sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Artigo Expresso Ilustrado 5 de agosto de 2011 - Ensaio sobre as cidades - por Giovani Pasini

Gosto de pequenos povoados. Nasci num, que se estende por uma coxilha, perto de um boqueirão. Mas, o ruim de cidades pequenas, daquelas que todos te conhecem, é que os defeitos que você possui são ressaltados ao extremo, em conversas de roda.  Nesse sentido as metrópoles ganham em qualidade: você pode morar por anos, ao lado de um desconhecido, que habita numa fortaleza intransponível, do outro lado do corredor. Parece-me que, nos municípios de baixa densidade demográfica, existe a alternância de valores: gostar muito e odiar demais. Naquele aglomerado de casinhas e poucos edifícios, você arruma grandes amigos, mas, também, inimigos homéricos. Na cidade grande é diferente: vivemos sob o manto da vida morna, isolada. Lá, os contatos se restringem a família, poucos amigos e colegas do trabalho, ou seja, ilhas de reconhecimento, em locais esparsos. As brigas ocorrem, mas, quando toca a sirene do final do expediente, encerram-se as animosidades e, todos correm para o forte – a moradia dos fracos. As qualidades do interior ninguém contesta: todos se olham nos olhos. Já nos grandes centros: muitas pessoas e quase ninguém existe. Em Porto Alegre, por exemplo, capital que morei por anos, os cotovelos ganham tanta notoriedade que parecem adquirir a importância dos olhos. Esquecendo a gangorra de qualidades e defeitos, uma coisa é certa: nada como a terra natal. Ela é como a planta de nossos pés e os fios dos cabelos - a base que não olhamos e a cobertura que não sentimos. Contudo, se tirarmos, com certeza fará falta.

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