sábado, 3 de março de 2012

Artigo Expresso Ilustrado 2 de março de 2012 - Um "Dia de Deivid" - por Giovani Pasini

Um “Dia de Deivid”

Aos 35 minutos do primeiro tempo da semifinal da Taça Guanabara, entre Vasco e Flamengo, no Engenhão, o jogador rubro-negro Leonardo Moura avançou pela direita, ultrapassou o goleiro Fernando Prass e deixou o atacante flamenguista Deivid – debaixo do gol – sozinho com a bola. A vovó de qualquer torcedor teria feito aquele gol. Era só tocar com calma e ir comemorar no fundo de campo. Entretanto, o inacreditável (futebol clube) aconteceu. Deivid conseguiu acertar a bola na trave e perder a chance. Após o erro fatídico, a torcida adversária começou a gritar o seu nome. “”Deivid! Deivid! Deivid!”. O fato foi uma demonstração de que o óbvio, algumas vezes, não ocorre: o emprego estabilizado que se vai; o amor que nos deixa, sem avisar; o amigo que vira inimigo; a pisada naquela poça d’água; a mancada que ofende sem intenção e tantas outras “bolas foras” que executamos, quase debaixo da rede. Por tudo isso e tanto mais, que o futebol é um esporte coletivo que mexe com as emoções, criando tensões que atuam como uma catarse (quase um desabafo), para jogadores e torcedores. A verdade é que todos nós já tivemos um “Dia de Deivid”, quando cometemos falhas impossíveis. Nisso reside uma das belezas do futebol – a imitação da vida. A diferença é que no nosso momento “bola fora”, geralmente não existem diversas câmeras filmando. Contudo, serve de consolo (para todos os Deivids) que depois de cada erro, a vida nos proporciona os acertos. Bola para frente, cabeça erguida e que nunca desistamos da busca dos aplausos; principalmente aqueles de nossa própria consciência. 

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