terça-feira, 23 de agosto de 2011

Artigo Expresso Ilustrado 19 de agosto de 2011 - Panela de Pressão - por Giovani Pasini


Andamos pelo quarto, desnorteados com o presente. Sentamos na cama vazia. A cabeça está doendo (de enxaqueca) e o artigo deve sair; o leitor merece. Ao som de "Ave Maria", de Beethoven, conseguimos escapar da realidade ameaçadora. Cada um de nós merece encontrar um bom significado para a existência. Não adianta transitarmos, em ziguezague, desviando as mobílias escuras. O mesmo deveria ocorrer com os nossos pensamentos; eles não têm a permissão para ficar passeando pelo lado negro da alma. A música tem esse poder de libertar a essência da felicidade plena. Surge a ideia de que somos iguais na nossa diferença. Nós, que andamos pelo quarto, temos qualidades e defeitos. Os erros também definem a nossa personalidade, não só os acertos. Nós, que percorremos o chão desgastado, pensamos que uma das glórias da vida é deixar a marca das letras, para o futuro. Cácio Machado assim o fez; dentro de sua especialidade poética. Caio Abreu assim o fez; dentro de sua peculiaridade prosadora. Os nossos "olhares na ventania" favorecem a verificação filosófica de que a vida é fluxo corrente. Cácio Santiago e Caio F. ponderam que o tempo é inexato, quando a grafia atinge a perfeição da perenidade. As entrelinhas perduram no ontem, no hoje e para sempre. A carne é só um detalhe que deve ser esquecido; apenas uma de nossas diferenças, das tantas e tantas, que foram escancaradas e viraram gargalhadas, dentro das quatro paredes, do quarto 101.

Em homenagem ao lançamento do livro póstumo, de Cácio Machado.

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