quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Tempestade de ideias - Ensaio com "reflexões e pensamentos sociais"

Andei refletindo. 
Coloco, a seguir, algumas reflexões pessoais sobre a sociedade (macro: brasileira; micro: Santiago, Santa Maria, Olinda, Recife). Não é feito sobre um fato específico e alguma coisa do que está escrito constará do meu próximo livro.

Como todo ensaio, a mudança pode ocorrer, a partir de nvoas ideias (consistentes).


É um "pensamento" em voz alta (ou escrita livre - tempestade de ideias). Não é, portanto, uma VERDADE RÍGIDA, acabada, mas uma (auto)construção da minha personalidade de cidadão.
Existe, com certeza, uma influência de Octávio Paz (mexicano), Eduardo Galeano (uruguaio), Humberto Maturana (chileno), Walter Benjamin (alemão) e Paulo Freire (brasileiro). Ressalto que os pensamentos estão "compartimentados" e necessitariam de um detalhamento maior.


Escrevi esse texto em forma de "jatos de pensamento"...


Então, vamos lá:
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1. Não existe, num determinado povo, a "Ausência de consciência política". O que existe é a "alienação política". Necessitamos de uma conscientização do Povo (Paulo Freire), para uma reestruturação social (que pode ser feita pela arte - Walter Benjamin). O povo elege os seus representantes e, portanto, esse povo possui uma importância  maior que os próprios eleitos. O que ainda perdura na nossa sociedade é a "supervalorização" de partidos, com os interesses particulares sobrepondo o coletivo (povo). A "maioridade política", comparando metaforicamente a sociedade com um indivíduo, ocorrerá quando o "voto" for encarado como uma ferramenta essencial para a verdadeira democracia. O que elege um representante não é apenas um "dígito", ou melhor, a "soma de dígitos." Quem elege e possui a força maior da democracia é o somatório de indivíduos, parcela expressiva da sociedade.

2. Exaltamos a "televisão" e condenamos os "livros". Isso contribui para uma "alienação social".

3. A intelectualidade latina está marginalizada no mundo (Octávio Paz). A intelectualidade interiorana está marginalizada no Brasil. Em municípios do interior, a marginalização pode ocorrer com a formação de "panelas de decisão".

4. A sociedade (e a literatura) latina está baseada, na sua maioria, no "eurocentrismo" e no poder contemporâneo dos norte-americanos (Octávio Paz). Temos que refletir sobre os problemas latinos, já com uma visão latina. O mesmo serve para o nosso povo brasileiro e, em menor instância, ao   público interiorano. Temos que buscar soluções viáveis para o "nosso problema". Os gregos servem de base para o conhecimento; contudo, devemos buscar a "base" do nosso autoconhecimento. Isso remete a um pensamento mais recente e atual, ou seja, nem sempre o que vem de fora é melhor que o presente na terra natal (Eduardo Galeano).

5. Previsão para os próximos anos - no mundo: As próximas "revoluções" que ocorrerão não estarão baseadas somente em ideias e conceitos políticos ou econômicos. Não no seu sentido literal. É bem possível que a próxima (r)evolução (transformação de pensamentos) esteja baseada na busca da "moral social" (Octávio Paz).

6. O crescimento da "consciência" surge somente quando escapamos da "prisão do corpo" e das mesquinharias terrenas (egoísmos transitórios).  Devemos identificar o nosso corpo, cuidar dele, gostar de suas formas e, posteriormente, iniciar a pensar... (Dentro da ideia de corpo eu coloco os limites e  as necessidades básicas do humano: fome, sede, sono, segurança etc.)

7. O respeito social ocorre quando temos "tolerância" às diferenças (Paulo Freire). Devemos tolerar pensamentos, opiniões, costumes e tendências. Temos que tolerar os que não concordam com a gente; também temos que aceitar os costumes diferentes. Isso não quer dizer que devemos ficar imobilizados diante das diferenças. Podemos buscar o convencimento e nuncar "forçar" a aceitação. O que ainda ocorre no interior é que alguns buscam "forçar" o convencimento de muitos. Talvez isso tenha alguma origem histórica, regional, que seria fruto de um debate amplo.

8. "O que para uns é sabedoria, para outros é loucura" - isto está na Bíblia, em algum lugar. Não existe nada que seja mais forte (e, por consequência, temos que ter cuidado) que: religião, futebol, política e paixão (por qualquer coisa e/ou ser). A emoção influencia no raciocínio (Humberto Maturana). Quando mudamos a emoção, mudamos de domínio de nossa ação. A emoção é tão ou mais importante que a razão. O humano é um ser emocional e, talvez, racional.

9. Dizem que três coisas podem corromper, geralmente, o ser humano: poder, dinheiro e/ou sexo.

10. Os grandes erros da elite (do poder mundial) passam por escândalos sexuais e/ou financeiros (Octávio Paz).   Isso comprova a imaturidade e o egoísmo que permeiam a nossa sociedade. Existe uma brandura, no brasileiro, que está intrínseca ao seu caráter. Os "condutores" desviam e os conduzidos aceitam, com uma naturalidade incrível ("até o próximo escândalo"), ou seja, "isso não é comigo". Tal conduta não passa de uma forma de alienação social.

11. O mito do "Salvador da Pátria" está arraigado no senso comum, junto com a brandura, desde que existia a escravidão (de brancos, índios e negros). É comum que tal mito retorne em épocas de eleição. Alguns mal-intencionados podem se utilizar disso.

12. A ciência e a política fazem parte da sociedade. Para observá-las, como analista, não é necessário nem ser cientista, nem político.

13. A sociedade é cíclica:  a decadência de um sistema marca a ascendência de outro.

14. Os homens são parecidos com os dinossauros: a diferença é que os dinossauros não tinham noção do seu poder e não utilizavam (tanto) a imaginação.

15. Qual a finalidade de obter o poder absoluto? Não existe "poder absoluto" e tampouco o poder eterno. Todos morrem; a maioria passa.

16. Se o leitor coloca apenas um objetivo de vida, significa que está descartando os outros objetivos de sua vida. O poder gera a obsessão. A busca da manutenção do poder leva o homem a condutas indesejáveis.

17. Por mais inclusiva que seja uma sociedade sempre existirão os "poderosos" e os "oprimidos". Isso faz parte da conduta humana. A correção está na busca de formas de diminuir as diferenças - e a arte pode ajudar nisso. (Walter Benjamin)

18. Aristóteles definiu que a maior virtude política é a "prudência".

19. Montesquieu: "A decadência de Roma teve uma causa dupla: o excesso de poder e a corrupção do luxo".

20. A paixão ideológica pode levar até a ingenuidade, inocência e, por fim, para a introspecção. O pior demônio da ideologia é a falta de clareza da própria ideologia. A ingenuidade leva ao mau julgamento de ideias (Octavio Paz).

21. Será que nosso povo não está vivendo uma história paralela a da civilização ocidental?

22. Já não existe a divisão "conservadores" e "liberais". (A utilização das ferramentas do poder, para corromper o sistema, também é uma forma de corrupção, independentemente da ideologia governante.)

23. A observação parcial que faço da sociedade passa a impressão de que alguns utilizam a "liberdade de expressão" para promover a desorganização coletiva. 

24. O cidadão contemporâneo, mais do que antes, possui duas grandes atribuições: 
- a primeira é a transmissão de conhecimento (conservação da herança cultural)
- a segunda é a mudança social (reflexões sobre hábitos que devam ser descartados)

25.  O avanço social ocorre quando há a conexão entre a mudança e a continuidade. Não somente lá; nem apenas cá. O mais importante é a libertação de qualquer fanatismo. O fanático sempre exclui algo, ou alguém.
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Algumas reflexões e impressões.
A postagem saiu um pouco longa.
Se você terminou, parabéns. É um vencedor, por aguentar essa minha chatice e por encerrar um texto tão longo.
Espero que ajude o leitor, para alguma coisa.
Aceito receber opiniões divergentes.
Até mais...

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