quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Ensaio sem correções - A Cidade Educadora e o Senso Comum - para o Batman(íaco) do Márcio Brasil



Ensaio: A Cidade Educadora e o Senso Comum  (Por  Giovani Pasini)

Em homenagem ao Márcio Brasil, aniversariante do mês!

A postagem do vereador Miguel Bianchini demonstra que ele pode ser um cidadão de visão forte, mas não é intransigente. Agradeço a transcrição da minha postagem.
Compreendo que o mundo político é permeado de debates de ideias, local em que a opinião vai sendo construída por intermédio da experiência individual (político) e coletiva (partido).
Acompanho, frequentemente, o trabalho dos vereadores Miguel Bianchini e Davi Vernier (como fazia com o Nelson Abreu), por ser eleitor e acreditar no trabalho que ambos realizam. Por isso, leio o blog do Bianchini, apesar de não realizar comentários (dificilmente comento nos blogs (talvez seja a falta de tempo - mesclada com um pouco de egoísmo da minha parte).
Essa postagem é uma exposição de ideias e refuto qualquer possível contrariedade de “mal-escrito” que poderia denegrir o Bianchini. Escrevo de modo geral, com a visão sobre os acontecimentos no nosso país e, também, do nosso local.
Por ser um funcionário público federal (militar com muito orgulho!) tenho a convicção que nós passamos, mas as instituições permanecem.
Portanto, a transferência de ideias positivas, de um governo para outro, deve ser uma conduta natural. A postura ideal de um representante do povo é a representação do próprio povo.
Surgem algumas perguntas: o interesse da população deve sobrepor os interesses do partido político?
A educação e a cultura – interligados – desenvolvem economicamente uma região?
Julgo que sim.
Sobre a primeira pergunta: alguns amigos comentaram que não devo escrever sobre o assunto, pois sou militar. Penso o inverso disso: não devo falar sobre a política no sentido “micro”, mas tenho a liberdade de redigir sobre o aspecto “macro” da área. Afinal, todos sabem que a política é à base da sociedade, no seu sentido amplo  - e nunca no estrito.
O nosso país ainda é relativamente novo, do ponto de vista histórico, no aspecto pátria: a independência ocorreu em 1822 (7 de setembro), ou seja, ainda não temos 200 anos de Brasil.
Os interesses de perpetuação do poder (político) sempre existirão, mas a variação de intensidade, para menos, somente ocorrerá quando atingirmos uma maturidade sócio-política. Isso não partirá – ao menos não deve – apenas dos políticos, mas do povo. Quando a população brasileira se tornar mais esclarecida, por consequência a cobrança sobre os representantes será bem maior e mais qualificada.
Nas áreas de educação, cultura e sociedade, sigo determinados teóricos, dos quais citarei alguns: Paulo Freire, Walter Benjamin, Octávio Paz, Eduardo Galeano, Caio Abreu, Rubem Alves, Darcy Ribeiro, entre outros.
A principal teoria de Paulo Freire é que somos todos iguais, na nossa diferença.
A maior proposição de Walter Benjamim é que a elite já se encontra “intelectualizada” (por natureza), sendo que se investirmos culturalmente na “massa” do povo, o resultado para a sociedade será bem maior. A relação da massa com a arte é capaz de modificar as estruturas sociais. Essa é a doutrina da Casa do Poeta de Santiago, por influências da professora Rosane Vontobel e do projeto Santiago do Boqueirão: seus poetas quem são?
Surge, então, uma reflexão sobre a segunda pergunta:
O investimento em educação e cultura,  com o apoio de entidades representantes do povo terá o reflexo positivo em diversas outras áreas da administração pública, sendo que citarei umas poucas:
Primeiro, a educação está totalmente ligada com a cultura, pois uma interfere na outra, visto que a cultura é tudo o que existe de material e imaterial na sociedade. Exemplo – material (edifícios, estátuas, quadros, praças, ruas etc.); imaterial (pensamentos, ideias, costumes, hábitos etc.)
1. A educação auxilia na melhora da saúde de um povo, pois o indivíduo educado adquirirá o hábito (cultura) de realizar atitudes preventivas: higiene pessoal e de sua família; cuidados com a boca (dentição), os seios (mulheres), o acúmulo de água parada (mosquito), o tratamento ideal do lixo (saneamento) etc. Tendo uma melhor educação, é consequente a diminuição de problemas de saúde, o que diminui o fluxo de pacientes nos hospitais e, por fim, facilita o atendimento de quem realmente precisa (todos precisarão um dia).
2. A educação auxilia no aumento dos índices de segurança. Um povo educado possui uma cultura diversificada. O grande avanço da cultura é a sua variedade. A verdadeira formação educativa influencia na “moral” do indivíduo. Por consequência, teremos um menor número de ladrões (em todos os sentidos). No sentido denotativo: com a oferta de empregos, o indivíduo irá procurar trabalhar, ao invés de assaltar. No olhar conotativo: os líderes em todos os níveis, buscarão (ao menos um pouco mais) fazer com que a verba chegue mais ao seu destino (lembro que o maior índice de desvio de dinheiro, no Brasil, ocorre na saúde), o que influenciará em todas as áreas e, também, na segurança.
3. A educação influencia na “imagem” da cidade e no turismo. A formação do cidadão para o trânsito (segurança) e para a conservação da paisagem do município proporciona a diminuição de investimentos na manutenção da localidade, o que provoca o aumento da verba para outras áreas. Existe uma teoria denominada “Teoria das Janelas Quebradas”, do livro de mesmo nome, do médico Dráuzio Varella,  cujo extrato coloco a seguir:

  “ Em 1982, o cientista político James Q. Wilson e o psicólogo criminologista George Kelling, ambos americanos, publicaram na revista Atlantic Monthly um estudo em que, pela primeira vez, se estabelecia uma relação de causalidade entre desordem e criminalidade. Naquele estudo, cujo título era The Police and Neiborghood Safety (A Polícia e a Segurança da Comunidade), os autores usaram a imagem de janelas quebradas para explicar como a desordem e a criminalidade poderiam, aos poucos, infiltrar-se numa comunidade, causando a sua decadência e a conseqüente queda da qualidade de vida.
 Kelling e Wilson sustentavam que se uma janela de uma fábrica ou de um escritório fosse quebrada e não fosse imediatamente consertada, as pessoas que por ali passassem concluiriam que ninguém se importava com isso e que, naquela localidade, não havia autoridade responsável pelo manutenção da ordem. Em pouco tempo, algumas pessoas começariam a atirar pedras para quebrar as demais janelas ainda intactas. Logo, todas as janelas estariam quebradas. Agora, as pessoas que por ali passassem concluiriam que ninguém seria responsável por aquele prédio e tampouco pela rua em que se localizava o prédio. Iniciava-se, assim, a decadência da própria rua e daquela comunidade. A esta altura, apenas os desocupados, imprudentes, ou pessoas com tendências criminosas, sentir-se-iam à vontade para ter algum negócio ou mesmo morar na rua cuja decadência já era evidente. O passo seguinte seria o abandono daquela localidade pelas pessoas de bem, deixando o bairro à mercê dos desordeiros. Pequenas desordens levariam a grandes desordens e, mais tarde, ao crime”.

 A aplicação técnica do programa “Cidade Educadora”, por indivíduos competentes de qualquer governo, no município de Santiago, torna-se um “anti-janelas quebradas”.
Tanto o programa “Cidade Educadora”, quanto o epíteto “Terra dos Poetas” edificaram uma melhora na autoestima do cidadão santiaguense. Foram abandonados antigos apelidos que denegriam a região.
4. A educação desenvolve a cultura de um povo. Diz-se que uma sociedade é culturalmente desenvolvida quando ela possui uma maior diversidade de costumes dentro do seu escopo. Por exemplo: qual sociedade possui uma cultura mais diversificada e, por consequência, complexa – a cidade de Santiago ou uma tribo de índios do interior do Amazonas? Obviamente que é a nossa terra. Não qualitativamente, mas a globalização proporciona o contato com muitos tipos de culturas (chinesa, japonesa, árabe etc.).
Qualquer tipo de fanatismo é exclusivista, ou seja, exclui algo. Cortando opções, diminuímos a amplitude das escolhas.
No campo da literatura, eu sigo o pensamento inclusivo de Walter Benjamin, ou seja, não existe objeção alguma para que qualquer indivíduo - repito - qualquer pessoa passe a escrever, produzir obras e realizar lançamentos. A aprendizagem ocorre durante toda a vida, do início ao fim. A melhora da capacidade de escrever (ou a piora) pode ocorrer com 15 ou 80 anos.
Quem somos nós para julgarmos o trabalho de alguém? O julgamento nunca deve ser de um, mas de muitos. Caso a obra tenha grande qualidade, ela será reconhecida pelo público.
Quem somos nós para podar a iniciativa de um candidato a escritor?  Qualquer um pode produzir um livro, não importando grau de estudo. Obviamente, se quiser destaque, como em qualquer ofício, terá que partir para a dedicação e, em consequência, o autoaperfeiçoamento.
Com que autoridade um “crítico” pode desqualificar a produtividade de um autor? Tudo gira em torno da habilidade na comunicação, pois não existe “lixo literário”, mas contextos diferentes em níveis de conhecimento distintos. Quando analisamos o trabalho de alguém, estamos fazendo sob um ponto de vista. Como disse Leonardo Boff “Todo ponto de vista é a vista de um ponto”. Retornamos a diversidade de culturas: qual a comparação que podemos fazer entre a música clássica e a música gaúcha ou o funk? Nenhuma, pois o público é distinto e a arte também. Contudo, tudo é cultura...
Penso que qualquer prefeito de Santiago, independentemente de partido, deveria criar, o mais rápido possível, uma Secretaria de Cultura (e Turismo).  A Secretaria de Educação necessita de uma atenção especial – sempre – e naturalmente suga a maioria das verbas do município.
A Câmara dos Vereadores de Santa Maria, por exemplo, publica 02 (dois) livros por ano, de autores da cidade, para serem distribuídos gratuitamente na Feira do Livro. A escolha escolhe por concurso e a lei é denominada “Lei do Livro” (Obs: se alguém precisar, tenho a redação da lei). Segundo o Márcio Brasil, essa lei já existe em Santiago há um bom tempo. Poderíamos aplicá-la, além de incentivarmos novos escritores.
A cultura pode trazer uma maior produtividade para uma cidade, além de criar empregos e injetar recursos no comércio. No mínimo, ela levará o município para uma referência regional, estadual ( e quem sabe federal?).
Enfim, a postagem saiu longa demais. Teria muito mais para escrever, mas o tempo é escasso. Tanto que não irei corrigir os erros ortográficos...
Deixo isso para o leitor crítico.
===
Enfim, percebi que a Argentina e o Uruguai investem muito mais em cultura que o nosso Brasil. Quais serão os motivos?
Podemos ser diferentes do resto do País. O “Cidade Educadora” contribuirá para isso...
Vamos fugir do Senso Comum...
===
Santiago já deixou de ser somente agropastoril. Ela pode ser cultural, agropastoril e pólo educativo. Pode ser, inclusive, um grande pólo industrial (mesmo que esteja longe dos grandes centros e dos portos), pois a BR 287 passa por aqui e a ponte internacional está logo ali, em São Borja.

É isso e ponto.

Parabéns ao Batman(íaco) Márcio Brasil!

Feliz aniversário!

Na madrugada do dia 7 de dezembro de 2011 que escrevi essas bobagens. No dia do nascimento do amigo MB.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por deixar o seu comentário neste blog.
Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...