequena minoria é que se enquadra no “bom” ou “mau”. Para ser uma referência de bondade é preciso carregar a bandeira da doação e do amor. Conheci algumas pessoas assim; plumas brilhantes na minha vida. Já o identificador da maldade está na arrogância e na destruição (a maldade é apenas um hábito). A verdade é que de modo geral, somos inocentes e um pouco perdidos. Não sabemos ser pais, amigos, filhos, chefes, empregados – estamos sempre aprendendo tudo! Enfim, a gentileza é um começo saudável. Ser educado e paciencioso. Isso nos deixará com a alma leve e facilitará o caminho. 

2 comentários:

  1. Gostei muito da crônica.E concordo que é realmente difícil separar os seres humanos entre bons e maus, mesmo porque ninguém é totalmente bom ou totalmente mau (com exceção, é claro, daqueles que já nascem com tarja preta. Uma pessoa completamente boa, como já disseste, é aquela voltada única e exclusivamente para o bem, doada a Deus,um ser iluminado e, por isso, raro. É claro que procuramos ser bons na maioria do tempo, mas não é fácil. Assim, como os considerados maus, são bons para alguns, para aqueles de quem gostam, geralmente. Por isso, dividir a humanidade em bons e maus é muito difícil. E também muito radical e perigoso, haja vista o que já aconteceu e acontece quando se tenta fazer isto. Aí estão o arianismo, as guerras santas, as jihads e outros. Lembro aqui Érico Veríssimo quando declarou ter horror aos que, a pretexto de nos salvar as almas,querem nos queimar os corpos.

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  2. Olá Giovani,uma crónica muito real e oportuna.
    Nós os crescidos esquecemos as crianças que fomos,só que a génese Humana é mesmo assim,uma vez evoluídos tomamos partido de personalidades próprias o que acarreta comportamentos menos dignos,não maus,mas conscientemente indignos,como esquecer a inocência da verdade,companheirismo,(...)O Amor existe sim nas pequenas atitudes iguais a uma criança,todavia somos crescidos e temos "vergonha" de o expor.......

    Uma vez ultrapassada a idade da inocência deveríamos crescer com as lições tiradas em criança,uma vez que é e foi com elas que aprendemos a conviver.Não deixa de ser um tema redundante onde os proveitos dessa redundância só a cada Ser cabe seguir.....
    Obrigado pela partilha.

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Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

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