domingo, 25 de março de 2012

E-mail recebido - Necessidade de românticos na política nacional - vale a pena ler e repassar!

==MANIFESTO NÚMERO 1==

A necessidade de românticos na política nacional
(Literatura politizada – Manifestos Literários Anticiclopes  - MALAC[1])

Abaetê Inis apé[2]

Em 1808, graças a um francês, a nossa Terra Brasilis começaria a mudar. Era Napoleão Bonaparte, o algoz do reinado português, que expulsava D. João VI e a família real de Lisboa, fazendo-a aportar na colônia brasileira. Culturalmente, para a nossa nação, Napoleão tem uma importância descomunal. A sua expansão na Europa, as crises que causou, foram de grande valia para a nossa evolução social (economia, ciência e cultura).
Ainda em 1808, com a chegada da corte portuguesa, tem início a publicação da Gazeta do Rio de Janeiro, fruto da criação de uma Imprensa Régia (imprensa oficial do Reinado). Os portos da colônia foram abertos para todas as nações amigas, tendo o mesmo impacto da atual globalização. Os charcos do Rio de Janeiro foram drenados, construíram-se calçadas e ruas, melhorando a urbanização. 
Em 1814, ocorre a criação da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, a partir dos livros salvos da Biblioteca Real do Palácio da Ajuda, de Lisboa. Em 1816, chega uma Missão Artística francesa, com vários artistas, principalmente pintores.
No ano de 1821, com a derrota de Napoleão pelos ingleses (Waterloo, 1815), D. João VI retorna para Portugal, deixando o seu filho Pedro, como príncipe regente. Essa decisão acarretou na pacífica Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, por D. Pedro I, atitude que teve influências do Romantismo Europeu (baseado nos ideais da Revolução Francesa, da Revolução Industrial e da burguesia).
Essa independência teve um impacto na produção cultural dos jovens intelectuais brasileiros, que boa parte vivia na Europa. Em 1836, Gonçalves de Magalhães e Araújo de Porto Alegre participaram de uma revista chamada Nitheroy (Revista Brasiliense de ciências, letras e artes) que possuía a epígrafe “Tudo pelo Brasil e para o Brasil”. No mesmo ano, Gonçalves de Magalhães publicava “Suspiros Poéticos e Saudades”, que demarcava o início do Romantismo do Brasil.
As características principais dos autores da 1ª geração romântica abarcavam o indianismo (culto ao índio), a exaltação da natureza, a busca da criação de uma consciência nacional (nacionalismo ufanista), dentre outras.
Na figura do índio (indianismo), os autores procuraram encontrar um passado mítico e histórico para a nova nação (Brasil), equiparando o indígena ao cavaleiro medieval, com os valores que o tornavam um “Bom Selvagem”, tendo atributos como coragem, honra e pureza. Cabe ressaltar, que a figura de “Bom Selvagem” partiu de uma teoria de Jean-Jacques Rousseau, o qual afirmava que todas as pessoas nascem boas, sendo a vida em sociedade (destaco a capitalista) que vai diferenciá-las e, muitas vezes, corrompê-las. Portanto, a figura do “Bom Selvagem” – redundância intencional – é o ser humano livre e incorruptível.
A criação da consciência nacional utilizou a exaltação da natureza (“Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá”, nos textos de Gonçalves Dias, por exemplo) e o índio como o verdadeiro nativo. Destaca-se que o branco não poderia ser o herói, pois era o colonizador que oprimira. O negro, naquela época, era base da economia escravocrata e não poderia ser exaltado.
José de Alencar, outro grande escritor do período, foi um crítico dos costumes nacionais e tenaz desenvolvedor de uma língua brasileira, que se distanciasse da portuguesa; outra demonstração de amor ao novo país que naquela época nascia. Assim perguntava José de Alencar: “O povo que chupa caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pêra, o damasco e a nêspera?”
A burguesia nacional – espelho da emancipação europeia – necessitava de uma independência estética, que foi difundida pela emoção, subjetividade e originalidade dos escritores românticos. O índio se tornou o nosso herói, defendido por um grupo que se uniu, empolgado com a libertação de 1822 e passou a se considerar “povo brasileiro”. O grupo, com sonhos idealizadores, estava disposto a organizar uma nação livre e autônoma. Para isso, era importante transformar em símbolos de nacionalidade: as matas, os índios, a fauna e a flora tupiniquim.
Saindo da nossa origem como nação romântica – 1822 – e chegando até a atualidade (2012), após quase 200 anos, observamos que a elite política e intelectual de nosso país transformou a “individuação romanceira” numa “individualidade roubalheira”. Elite militante, que trafega por ideologias partidárias inescrupulosas,  de perpetuação no poder. Os interesses de um partido político (ou próprio do político) estão sobrepostos aos anseios de todo um povo.
A visão macro de nossa sociedade, feita por ciclopes ideológicos, gigantes ineficazes, conduz a nação brasileira por caminhos tortuosos e “tontuosos”. A globalização, o acesso às informações, desnorteia a massa crítica do Brasil.
Nesse manifesto literário, o nosso grupo lança o primeiro anseio geral da população brasileira: os políticos necessitam refletir sobre o imperativo de ter que romantizar a política nacional - “Tudo pelo Brasil e para o Brasil.”
Para isso, talvez, seja importante relembrarmos o conceito de “Bom Selvagem”, de Rousseau. O meio (base para o Realismo, de Machado de Assis), ou seja, a sociedade pode desvirtuar o indivíduo. Por essa ótica todos nascem bons (a bondade é parte da alma humana).
Seguindo esse rumo, a devassidão no caráter de alguns políticos se origina na própria podridão que já existe no congresso brasileiro. O “Cortiço” que possui alma e acorda de manhã cedo, pronto para participar das maracutaias (fraldes e falcratuas). O “Cortiço Nacional” está construído em terreno lamacento, com raízes negras e alicerces deteriorados. Ele influencia, como monstro de bandalheira, a negatividade das condutas de seus transeuntes inocentes (com paletós borrados, em fraldas perdidas e fraudes obtidas).
Retornando à seriedade: os preceitos ideológicos e políticos do Brasil carecem de utopia e ufania. A utopia de Paulo Freire, aquela que pode mudar o presente, na busca do ideal como força motriz do real. A ufania dos românticos, que visualizaram uma nação idealizada, pura, bem distante dessa montanha de estrume – em que nos encontramos.
O Brasil clama por uma nova “Revolução Francesa”; que agora ela seja uma verdadeira “Revolução Brasileira”, com as nossas características nacionais (sem sangue, sem violência e sem espadas), mas que a “Bastilha de Brasília” caia, ante a indignação cibernética do povo, agora mais esclarecido - "Liberdade - Igualdade - Fraternidade".
Enfim, lembremos que, segundo Rousseau, o ser humano nasce livre e incorruptível – um “Bom Selvagem”. O nacionalismo ufanista e utópico não deve ser uma vergonha, mas um orgulho para o cidadão. (Honra, honestidade e patriotismo).



[1] MALAC – Manifestos Literários Anticiclopes – Malac (ou Malak) é uma palavra de origem africana, oriunda do nome Malika, que significa “Doce Princesa”. Movimento contrário a corrupção criada pelo individualismo dos ciclopes
Os ciclopes são membros da elite intelectual e política brasileira, que analisam a história nacional utilizando apenas o olho da sua razão e de seus interesses particulares.
O movimento busca o apoio de cidadãos honestos, que sejam contrários aos atos de corrupção e desvio do dinheiro público. O movimento é contrário a qualquer revanchismo e tentativa de utilizar a reversão da história para interesses de grupos e/ou ideologias.
Para participar do movimento – repasse o manifesto.
[2] Abaetê Inis apé - Brasileiro, africano, indígena e indignado. Vassalo de ignorância servil, revoltado com o sistema de corrupção (capitalista?). Negro de Alma, índio de sangue e branco de pele.

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