segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Artigo Expresso Ilustrado 29 de julho de 2011 - A Alma sem gaiola - por Giovani Pasini

A alma é uma borboleta presa numa gaiola. Somente a imaginação, por vezes os sonhos, consegue libertá-la. As palavras escritas são as correntes da alma; os símbolos trancafiam os devaneios. Os pensamentos se aproximam do espírito, pois não conseguimos dominá-los: eles não aceitam os cadeados da sociedade. Pensamos e ponto. Então, surge a fala, que amordaça a amplitude das ideias; aí nasce a escrita que afunila a intensidade da emoção. O papel aceita várias interpretações e se subordina a aceitação dos outros. A beleza da alma está na liberdade da poesia – a vida é um poema – o maior sentido de existir, aparece nas entrelinhas. Uma pessoa sonhadora se assemelha a uma borboleta encantada, livre dos grilhões, que voa e voa. O papel e a caneta podem ser utilizados como uma ferramenta do poder; a mais poderosa arma que existe. Ela pode causar danos, mágoas, tristezas e, o pior de tudo, a submissão. As palavras ofendem; mas a alma desliza de patinete, em nuvens de algodão. Penso que ter sabedoria – um dia espero ter – é saber escolher pelo que vai sofrer; é não ter a “doença dos olhos”, de uma praga inexistente. A vida possui razões de sobra para sermos felizes. Você até pode não demonstrar que é feliz, mas deve ser feliz. Olhe para a lua: existe a lenda de São Jorge combatendo o dragão. A fera nunca se acabará e a batalha existirá a cada dia. Só que São Jorge ainda estará lá. A sua alma também está aí, quase arrombando a própria gaiola.

Um comentário:

  1. Adoro seus textos, colunas, livros, tudo que vem de vc, gosto da maneira que vê o mundo, teu blog tá lindo, conhecendo o Pasini como eu conheço só tenho que te dizer obrigado por existir em nossas vidas.

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