segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Artigo Expresso Ilustrado 13 de janeiro de 2012 - Costumes...tchê! Parte II - por Giovani Pasini

A diferença de culturas, em virtude da distância geográfica, é algo muito interessante. Nós, gaúchos, estamos tão acostumados com as características da lida campeira, que não percebemos a riqueza do tradicionalismo do pampa. É necessário que venha alguém de fora, muitas vezes, para notar a beleza da herança farroupilha. Penso que o mesmo deve ocorrer aqui, no Nordeste. Ao passear pelas ruas de Olinda, uma dupla de seresteiros se aproxima, cantando aquelas músicas construídas, parecidas com os trovadores gauchescos. Em outro passeio que fiz, encontrei um poeta de rua, de pele negra, que trazia uma garrafa de álcool de cozinha na mão; mas dentro do recipiente, tinha algum líquido “parecido” com cachaça. Sem pedir dinheiro, aquele embriagado declamador lançava os seus poemas de rua. Assimilei um dito popular, que ele lançou aos ventos: “O que salva o povo?” - fez uma pequena pausa - “O que salva o povo? Jesus, cuscuz e ovo!” Uma anedota que pode ter passado de geração para geração, como o nosso “Churrasco e bom chimarrão, fandango, trago e mulher; é isso o que o velho gosta; é isso o que o velho quer”, letra de uma música bem elaborada. A cultura negra é rica em detalhes e, principalmente, em utilizar o corpo humano como obra de arte. Tudo isso é fruto da antiga escravidão, não tão velha assim: apenas de 1888, sendo que o Brasil foi o último país da américa a abolir a escravatura. O primeiro batuque dos humanos, dizia uma adoradora do “Olodum”, é o bater do coração: “tundum, tundum, tundum!” (continua)

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