segunda-feira, 30 de abril de 2012

Comentário de Iara Peixoto - na crônica "Você é do bem ou do mal?"


Gostei muito da crônica. E concordo que é realmente difícil separar os seres humanos entre bons e maus, mesmo porque ninguém é totalmente bom ou totalmente mau (com exceção, é claro, daqueles que já nascem com tarja preta. Uma pessoa completamente boa, como já disseste, é aquela voltada única e exclusivamente para o bem, doada a Deus,um ser iluminado e, por isso, raro. É claro que procuramos ser bons na maioria do tempo, mas não é fácil. Assim, como os considerados maus, são bons para alguns, para aqueles de quem gostam, geralmente. Por isso, dividir a humanidade em bons e maus é muito difícil. E também muito radical e perigoso, haja vista o que já aconteceu e acontece quando se tenta fazer isto. Aí estão o arianismo, as guerras santas, as jihads e outros. Lembro aqui Érico Veríssimo quando declarou ter horror aos que, a pretexto de nos salvar as almas,querem nos queimar os corpos.

Para ver o blog da Iara Peixoto - CLIQUE AQUI


Para reler a crônica - CLIQUE AQUI

Comentário de ASantix - Portugal - sobre a crônica "Você é do bem ou do mal?"




Olá Giovani,uma crónica muito real e oportuna.

Nós os crescidos esquecemos as crianças que fomos,só que a génese Humana é mesmo assim,uma vez evoluídos tomamos partido de personalidades próprias o que acarreta comportamentos menos dignos,não maus,mas conscientemente indignos,como esquecer a inocência da verdade,companheirismo,(...)O Amor existe sim nas pequenas atitudes iguais a uma criança,todavia somos crescidos e temos "vergonha" de o expor.......



Uma vez ultrapassada a idade da inocência deveríamos crescer com as lições tiradas em criança,uma vez que é e foi com elas que aprendemos a conviver.Não deixa de ser um tema redundante onde os proveitos dessa redundância só a cada Ser cabe seguir.....
Obrigado pela partilha.
=========
Para ber o blog de A Santix - CLIQUE AQUI

Para reler a crônica - CLIQUE AQUI


domingo, 29 de abril de 2012

Literatura em gotas - João Cabral de Melo Neto



"Meus olhos têm telescópios
espiando a rua,
espiando minha alma
longe de mim mil metros"


(Poema)

Resumo da "nau literária" santiaguense

Se a poesia viva santiaguense fosse um barco conduzido por homens poetas - com certeza, guiando a embarcação - teríamos numa ponta Oracy Dornelles e na outra Alessandro Reiffer.


Gondoleiros das letras.


Condoreiros das almas.

Lei popular contra o desmatamento - assine e difunda

Retirei a ideia do blog do Júlio Prates. É importante participar e difundir. DESMATAMENTO ZERO!
============

Madrugada literária

A madrugada literária promete ser producente.
Diante do livro pesquisado, não temo ter a antinomia com o passado.
Não estou pronto.
Não nasci feito.
Construo-me a cada dia e a todo instante.
A descendência da escrita percorre todo o caminho - de Antônio Vieira a Ferreira Gullar - ou na crônica do admirador de Maria Sharapova. ORA leio Caio, outrora penso em Alceu WamosY. Transito pelo Estado Novo, época da 2ª Geração Modernista e do indomável Getúlio DORNEL(L)ES Vargas. Só resta dizer: OBRIGADO.

O silêncio é uma dádiva, quando queremos o universo.
Deus inventou o mundo pelas letras. No sétimo dia Ele poetizou.
O homem, ignorante, transformou a poesia em profecia.
A mania de querer predizer o futuro e esquecer de construí-lo.
Deus fez o mundo num soneto. No oitavo dia, Ele criou as (os) Pessoas.

A produção artística permanecerá - como a força de uma tempestade - enquanto houver um único leitor a debater conceitos. Escrevo essas linhas imperfeitas, comparando-as com um rio que flui mansamente. Deixo-as escorrer, como saliva, por todo o meu corpo até molhar as pontas dos dedos. Você, caro leitor, que é um dos poucos a terminar a postagem, torna-se uma figura importantíssima na minha vida. Pode ser carência - acho que realmente é - mas o que será da existência sem o carinho?

Se a religião é o ópio do povo, a leitura é o ópio do sonho. Marx também sonhava. A sua poesia foi transformada em armas. A força de sua língua metafísica foi utilizada pelo homem - entre sangues azuis e vermelhos - como a pólvora para empurrar balas de metal.

A leitura feita por cegos, sem o advento do braile.

A vida é um salto de trampolim. 
A queda ocorrerá, de uma forma ou de outra. Contudo, o modo como se aceita a força da gravidade é  o que muda o conceito artístico. Será um salto acrobático ou um acidente desengonçado.

As metáforas não explicam o silêncio.

As formas quadradas da pintura - a que me olha no canto da parede - tomam as formas irregulares do neosimbolismo. 

A expressão, a impressão, o futuro, o cubo, o surreal não confundem o Dadá que existe na minha personalidade.

A queda ocorrerá. A prática leva à perfeição. A busca do impossível resultará em algum avanço.

O que mais quero - junto de meu ego que se embaralha - é que minhas letras não sejam tão imperfeitas quanto o meu nariz. Que elas apontem para todos os lados, que sintam todos os cheiros, gostos, vozes e que assistam todos os beijos, numa sinestesia que começou e terminará fora de mim.

Quem escreve com amor, entra em contato com a "essência".
Quem lê com amor, surfa sobre nuvens equatoriais.
Quem resolve percorrer a trilha da literatura, não se importa com "a pedra do caminho".

Será que os dedos trairão o sorriso da medusa?
A pedra do caminho envolverá todo o nosso corpo?

A realidade é uma parte de toda loucura.
Ponto final.
Melhor: reticências...

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 27 de abril de 2012 - Você é do bem ou do mal? - por Giovani Pasini


Você é do bem ou do mal?

Há poucos dias eu passeava de carro com a minha família. Dirigindo o veículo, escutava a brincadeira de meus dois filhos, que se divertiam com bonecos, no banco traseiro. Em determinado momento um dos bonequinhos perguntou para o outro, em voz alta “Você é do bem ou do mal?”. A resposta foi um grito “Do bem! Iááááhh!”. Como a vida seria fácil se os adultos tivessem a sinceridade das crianças. Chegaríamos para um desconhecido e perguntaríamos: você é do bem ou do mal? Tão simples. Só que as relações humanas não são assim. As brincadeiras infantis nos enganam, pois vamos ficando maduros e o questionamento sempre retorna “Ele será do bem?”. Somos atrapalhados pelo imenso quebra-cabeça que é o ser humano. Uma grande colcha de retalhos, com pedaços brancos e porções negras. Erros e acertos. Amigos e inimigos. A maioria, como eu e você, pecam na falha de comunicação – não possuem mau coração. Apenas uma pequena minoria é que se enquadra no “bom” ou “mau”. Para ser uma referência de bondade é preciso carregar a bandeira da doação e do amor. Conheci algumas pessoas assim; plumas brilhantes na minha vida. Já o identificador da maldade está na arrogância e na destruição (a maldade é apenas um hábito). A verdade é que de modo geral, somos inocentes e um pouco perdidos. Não sabemos ser pais, amigos, filhos, chefes, empregados – estamos sempre aprendendo tudo! Enfim, a gentileza é um começo saudável. Ser educado e paciencioso. Isso nos deixará com a alma leve e facilitará o caminho. 

Mensagem do Oracy Nº 2 - Crônica "Outras"

Oracy, a Fátima (e a Nura sentada) na Casa do Poeta de Santiago
Abaixo, temos a crônica do Oracy. Realizarei uma postagem, agradecendo a referência ao meu nome.
Contudo, antecipadamente, obrigado Oracy Dornelles.
=======================
OUTRAS
 
Júlio Rafael. Conheço-o há muito. Fomos colegas de boemia. Amanhecíamos em claro em sua residência, tomando umas que outras, ao som de Gardel, com seu violão com cavilhas de madeira. Depois ele  "tocou",     trocou Gardel por Pitágoras.    Seu livro "O Caminho de Volta", lançado há pouco, não conta histórias de nossas namoradas, minha bicudinha do Madianeira e sua bárbara carioquinha do Ginásio...  Leitura amena, fluente, sem termos rebuscados, mas com muita propriedade. Espero que ele volte...
 
 
    Sempre prestigiando as letras, o prefeito, desta vez, cedeu uma peça para o Márcio instalar definitivamente, e sem custos, a nossa "Casa do Poeta de Santiago". Na verdade é uma bela Garagem, e fica na Rua dos Poetas 3, na Duque. Breve estaremos lá com nossos carros de poesia. Salve a "Garagem dos Poetas de Santiago", e feliz estacionamento a todos!
 
Criado pelo Governo, em benefício das gestantes do SUS, a "Rede Cegonha". Deputados e senadores seguirão o exemplo criando a "Rede Vergonha",  pois enquanto  em Santiago falta água, no Congresso tem Cachoeira...  E na escolha final não devemos trocar  filhos "índigos" por pais indignos, pois seria o mesmo que trocar-dilhos  por filhos... Ufa!  
O cap. Pasini, para aplacar a saudade de Santiago, vai fundar em Pernambuco uma  Casa..  "Casa do Poeta   de Pernambucano. Aí teremos a  " Água de Coco Poética".    Deu no rádio: "Vende-se 3 bois soteiros e uma vaca desquitada.  O tempo ainda continúa com névos seca desde o ano passado...  O céu de Santiago tem uma grande nuvem negra: não chove nem sai de cima." É o cúmulus!    Criada na Rua dos Poetas a "Calçada da Fama, onde vivos famosos imprimirão suas mãos em baixo-relevo, aos moldes de Hollywood. Desta vez escolher melhor os escritores e artistas, para que não se transforme em Calçada da Lama.     (Oracy Dornelles)

Mensagem do Oracy - Nº 1

Vocês que só publicam notícias de políticos nefastos e  abobrinhas     por que não publicam esta foto maravilhosa desta moça britânica que tem o rosto mais bonito do mundo??? Mal não faz. Abraços, Oracy. (Segue foto anexo. Veja a página inicial do YAHOO de hoje. Seu  nome é Florence.


De volta ao blog - torrado pelo sol nordestino

Olá!

Por questões de segurança, não avisei aos leitores o meu afastamento.

O blog andou parado, mas existiu um motivo.

Eu sou o responsável pela instrução do 7º Grupo de Artilharia de Campanha, em Olinda, PE e nesta semana estávamos no Acampamento Básico do Recruta.

No sul, terra que sou nativo e estou acostumado, o problema dos exercícios é o frio.

Aqui no Nordeste, a dificuldade ocorre pelo forte calor. Confesso que sofri. Contudo, conhecer o interior de Pernambuco, com suas peculariedades, está sendo uma grata experiência. 

Fico feliz, profissionalmente, em poder conduzir uma atividade castrense com mais de 300 militares sob minha coordenação. A superação (dos recrutas) naquele calor é misturada com a satisfação da missão cumprida.

Desculpe a falta de resposta aos diversos e-mails.

É bom estar de volta!

domingo, 22 de abril de 2012

Paulo Freire é declarado Patrono da Educação Brasileira



Paulo Reglus Neves Freire (1921-1997)  é considerado um dos principais pensadores da pedagogia mundial e possui inúmeros livros sobre educação.
Ele nasceu em Recife, em 1921. Trabalhou com vários processos de alfabetização, principalmente com jovens e adultos.
A educação brasileira não poderia ter um patrono melhor!
O projeto foi proposto pela Deputada Luiza Erundina, do PT, e foi sancionado pela Presidente Dilma no dia 13 de abril de 2012.
Quero destacar que estudo, leio e sou seguidor das teorias freireanas, principalmente no assunto "Educação Intercultural".
Aprendia a conhecer o Paulo Freire por causa do Grupo Dialogus, da UFSM, que é coordenado pelo professor Celso Ilgo Henz. O professor Celso passou diversos conhecimentos da teoria de Paulo Freire, acerca da conscientização e de uma pedagogia crítica.
Quis o destino que eu me distanciasse desse grupo de pesquisa, vindo para o lado da terra natal de Paulo Freire (estou em Olinda).
Pretendo fazer, após um concurso que tenho que realizar, um roteiro turístico nas origens do Patrono da Educação Brasileira.
Parabéns Paulo Freire!!!

Sobre crianças índigo - mensagem da Iara Peixoto


Recebi um e-mail da Iara Peixoto. Ela repassou um artigo que complementa o assunto "crianças índigo" e faço questão de repartir com os leitores. Leia a mensagem da Iara e veja o artigo.

Iara Peixoto escreveu:

"Muito interessante o assunto publicado pelo Júlio Prates sobre as "crianças índigo". Já havia lido sobre o tema numa entrevista da antropóloga Noemi Paymal, cujo comentário de uma amiga e colega te envio em anexo. Podemos ver que já há educadores preocupados com o novo tipo de crianças que a modernidade está produzindo. Abraços."
====================

Outro exemplo são ações como a da antropóloga francesa Noemi Paymal, criadora da “Pedagogia 3000”, que propõe um sistema educacional ajustado ao comportamento e às habilidades das crianças de hoje, atendendo às suas necessidades reais e não às que os adultos pensam que elas têm. Quando esteve em Porto Alegre, no Seminário Internacional Pare e Pense, no mês passado, Noemi   foi entrevistada por Fernanda Zaffari, do jornal ZERO HORA. Morando há anos na Bolívia, ela trabalha há 25 anos em diferentes países da América Latina, em áreas como a da educação alternativa e desde 2001 começou a trabalhar com crianças e jovens que denomina “de terceiro milênio”,  atualmente 80% dos alunos. Noemi considera estas crianças como mais maduras, mais precoces, muito rápidas e multilaterais, podendo aprender várias coisas ao mesmo tempo.Com sua experiência de tantos anos, ela concluiu que as escolas nos moldes atuais   não estão capacitadas para atender  uma geração com essas habilidades e comportamentos.
                  Para definir estas crianças, alvo de sua filosofia de ensino, Noemi usa o termo “Geração Índigo”. Este termo foi usado pela primeira vez pela pesquisadora americana Nancy Ann Tappe e apresentado internacionalmente por Lee Carroll e Jan Tober, americanos que escreveram o livro “Crianças Índigo”, já traduzido para o português. Tais crianças teriam características físicas, psicológicas e espirituais diferentes das gerações anteriores.
                ...  “São crianças com capacidade para captar informações de diferentes dimensões de consciência, ao mesmo tempo, e capacidade de fazer coisas diferentes, ao mesmo tempo, o que não pode ser confundido com distração ou déficit de atenção, alerta a antropóloga.
(PAYMAL, Noemi. Para ensinar o futuro. Revista Donna/ ZERO HORA: 06/06/10, pág. 8 e 9)

Correio Braziliense - Protestos contra a corrupção tomam 25 estados


Protestos tomam 25 estados

22 Abr 2012
Reivindicando a marcação do julgamento do mensalão e o fim do voto secreto, milhares de manifestantes se reuniram em mais uma edição da Marcha contra a Corrupção
» EDSON LUIZ 
Milhares de pessoas saíram às ruas ontem para protestar contra a corrupção em 24 estados e no Distrito Federal. Em Brasília, a marcha ocorreu na Esplanada dos Ministérios e reuniu pelo menos três mil pessoas, segundo a Polícia Militar. A principal reivindicação do grupo era a marcação do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e o fim do voto secreto no Congresso. A manifestação não teve a participação de políticos, mas contou com o apoio de algumas entidades, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Em Brasília, centenas de pessoas concentraram-se em frente ao Museu da República e saíram em passeata às 11h, gritando palavras de ordem. A maioria dos participantes era formada por jovens entre 15 e 25 anos, mas, ao longo do percurso, famílias e turistas juntaram-se ao grupo. Nem mesmo o forte calor afastou a multidão. Os manifestantes — cuja maioria estava vestida de preto e com o rosto pintado com as cores verde a amarela — caminharam até a Praça dos Três Poderes, onde se dispersaram depois de duas horas. Alguns manifestantes continuaram a caminhada no sentido contrário.
A novidade desta edição da Marcha contra a Corrupção foi os grupos terem se unido num só movimento, ao contrário do ano passado, quando houve protestos distintos. "Nós participamos da mesma marcha, pois entendemos que os objetivos são os mesmos e, quanto maior a participação popular, mais serão os resultados positivos", postaram os organizadores na internet, justificando a união da organização Nas Ruas e do Movimento Brasileiro de Combate à Corrupção (MBCC). A exemplo de edições anteriores, o protesto foi planejado por meio das redes sociais.
Os cartazes e faixas levados pelos manifestantes faziam referência ao mensalão e lembravam o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo desde fevereiro, e o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), que corre o risco de perder o mandato por suas ligações com o bicheiro. Manifestantes também criticaram o governador do DF, Agnelo Queiroz. O protesto também pedia o fim do foro privilegiado de autoridades. Desta vez, não houve a participação de políticos ou manifestação de partidos. Somente o presidente da OAB no Distrito Federal, Francisco Caputo, subiu no carro de som para falar. "Nós estamos aqui de novo porque estamos indignados", afirmou. "Se não houvesse nada disso, estaria curtindo a festa de Brasília e não protestando contra tudo o que está acontecendo", acrescentou Caputo.
Além do Distrito Federal, ocorreram manifestações na Bahia, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, entre outros estados. Só não houve registro de passeatas em Roraima e no Acre. No Rio, o movimento aconteceu em Ipanema, na Zona Sul, onde pelo menos 50 pessoas colhiam assinaturas dos transeuntes para um abaixo-assinado pedindo aos ministros do Supremo pressa no julgamento do mensalão. Em Guarapari (ES), a manifestação foi contra o reajuste dos salários de vereadores. Moradores da cidade fincaram 148 cruzes em uma praia, simbolizando o percentual de aumento dado aos políticos locais.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Artigo do Jornal Expresso Ilustrado - 20 de abril de 2012 - Incentivo Literário - Parte II - por Giovani Pasini


Incentivo literário – parte II

No artigo anterior, escrevemos sobre Machado de Assis, um exemplo de perseverança, ao construir sua arte renomada. Hoje, gostaríamos de evidenciar que a idade não interfere na qualidade da produção artística. Álvares de Azevedo, escritor romântico de grande competência, faleceu com 20 anos, sendo que seus textos foram escritos dos 16 aos 20. O mesmo ocorreu com Junqueira Freire (viveu 23 anos), Casimiro de Abreu (morto aos 21 anos), o grandioso Castro Alves (finado aos 24 anos). A maioria deles foi vítima da tuberculose, doença fatal no século XIX, conhecida como tísica. A escritora Rachel de Queiroz ficou conhecida nacionalmente, aos 20 anos, por escrever o romance “O Quinze”, que retratava uma terrível seca ocorrida no nordeste, em 1915. Clarice Lispector, ao lançar a obra “Perto do Coração Selvagem”, aos 19 anos, assombrou a crítica literária. Em Santiago, por exemplo, temos a figura de Caio Abreu que produziu os primeiros textos aos 6 anos; com 21 recebeu o prêmio Fernando Chinaglia, pela obra “Inventário do Irremediável”. Qual o motivo de estar relatando tudo isso? Espero incentivar – função essencial de qualquer periódico – ao menos um novo escritor. A boa literatura não predispõe idade; mas leitura, imaginação, talento, erros, acertos e, principalmente, o esforço. Definir os objetivos e estabelecer as metas: a primeira delas é esquecer o “receio de tentar” e não temer qualquer julgamento. Portanto, publique sua obra! Tire-a da gaveta e derrote o “monstro da inanição” (do vazio).

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Resposta ao questionamento de "Spleen e Charutos", de Álvares de Azevedo



Olá Camila.

Acredito que seu nome seja Camila L. Severino (deduzi pelo e-mail).

Antes de analisarmos o poema, vamos conversar um pouco sobre Álvares de Azevedo. 
Ele foi um escritor que morreu muito jovem, pouco antes de completar 21 anos. A maioria da sua obra foi composta dos 16 aos 20 anos de idade. Revelou talento precoce e grande capacidade para os estudos, com a leitura de vários escritores estrangeiros. 
Aderiu ao movimento do byronismo e de satanismo.
Participou de grupos boêmios e sempre teve uma saúde enfermiça. Morreu tuberculoso, como eu já disse, aos 20 anos de idade.

O "spleen" é uma palavra de origem grega e foi ligada ao sentimento de "melancolia". 
O sentimento de "spleen", ou seja, uma melancolia extrema, foi relacionada como um desejo de autodestruição, onde a única saída para esse sofrimento era a MORTE. 

A forma idealizada de encarar a MORTE pendia para o alívio diante do sacrifício que é a vida. Isso é bem característico de Álvares de Azevedo, que foi o poeta romântico, da 2ª geração (byroniana ou Mal-do-século).

A parte "Spleen e Charutos" que compõe o livro LIRA DOS VINTE ANOS apresenta características da 2ª geração, importantes para o seu trabalho, tais como:

- A sedução da morte; (temos a relação AMOR x MORTE - ou seja, o desejo de amar e o desejo de morrer. Procure versos que relacionem o amor e a morte. Apresentarei uma estrofe, de II - Meu anjo:

"Como o vinho espanhol, um beijo dela
Entorna ao sangue a luz do paraíso.
Dá morte um desdém, num beijo vida,
E celestes desmaios num sorriso!"

- O ideal de beleza feminino também está ligado com a MORTE: o belo está nas virgens pálidas, nas mulheres lânguidas, que sejam magras e brancas. 

Toda a parte VI - O poeta moribundo está relacionada ao sentimento romântico em relação a MORTE:

                         VI
            O poeta moribundo


Poetas! amanhã ao meu cadáver
Minha tripa cortai mais sonorosa!...
Façam dela uma corda e cantem nela
Os amores da vida esperançosa!
(...)
Coração, por que tremes? Vejo a morte,
Ali vem lazarenta e desdentada...
Que noiva!... E devo então dormir com ela?
Se ela ao menos dormisse mascarada!
(...)
No inferno estão suavíssimas belezas,
Cleópatras, Helenas, Eleonoras;
Lá se namora em boa companhia,
Não pode haver inferno com Senhoras!



Em determinados momentos a MORTE assume a figura feminina, metaforicamente. Observe no extrato supracitado que a MORTE aparece desdentada e lazarenta, ou seja, o medo de morrer é muito ruim. Mais adiante ele desdenha a vida, dizendo que no inferno é que estão as mulheres belas, o que mostra que não está arrependido pelo que fez e considera o inferno uma boa opção.


As poesias byronianas de Álvares de Azevedo (assim é "Spleen e Charutos) tendem para a evasão e sonho. As comparações e metáforas da poesia de Álvares de Azevedo apresentam tendências para o "Eros", mas com uma única saída, no final de tudo: a MORTE.

Para isso, a linguagem dessa poesia apresenta IMAGENS (saudade, solidão, morte e pessimismo "spleen") e RITMOS (termos escolhidos para dar uma musicalidade).

Enfim, em "Spleen e charutos" - há um relacionamento entre "melancolia e boemia". Quero dizer, apesar de jovem, Álvares de Azevedo era um boêmio; na mesa de bar debatia os amores e as dores com outros amigos e escritores. A biografia de Álvares de Azevedo diz que eles bebiam muito vinho. Veja a estrofe abaixo:

                      IV
                 A lagartixa

(...)
Amo-te como o vinho e como o sono,
Tu és meu copo e amoroso leito...
Mas teu néctar de amor jamais se esgota,
Travesseiro não há como teu peito.

A obsessão pela MORTE é parte da arte de Álvares de Azevedo, como podemos observar, num exagero sentimental. Para ele o "MORRER" é o paraíso, o que o "eu-lírico" persegue como uma escapatória idealizada para o tédio, o pessimismo, a melancolia, ou seja, o salvamento do árduo "Spleen" - onde o poeta se sente preso.

Espero que tenha ajudado em algo.

Se tiver dúvidas, entre em contato.

Abraços!
======================
Quem quiser ler "SPLEEN E CHARUTOS", parte completa do livro "Lira dos 20 anos" é só clicar em "mais informações":

Questionamento de Camila Severino sobre "Spleen e charutos" - de Álvares de Azevedo


Olá. Conheci-o por acaso enquanto estudava algumas paródias da Canção do Exílio.
Ao ler em seu currículo sua formação em Literatura, considerei a possibilidade de seu auxílio para a análise do poema Spleen e charutos do Álvares de Azevedo, atentando para a temática morte. 
Já analisei "Morte" de Junqueira Freire, e embora eu seja apenas estudante de colegial, consegui fazer observações amadoras, porém satisfatórias para o que preciso. Quanto ao poema de Álvares, creio que estou perdida. Não consigo encontrar o ponto de vista do autor, muito menos enxergar qualquer indireta que talvez ele expresse. 

Acreditando que não é essa uma mensagem de toda a vaguidão, aguardarei o seu retorno e espero que possa me ajudar. 

C.L.S.


Parabéns ao Exército Brasileiro!

Hoje, 19 de abril, é o dia do Exército Brasileiro (EB).


A data é comemorada em virtude da 1ª Batalha de Guararapes, ocorrida em 19 de abril de 1648, data da primeira formação de um exército com sentimento de "amor à terra", com a presença de brancos, negros e índios.

Fico orgulhoso em fazer parte do Exército - profissão que escolhi e que tenho contato desde os primeiros dias de minha vida (meu pai era militar).
===
Como eu digo todo ano: quando eu "bater as botas" quero ser enterrado com a farda Verde-Oliva.
===
Tudo o que tenho e tudo o que sou devo à educação que tive e, também, ao EB.

Brasil, acima de tudo!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

E-mail recebido do Diovane Camilo Dalenogare - 305 obras grátis do DOMÍNIO PÚBLICO

Recebi um e-mail do Diovane Camilo, indicando 305 livros grátis do Domínio Público.

Não é pirataria.

Para quem não conhece, o site Domínio Público possui (à disposição do leitor) diversos livros que já perderam os direitos autorais (por tempo), ou que foram abertos ao público, por opção do autor.
Lá existe, por exemplo, a obra completa de Machado de Assis: CLIQUE AQUI
Além disso, existem links para Paulo Freire, Fernando Pessoa, literatura infantil, publicações sobre educação, entre outras.

A seguir, publico a lista enviada pelo Diovane:
==============================
305 livros grátis (Isso vale a pena repassar)
É só clicar no título para  ler ou imprimir. 
(Para observar as obras - clique em "mais informações")

Sobre crianças índigo - blog do Júlio Prates


O escritor e jornalista Júlio Prates escreveu uma excelente postagem, direcionada para educadores (pais, professores etc.), sobre crianças índigo.

Pela qualidade do escrito e do transcrito, vale a pena ler!

É importante compartilharmos as excelentes aprendizagens; no caso, a fornecida pelo Dr. João Serafim Tusi e veiculada pelo Júlio Prates.

Para ler a postagem referenciada: CLIQUE AQUI.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Crítica ao escritor Machado de Assis


Após essa sequência de artigos sobre Machado de Assis, eu gostaria de transcrever um texto que li. Antes disso, uma opinião:

A obra de Machado de Assis é fantástica.
Isso todo mundo sabe e todos dizem. 
As reclamações que surgem - normais para a nossa atualidade - ocorrem pela dificuldade de sua linguagem, já que o autor utilizou a grande maioria das palavras de nossa língua mater.
A literatura machadiana é tão importante, que já foi reconhecida mundialmente.
======
Voltando à transcrição...
Abaixo temos uma CRÍTICA feita por Urbano Duarte, contra a obra "Memória Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis.

"A obra do Sr. Machado de Assis é deficiente, senão falsa, no fundo, porque não enfrenta o verdadeiro problema que se propôs a resolver e só filosofou sobre caráteres de uma vulgaridade perfeita; é deficiente na forma, porque não há nitidez, não há desenho, mas bosquejos, não há coloridos, mas pinceladas ao acaso."

DUARTE, Urbano. Apud GUIMARÃES, Hélio de Seixas. Os leitores de Machado de Assis. São Paulo: Nanquim, 2004, p. 192.

===========
Cabe ressaltar que a referida obra (Brás Cubas) espantou o público da época, pois rompia com as definições do romantismo, estilo ainda predominante. Os leitores românticos estavam acostumados aos folhetins, tendo um protagonista de caráter admirável e uma história de amor.
Brás Cubas é um livro escrito por um defunto autor (autor-defunto - o próprio Brás Cubas),  que foi membro da elite brasileira e que realiza uma "anatomia do caráter" da sociedade da época: com descrições cruéis, adultério, corrupção, hipocrisia, interesses, vaidade, entre outros componentes do Realismo.

Podemos ressaltar outras características realistas, tais como: análise psicológica, ironia, contraponto dialógico e trabalho com a linguagem.
===========
Voltando à crítica: conseguiríamos imaginar, na atualidade, algum crítico literário condenando Machado de Assis?
Dificilmente.
===========
Por isso, não confie em críticos literários.
Eles julgam a obra com um ponto de vista limitado.
Aliás - "Todo ponto de vista é a vista de um ponto" - Leonardo Boff.
A crítica que destrói só serve como barreira a ser vencida. Apenas isso.
Acredite no seu gosto de leitor - se o livro que você leu agradou, que bom! (É nisso que Machado de Assis é amigo de Paulo Coelho - leia o que quiser! É o caminho para o hábito salutar...)
Caso não tenha gostado do que leu, pode ser que ele seja um epígono (pertence à geração seguinte), ou extrapole a "visão compartimentada", normal no ser humano.
===========
No caso de Machado de Assis, ele foi a verve de várias gerações seguintes.
===========
PS: sou de opinião de que o blog deve servir como um espaço para ensaios "mentais". Não possui a rigidez do papel... 
A crítica literária só é válida se tiver uma finalidade educativa, ou seja, contribuir para o desenvolvimento do autor.

Abraços!

E-mail recebido da Iara Peixoto - linda crônica de Moacyr Scliar sobre Machado de Assis - Vale a pena ler!

"A propósito de tua crônica sobre Machado de Assis, estou te enviando uma do Scliar, que guardo há tempos, pois aborda um aspecto interessante da vida dele. Abraços." ===========================================
CORAÇÃO   DE   COMPANHEIRO 
(Moacyr Scliar)

     Atrás de um grande homem existe sempre uma grande mulher. Ao menos no caso de Machado de Assis, cujo centenário de falecimento ocorre neste dia 29, esta frase parece ser muito verdadeira. Estamos falando no maior escritor brasileiro, o que é praticamente consenso da crítica. Mas estamos falando também no menino pobre, mulato, neto de escravos, epiléptico e gago, um menino que não frequentou escola, mas que enfrentou com bravura um destino adverso. Sua infância foi marcada pela perda de figuras femininas que haviam sido muito importantes para ele. Quando tinha seis anos, morreu-lhe a única irmã. Quatro anos mais tarde, a mãe faleceu.
      Depois perdeu a madrinha, uma senhora rica, protetora e afetuosa, em cuja propriedade a família morava. E dê-lhe vida dura: aos 14 anos, Joaquim Maria começou a vender os doces confeccionados pela madrasta para ajudar no sustento da casa. Trabalhou  ainda como caixeiro de livraria,  tipógrafo e revisor, antes de iniciar a bem-sucedida carreira de jornalista e escritor.
       Machado de Assis tinha um amigo, o poeta Faustino Xavier de Novais, que, a certa altura, começou a apresentar sinais de perturbação mental. De Portugal veio então a irmã de Faustino, Carolina Xavier de Novais, para supostamente cuidar do irmão. Supostamente porque, segundo uma versão, ela teria sido mandada embora pela família depois de um caso amoroso, em que fora seduzida e abandonada.
       Carolina ficou amiga de Machado, que era quatro anos mais moço do que ela. Conta-se que, numa visita, Machado, a sós com a moça, pegou a mão dela e perguntou-lhe se aceitava-o como esposo. A resposta afirmativa veio firme e decidida, mas não contou com o apoio da família, que não queria ver Carolina casada com um mulato epiléptico.
       Carolina desempenhou um papel importante na vida de Machado, inclusive do ponto de vista literário. Culta, versada em  gramática, ela lia os textos dele, corrigia-os, passava-os a limpo. Mais importante: até então Machado tinha sido um escritor romântico, que escrevia bem, mas que não produzira obras marcantes. Por insistência de Carolina, ele muda de estilo, torna-se realista e, como se vê em Memórias Póstumas de Brás Cubas, ultrapassa até mesmo o realismo, inaugurando uma nova fase na ficção brasileira.
       Muitos psicanalistas veriam nessa relação um elemento edipiano, Carolina representando para Machado uma figura materna. E isto ficou mais evidente porque não tiveram filhos. Quando ela morreu, Machado desabou; sobreviveu-lhe apenas quatro anos, doente e melancólico. Um poema escrito quando do falecimento dela fala dessa paixão: “Ao pé do leito derradeiro / em que descansas desta longa vida / aqui venho e virei, pobre querida / trazer-te o coração  de companheiro.”
       Coração de companheiro. Coração de companheira. Desses corações é que são feitas as verdadeiras uniões.
                                                                                                                         (Moacyr  Scliar – Zero Hora, 28/09/2008)


=====================
Agradeço o e-mail da Iara Peixoto.
Realmente, o Moacyr Scliar e o Machado de Assis são fantásticos escritores da Literatura Brasileira.
Quem puder ler a crônica do Moacyr, digo que vale a pena!

Abraços Iara!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...