domingo, 2 de outubro de 2011

Artigo Expresso Ilustrado 30 de setembro de 2011 - O Guarda (costas?) - por Giovani Pasini

O guarda (costas?)

Semana passada fui até Livramento, divisa com Rivera, no Uruguai. A minha atividade não foi “muambeira”, mas tinha o objetivo de realizar o contato com a Aduana uruguaia e a Polícia Federal brasileira, sobre a vinda de uma comitiva daquele país, até Santa Maria. Tive que esperar, por quase duas horas, numa cafeteria, na Rua Sarandi. Naquele local construí o presente artigo, para um desconhecido. Era um jovem, que utilizava uma calça camuflada (do Exército Brasileiro), uma camiseta e um colete preto; além de uma boina militar e coturnos. De início, o que me chamou a atenção foi o seu “cassetete”, feito de cabo de vassoura. As suas atitudes eram diferentes: xingava os motoristas, apenas balbuciando; fazia sinais de que iria multar, com seu papel e caneta “bic”; soprava forte um apito de brinquedo; de repente, quase do nada, adquiria uma postura “brigadiana”, com os polegares presos no próprio colete. A sua pele morena – característica da região – aguentava o calor do sol de setembro. A garçonete, senhora de meia idade, disse-me: “Ele é assim. É lunático. Pensa que é guarda...” Aquilo me fez repensar que todos nós temos um pouco de lunáticos; ficamos apitando e apontando dedos para todos os lados; criamos mundos e problemas fictícios (em realidades ilusórias). Talvez, uma das poucas diferenças, seja o coração do guarda-costas: no seu planeta imaginário não existe maldade; a lei é aplicada fielmente e todos os criminosos já estão na cadeia. Aqui, na nossa terra “brasilis”, ainda existe bastante escuridão.

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