sexta-feira, 6 de abril de 2012

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 06 de abril de 2011 - PALAVRAS - por Giovani Pasini


Palavras*

A cultura não deve ser apenas invocada, mas, também, evocada. Ela não pode acontecer somente de fora para dentro; a sua ocorrência é necessária de dentro para fora. Desculpe, caro leitor, o fato de ter que transitar pela esfera egótica e redundante. Só que a instrospecção, além de sadia, leva a um posicionamento byroniano, algumas vezes necessário. Quando eu tinha 17 anos de idade, achava que iria mudar o mundo. Nos 27 anos, pensei que as minhas palavras é que poderiam modificar o planeta. Agora, com 37 anos, mantenho as minhas palavras, apesar de nosso mundo. Espero que, lá pela faixa dos 47, o universo não tenha mudado tanto as minhas letras. Com 77, que não me perca em palavras. E, lá pelo final dessa vida, que tenha orgulho de tudo o que foi dito (escrito). Talvez, penso eu, alguns intelectuais de nosso Brasil também tenham que refletir sobre suas ações e, essencialmente, a respeito de suas vozes. Nós, telespectadores, temos que ter cuidado com a tática propagandista gramsciana (atingir a hegemonia utilizando o sistema educacional, a religião e os meios de comunicação). A mentira não pode se tornar uma ferramenta de um plano de perpetuação do poder (ou uma alavanca financeira individual e coletiva). Devemos execrar a corrupção dos valores morais básicos. Palavras: as malditas palavras. Tenho um “amor ufanista” pelo meu país; mas, algumas vezes, envergonho-me de ser brasileiro. Menos mal que os governos militares, tão elogiados pelos nossos idosos, foram essenciais para a manutenção de nossa atual democracia.

*Em memória do Marechal Humberto Alencar Castelo Branco

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