segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ensaio - Devaneios de um escritor: impressões lançadas em jatos pútridos.

Os devaneios fogem do senso comum.
Não se assustem os amigos, pois arremesso alguns devaneios do colega Fernando Reis, transcritos da forma como foram vomitados, por isso as aspas conectadas:
===

"O agora não existe em realidade. O presente é a voz da podridão, nos espelhos de uma grota marginal. Os recôncavos de teu cérebro e de tua alma são as imagens do entulho de um boqueirão metropolitano. Para atingir a plenitude literária é necessário despir-se das amarras sociais e dos grilhões do politicamente correto. Os teus olhos refletem a felicidade plena? A tua boca profere palavras inteligíveis? Não tenha medo de transitar pelo delírio, como que o real existisse realmente. A aliteração expelida, anteriormente, denigre o conceito do lógico. Uma bolha diária que sufoca o humano e que limita o cérebro a no máximo 5% de atividade. A barreira dos limites de literatos transgênicos e egocentristas, assim como eu, que bolinam o próprio caráter com a falsidade do subconsciente, dominado pelo gosto do leitor; um agrado sequer e já achamos que escrevemos. Uma palavra de um elogio insensato (e não sincero) e já quebramos o principal objetivo do ócio criativo: calar a maldita boca. Onde que está a fervura da alma? Aliás, existe realmente a alma e o espírito? A religião é o ópio do povo, ou o próprio povo é a droga de tantos olhos. O que é normal? Qual a diferença de nossos segundos? Procuro a resposta em cantos escondidos de minha loucura. Liberto-me da opressão de ter que escrever algo que o leitor goste de ler, pois o texto não é meu, nem nosso. O texto é do mundo e para o mundo. Aliás, as palavras também não são minhas. Os pensamentos escorrem pelas ideias dos outros. O que é original? O que é único? Talvez, penso eu, a unicidade esteja no fato de fracassarmos várias vezes, de diversas formas; de nunca conseguirmos responder o óbvio: de Darwin a Agostinho; de sonhos a pesadelos, da gnose até a agnóstica covardia. Esperamos que alguém leia e comente: qual o motivo? Qual a carência que existe de ter que ouvir para gostar? A resposta está na espada e no revólver. A espada foi sacada e o tiro foi dado. Houve o medo da antecipação; ofender para não ser ofendido. A acomodação do intelecto ocorre quando pensamos pouco, ou não pensamos. Só sei que nada sei. Sabemos que nada sabemos.  Mesmo assim, vivemos baseados em decisões que nada sabem. Nascemos julgando e tomando decisões sobre falsas certezas. Onde está o grito de tua garganta? Em que frase se encontra a liberdade de tua inteligência? Não adianta ter um corpo europeu se a alma é afegã. Não adianta os joelhos fiéis se o peito é terrorista. Leve os teus fracos olhos azuis para o lado negro da alma. Somente lá é que encontrará a beleza da arte. A aridez citadina acabará e encontrará a fértil escuridão que prega o poder. O espírito pode ser apenas uma pequena parte de teu cérebro louco. Como o teu pior inimigo, tu também te corrompes. Como o teu maior inimigo, tu também te estragas. Talvez os umbigos sejam siameses. Talvez a podridão da brancura de tua letra, seja o reflexo da lama e do caos. Só saberemos quando o véu cair e o sol ficar do tamanho de uma bola de pingue-pongue. A nossa massa cinzenta é água e putrefação. A vida é um erro da matemática infinita de Zeus. Os erros do texto vomitado fazem parte de sua construção. Não corrigiremos. A saudade não é obra de Deus, mas a criação da ébria vivência do próprio homem. Por qual motivo tenho que parar de escrever? A gota d’água é a lucidez que insiste em voltar e empurrar a ‘expedição negra’ de volta para cama. Já é tarde e amanhã tenho responsabilidades. A morte do ócio criativo, pela cegueira do diário...” 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por deixar o seu comentário neste blog.
Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...