sábado, 30 de julho de 2011

Criatividade de Oracy Dornelles

Oracy Dornelles escreveu com a sua criatividade concretista:


Novo planeta no céu. No Catálogo Planetário da Poesia Santiaguense seu registro é este: 


K1.000a

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Aforismo sobre Deus, religião e filosofia - sobre o cartaz da ATEA

A filosofia é a melhor forma de se aproximar de Deus. 
Ao inverso da maioria das religiões, ela não segrega qualquer conhecimento, por preconceito ou fanatismo. 
A "exclusão filosófica" geralmente ocorre por opção individual e não de forma coletiva.
As religiões, de maneira geral, são seletivas. Portanto, se escolhe um caminho, exclui outro...A imperfeição da secção.

Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos - ATEA - lança campanha contra o preconceito.

Acredito na existência de Deus, apesar de não ser tão religioso.
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Contudo, tenho que dar a mão à palmatória para a propaganda da ATEA, que está sendo veiculada por toda a internet e em outdoors em Porto Alegre e outras capitais.
A propaganda foi muito inteligente.
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Depois de refletir por um dia inteiro, após pensar sobre o cartaz, irei lançar um aforismo, que será escrito dentro de alguns minutos.
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Bom, parabéns aos responsáveis pela ideia da propaganda, pela criatividade.
CLIQUE NA IMAGEM QUE ELA AUMENTA

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Aniversário da Karla Pasini...

27 de julho - aniversário de Karla Pasini

Hoje, 27 de julho, quarta-feira, a minha esposa Karla Pasini completa mais um ano de vida.
Há 12 aniversários ela me faz feliz.
Uma grande mulher é uma dádiva na vida de um homem.
A Karla é especial para mim. A base sólida que necessito, a segurança de meu lar.
Ela é o grande amor (paixão) de minha vida.
Espero que seja feliz e que tenha todos os desejos realizados.
Karla...
O Eduardo e a Amanda estão dizendo que te amam!
Nós te amamos!
Parabéns!

Agradecimento aos comentários de leitores

Agradeço o comentário dos leitores Weimar Donini (que realizou o curso de poesia junto com a gente!), do Gira Poesia e do José Eron Lucas Nunes (de Minas do Leão). 

O comentário foi feito na postagem: Ensaio sobre as cidades pequenas e as metrópoles

Obrigado pelas palavras carinhosas e pela leitura de meu blog.
Abração!

3 comentários:


José Eron Lucas Nunes disse...
Prezado Pasini! Conheço bem os dois pólos. Trabalho em Porto Alegre e tenho residência fixa em Minas do Leão (~7500 habitantes). Deixo-lhe o convite para em um final de semana que passar por aqui, chegar, tomar um chimarrão e conhecer a cidade. Parabéns pelo ensaio. Curto e verdadeiro. O último parágrafo, então, ótimo! Por isso escolhi a cidade natal para divulgação no blog. Um abraço e um ótimo final de semana!
Gira Poesia disse...
Adorei o blog, parabéns!! Desejo muito sucesso em sua vida e que Deus ilumine sua mente privilegiada.
Weimar Donini disse...
Caro Pasini. Parabéns pela excelente e, apesar da constatação simples do nosso cotidiano atual, profunda. Fruto de um olhar bastante acurado, que muito poucas pessoas têm. Um abraço.

Artigo Expresso Ilustrado 22 de julho de 2011 - Educar é cultura e intercultura - Parte Final - por Giovani Pasini

A lógica da matemática é exata, na maioria das vezes. Os humanos são sempre inexatos. Não há fórmula de soma (ou multiplicação) para se construir um bom caráter. A educação e a cultura estão interligadas, uma transformando a outra. O indivíduo modifica o meio; o ambiente altera o sujeito. A troca ocorre diariamente, nas relações emocionais. Paulo Freire idealizava que o humano deve assumir-se como um ser social e histórico; alguém capaz de criar e realizar sonhos; que possui a raiva porque é capaz de amar. Todos nós somos capazes de interferir na história (local, regional, nacional e mundial). A conscientização surge com o entendimento disso, num "insight" libertador. Não somos passageiros de decisões alheias; intervimos na nossa vida e na dos outros. Tudo passa pela construção de um "olhar crítico" para o mundo. Entretanto, a criticidade é bem diferente da falta de educação. Ser verdadeiramente crítico é escolher o que deseja; entender o que aceitar; discordar sem opressão. A interculturalidade é fundamentada no respeito à cultura alheia, nunca na sua dominação. Ela deve iniciar na escola, berço das utopias possíveis. Os pais e os professores são os maestros da primeira cultura; os guias da primeira educação. Encerrar essa coluna é acabar o inacabado. Termino, contudo, informando que a maioria dos artigos que publiquei no Expresso (inclusive este), farão parte da minha próxima obra, de título "77". Um número que simboliza uma (des)construção.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ensaio sobre as cidades pequenas e as metrópoles

O ruim nas cidades pequenas, daquelas que todos te conhecem, é que os defeitos que você possui são ressaltados ao extremo, em conversas de roda. 

Nisso as metrópoles ganham em qualidade: ninguém te conhece e você pode morar 10 anos, ao lado de um desconhecido, que habita numa fortaleza intransponível, do outro lado do corredor.

Parece-me que, nos municípios de baixa densidade demográfica, existe a alternância de valores: gostar muito e odiar demais. Naquele aglomerado de casinhas e poucos edifícios, você arruma grandes admiradores, mas, também, inimigos homéricos. 

Na cidade grande é diferente: vivemos sob o manto da vida morna, isolada. Lá, os focos de maledicência se restringem ao trabalho, cópia inconsciente dos limites da cidade pequena. Existem os companheiros de ofício e os colegas de fofoca.  Contudo, quando toca a sirene do final do expediente, encerram-se as animosidades e, todos nós, corremos para o Forte – a moradia dos fracos. 

As qualidades do interior ninguém contesta: todos se olham nos olhos. 

Nos grandes centros: muitas pessoas e ninguém existe. Em Porto Alegre, por exemplo, capital que morei por anos e onde residem três irmãos, os cotovelos ganham tanta notoriedade que parecem adquirir a importância dos olhos.

Uma coisa é certa: nada como a terra natal. Ela é como a planta de nossos pés e os fios dos cabelos - a base que não olhamos e a cobertura que não sentimos. Contudo, se tirarmos - ela faz falta.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Comitiva brasileira que foi ao V Encontro de Escritores do MERCOSUL

Excursão para Posadas (Arg) e Encarnación (Par) - V Encontro de Escritores do MERCOSUL
Foto: Lígia Rosso
Da esquerda para a direita: 
Eldrio Machado (Santiago), Andriele Machado (Santiago), Kamilla Amarante (Santiago), Giovani Pasini (Santiago), Karla Pasini (Santiago), Cátia Bonotto (Santiago), Nelsi Guerra (Santiago), Adilmo Lima (Santiago), Ilaine Cardinal (Santiago), Adão Lima (Santiago), Rafael Portella (Brasília), Ana Lúcia Lima (Santiago), Lígia Rosso (Santiago), Daniele Soares (Santa Maria).

Ajoelhados: Vanderlei Machado (Santiago), Luciane Estivalet (Santiago), Adriane Portella (Santa Maria)

Discurso do V Encontro de Escritores do MERCOSUL - repercussão positiva


Fico feliz em comunicar aos leitores que o discurso que proferi no V Encontro de Escritores do MERCOSUL foi publicado, na íntegra, na página institucional do Centro de Integração Latino-Americana (CILAM).

Quem tiver o interesse em verificar é só clicar aqui http://www.cilam.org/

Artigo para o Jornal Expresso Ilustrado - Educação é cultura e Intercultura - Parte II - 15 de julho de 2011, por Giovani Pasini

 Educação é Cultura e Intercultura - Parte II


O biólogo chileno Humberto Maturana afirmou que existem, no mundo, dois tipos de debates entre as pessoas: as discussões lógicas e as ideológicas. Quando o desacordo é lógico (por exemplo: 2+2=5), isto é, quando ele ocorre de "um erro ao aplicar a coerência em aspectos elementares", ao sanar a dúvida, a discussão acaba e, normalmente, se encerram as animosidades. Contudo, também existem outras discussões - as ideológicas - onde surge a possibilidade de negarmos "ao outro os fundamentos de seu pensar e a coerência racional de sua existência". A política é palco de inúmeros conflitos ideológicos; o mesmo ocorre na educação e na cultura - e em todos os tentáculos da sociedade. Por isso, existem algumas disputas que jamais serão resolvidas, no plano em que são propostas. As discordâncias ideológicas sempre existirão na sociedade e englobarão as piores ofensas e rancores, entre os seres humanos. Aos 36 anos de idade, consigo ter diversas convicções. Elas fazem parte do meu presente. Algumas estavam no passado e outras serão excluídas, no futuro. Várias surgirão, em forma de ideais construídos e obtidos da própria coletividade. Entender que cada um possui a sua visão, dentro de um contexto distinto, facilita a aceitação de que nem todos irão concordar com a gente. Entretanto, nada evitará as brigas: nós, humanos, somos cometas em rota de colisão.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Grupo de Estudo Dialogus da UFSM - lança blog / site


O Grupo de Estudos Dialogus, do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), lançou o site do Grupo.

O grupo realiza pesquisas sobre o pensador brasileiro Paulo Freire, além de projetos como Hora do Conto. Vale a pena conferir e seguir.

Para acessar o site: CLIQUE AQUI.

Cátia Bonotto palestra sobre o Cidade Educadora - Memórias do V Encontro de Escritores do MERCOSUL

Cátia Bonotto palestrando
Outra grata surpresa do V Encontro de Escritores do MERCOSUL foi a palestra ministrada pela Cátia Bonotto. Ela representou muito bem a Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC) e a Prefeitura Municipal de Santiago.

O seu desempenho foi tão bom - e a palestra tão bem organizada - que vários colegas argentinos e paraguaios vieram até nós (eu e ela) solicitando a possibilidade de copiar a apresentação do  programa Cidade Educadora.

Santiago está de parabéns, pois está se tornando uma referência regional (e do MERCOSUL) quando o assunto é cultura.

Memórias do V Encontro de Escritores do MERCOSUL - Palestra de Lígia Rosso - Palestra do Projeto Santiago do Boqueirão: seus poetas quem são?

Lígia entrega sua obra para organizadoras
Lígia palestrando

A escritora Lígia Rosso, Co-orientadora do "Projeto Santiago do Boqueirão: seus poetas quem são?" representando, também, a Casa do Poeta e o Colégio Medianeira, realizou uma palestra importante sobre o Projeto das Letras, elevando o nome da nossa cidade de Santiago e arrancando elogios dos participantes.
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Como um expectador de fora dos limites da Universidade Regional Integrada, penso que a universidade deve se orgulhar com o "Projeto Santiago do Boqueirão: seus poetas quem são?", coordenado pela Professora Rosane Vontobel Rodrigues. Não somente a universidade, mas os patrocinadores desse projeto devem receber os maiores elogios, pois ele é um difusor da cultura e da literatura regional. Na verdade, o projeto já extrapolou os limites de nosso país.

sábado, 16 de julho de 2011

Discurso que fiz no V Encontro de Escritores do MERCOSUL - para quem tiver tempo de ler.


A seguir, na íntegra, o discurso que fiz no V ENCONTRO DE ESCRITORES DO MERCOSUL. Peço aos leitores, que utilizarem o texto, que apenas façam a referência.
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O texto é um resumo de tudo o que penso, sendo que o discurso foi escrito com amor. Já enviei para inúmeros participantes do Encontro, que fizeram a solicitação.
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Se o leitor tiver tempo, faça a leitura e comente algo. Abração


V ENCONTRO DE ESCRITORES DO MERCOSUL
Oberá e Posadas (Argentina) – Encarnación (Paraguai)
7 a 9 de julho de 2011

EDUCAÇÃO INTERCULTURAL E POVOS DO MERCOSUL
(Literatura libertadora e humanizadora)
Carlos Giovani Delevati Pasini[1]

Bom dia a todos!
(Agradecimento para a Mesa de Honra e Comissão Organizadora.)

Ao agradecer a comissão organizadora do V Encontro de Escritores do MERCOSUL pelo valoroso convite de palestrar no presente evento, celebro a oportunidade de visualizar a realização de mais um evento cultural internacional, que possui o magnífico objetivo de integrar os povos do MERCOSUL. Tal evento, sem fronteiras, é voltado para o “pensar literatura” e para o “questionar destinos”.
O tema do Encontro – Diálogos Culturais – é um desafio crucial para todos os participantes, vindos dos variados cantos dessa América, com diferentes profissões, línguas e costumes. Propomo-nos a dialogar e, principalmente, a aproximar as diferentes culturas de povos distintos, com a meta de atingir uma igualdade e uma humanização que nos transforme em cidadãos cada vez mais: éticos, inteligentes, cultos e, por que não dizer, mais humanos.
Para tentar contribuir com o referido encontro, de forma efetiva, irei dividir a minha fala em duas partes. A primeira, essa que os companheiros estão presenciando, será feita na forma de leitura, com o texto que está sendo lido; e foi distribuído para os participantes. A segunda, mais informal, será feita na forma de uma palestra com a utilização dos recursos de multimídia. Pretendo não levar mais do que 40 minutos entre toda a apresentação. Qualquer questionamento poderá ser feito na segunda parte da exposição e será respondido com o maior prazer.
Inicio a minha retórica com a ideia do chileno Humberto Maturana, o qual define que a evolução humana ocorreu em virtude da “comunicação amorosa” existente na composição atômica (os átomos). A etimologia da palavra AMOR é algo parecido com (a= negação / More = morte), ou seja, amor significa “negar a morte”. Nos átomos, entre o núcleo e os elétrons, existe um grande espaço vazio. Eles buscam preencher esse vácuo, formando as moléculas. A partir desse microcosmo, surge tudo o que conhecemos hoje, na natureza.
Dentro do ecossistema, a raça humana se tornou uma incógnita, no seu salto evolutivo. O que nos distingue dos macacos? Dizem os cientistas, que a diferença gira em torno de 1,5%. Deixando de lado o “elo perdido”, todos os animais possuem certo tipo de inteligência – a diferença entre nós e eles é o quociente. Além disso, temos a capacidade de transmitir os conhecimentos, ou seja, ensinar e aprender baseados na experiência dos outros. Adquirir habilidades pela imaginação! Não há dúvida que essa capacidade “potencializou” o ser humano.
As grandes vantagens que tivemos foram a adaptabilidade e a capacidade de educarmos. A primeira, gira em torno da “não adaptação”, da eterna procura do conhecimento e do desenvolvimento de habilidades individuais. A segunda, tão importante quanto à outra, resume-se em completar (e criar) os espaços vazios em nossa alma. Tal como os átomos, também preenchemos a comunidade e os espaços vazios do que chamamos “vida”.
Maturana (2009), ainda apresenta que habitualmente pensamos no humano, no ser humano, como um indivíduo racional. Repetindo, o que distingue o humano dos outros animais é ele ser racional. A visão que temos da razão, na atualidade, deixa o homem cego. Para Maturana, a cultura ocidental desvaloriza as emoções, tornando-nos quase “ignorantes” nas relações interpessoais.
Quando mudamos a emoção, alteramos o domínio de nossa ação e, por consequência, os resultados são modificados. Para compreendermos melhor, basta explicar que o nosso raciocínio lógico diminui, por exemplo, quando estamos com raiva ou medo. Todos os animais possuem as emoções, expressadas pelo sentimento.
Pode-se afirmar, ainda, que todo sistema racional se baseia em premissas fundamentais aceitas a partir de preferências; ou seja, a razão não é transcendental, ela surge da emoção humana. (Maturana, 2009, p.16)
Voltando ao foco da Educação Intercultural, com ênfase nas emoções, sobrepondo à razão: o que você se lembra da sua época de escola? Com certeza, as melhores e piores recordações estão envoltas de aspectos emocionantes, ou seja, o sentimento sobrepõe ao conteúdo (razão).
Na obra “Ovelhas Negras” de Caio Fernando Abreu, escritor brasileiro, de minha terra natal (Santiago), surge o seguinte pensamento, do I Ching, “Aparece uma revoada de dragões sem cabeça”. Tal aforismo leva a uma reflexão básica: a maioria de nossos problemas não está do lado de fora, mas dentro de nosso cérebro. A razão em conflito com a emoção. São os “dragões sem cabeça” que atormentam bem mais, do que fazem mal. Essa ideia se aplica a tudo: amor, finanças, trabalho, entre outras coisas. A revoada dos “dragões sem cabeça” é encontrada até quando o assunto é literatura.
O que queremos com a literatura e a cultura? Desejamos ser hipócritas, em busca da difusão de nosso próprio ego? Queremos capturar mais um certificado para embelezar os próprios currículos, que nada mais são do que uma “correria da vida”?
Repensar a cultura é refletir os próprios objetivos. Debater a literatura é recriar a própria literatura de nosso MERCOSUL.  
Apresento um ideal que coletei do mundo e reenvio para o mundo: A escrita é livre. A leitura que é seletiva.  Repito: A escrita é livre; a leitura é seletiva.
Nós, a partir do momento que dominamos os códigos das letras, temos a liberdade de escrevermos o que quisermos, desde que haja o respeito aos direitos do outro. A leitura, ao contrário, é baseada numa seleção – escolha, opção, triagem – de textos produzidos e lançados ao mundo.
Paulo Freire, grande pensador brasileiro, atesta que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra” (FREIRE, 2006, p. 11). Portanto, antes mesmo de analisarmos qualquer letra, realizamos a compreensão e leitura do mundo.
Dito isso, serei enfático: a cultura não é somente das elites e, também, não procede unicamente do povo. A cultura é o reflexo material e imaterial de toda uma sociedade. Rui Barbosa, político e orador brasileiro, foi um dos primeiros patrícios a tratar a pedagogia (ciência da educação) como um problema integral da cultura.
Pense bem: as nossas condutas surgem da educação ou da cultura?
Na verdade, ambas estão entrelaçadas, numa flexibilidade social, sendo que somente elas possuem a capacidade de transformar o homem - no ser humano. Tudo o que foi construído fisicamente, à nossa volta, faz parte do patrimônio “material” da cultura (casa, carro, ruas, estátuas etc). No entorno de tudo o que nós vemos, também existe a complexidade do que está na esfera do conhecimento, ou seja, a cultura “imaterial” (os costumes, as tradições, as manias, as modas etc).
A educação, ciência de larga amplitude e transversalidade, aponta para todos os sentidos, sem indicar um caminho único e específico. A subjetividade da vida baseia-se na objetividade de buscar uma justificativa para a própria vida. Existir por algum motivo.
Sabe-se que a educação de um indivíduo ocorre de duas maneiras: a formal (feita pela escola) e a não–formal (efetuada pela vida). A primeira possui currículos, professores, métodos, material, etapas e objetivos a serem atingidos. É a dos programas de disciplina adotados pelos estabelecimentos de ensino, que contribuem acintosamente para a estruturação da personalidade do cidadão. A outra é a educação constante, que se inicia com o nascimento (ou mesmo antes dele) e só termina com a morte. A educação não-formal não se faz somente na escola, mas em todos os ambientes a que o indivíduo tem contato. Sua efetividade se encontra nos valores de instituições, como a família, a Igreja (religião), o próprio papel do estado, entre outros.
Educar[2]  exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural do povo em que se faz parte. Paulo Freire revisitou fundamentos importantes da educação, tornando-se um dos teóricos mais importantes da atualidade, sendo respeitado na comunidade científica. “Andarilho do óbvio”:
(...) Assumir-se como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque é capaz de amar. Assumir-se como sujeito porque é capaz de reconhecer-se como objeto. A assunção de nós mesmos não significa a exclusão dos outros.. (FREIRE, 1999, p.46) 

Segundo a professora Nelly Alleoti Maia (1996) “Toda a educação é aprendizagem, mas nem toda a aprendizagem é educação.” A assertiva declara que existem muitas coisas que são aprendidas, as quais podem levar à falta de educação: o ladrão rouba e o vigarista engana; exemplos de comportamentos aprendidos, mas que ao invés de integrar, marginalizam as pessoas.
Ao contrário, também existem ensinamentos que contribuem para a interação social, o que se pode afirmar que é educação, pois favorecem o processo de aperfeiçoamento do homem, para ele possuir atitudes aceitas pelo grupo e adquirir conhecimentos para agir em benefício dessa sociedade.
A propagação da educação proporciona a conservação da herança social, na medida em que os valores e as tradições do povo transportam-se de uma pessoa para outra, por intermédio da proliferação da cultura. Além disso, a educação é uma ferramenta essencial para a ação e a mudança social. Somente com o acesso ao conhecimento é que o homem poderá mudar e influenciar as atitudes de sua época, de forma geral e global. Portanto, progredir dentro da cultura possui uma parte fixa e outra mutável, ou seja, que não é estanque, mas que possui uma base.
A preservação da cultura está ligada a sua mudança. As alterações vão ocorrendo, geralmente, de forma lenta e imperceptível. Excetuando-se, obviamente, momentos históricos de transformações sociais de forma radical, drástica. Esses períodos são caracterizados por incertezas e revoluções (armadas ou não), também pela difusão de ideais de massa. Até que a situação volta para a normalidade, com alterações quase imperceptíveis, a não ser que seja um estudioso ou um bom observador.
Apesar de a cultura estar presente em toda a sociedade, pode-se dizer que teremos um maior avanço, enquanto Latino-Americanos, quando buscarmos cada vez mais a inclusão do povo, como um grupo pensante e população ativa de sua própria história.
O alemão Walter Benjamin defende, de forma magnífica, que o relacionamento das “massas” com a arte, dota-se de um instrumento eficaz de renovação das estruturas sociais. Portanto, a arte serve para modificar, positivamente, um povo. Os encontros de escritores, como estamos fazendo, surgem como um “pontapé” para transformar o mundo – o nosso mundo – aquele ao qual temos acesso.
As letras não pertencem a alguns, mas fazem parte da vida de qualquer cidadão que saiba ler e escrever. Entenda-se, a escrita é livre; a leitura que é seletiva. (Você só terminará de ler, ou ouvir, esse texto se quiser!). As obras literárias produzidas são positivas, dentro de suas diferenças. Melhor ainda, elas são livres para serem construídas, pois romperam o obstáculo “arcaico” de que não teriam condições de terem nascido.
Uma estatística imaginária: se a cada 1000 escritores que iniciam, surgir um Jorge Luís Borges (Argentina), um Caio Fernando Abreu (Brasil), um Pablo Neruda (Chile), um Gabriel Garcia Marques (Colômbia), um Roa Bastos (Paraguai), um Eduardo Galeano (Uruguai), por que não incentivarmos o surgimento de 2000 novos escritores?
Alguns dizem que o escritor deve estar “letrado” antes de redigir um conto – besteira pura. A vida não possui ensaios; ela é agora. A construção intelectual ocorre durante toda a existência, numa escada que sobe (e também desce). Não fique nervoso se você errar uma vírgula, um ponto, uma exclamação, ou mesmo uma palavra. A melhor aprendizagem surge do engano. Não se preocupe com isso, pois ocorreu, ocorre e ocorrerá com todos os escritores. Preocupe-se, sim, em desenvolver o seu dom: na pintura, na dança, na música (etc.) e, também, na escrita. Alguém irá apreciar a sua arte. O resto – críticas que sempre existirão- o resto é uma turbulência passageira.
Walter Benjamin complementa que “temos que ser defensores da liberdade de todas as vozes”. Em resumo, qualquer leitura se torna importante, pois nos ajuda a pensar e repensar; a construir e destruir; a fazer e desfazer: a sermos únicos, na nossa arte.
A cultura é medida, justamente, pela diversidade de costumes e valores. Quanto mais heterogênea for uma sociedade, melhor ela será. Portanto, ficar discutindo se o indivíduo pode ou não escrever (forma e conteúdo) sempre será um “redemoinho sem água”. Relembrando Descartes “Penso, logo existo”. Escrevo, então reflito. Vivo, é bom que aprendo - e não apreendo, nem domino. A dominância prevê a exclusão de algo, para alguém. As letras são do mundo e não de um homem.
Martha Medeiros, outra brasileira, afirma na sua coletânea de crônicas Coisas da Vida, que é “Impossível deter o desenvolvimento de lugares e pessoas”. A humanidade evoluiu, não adianta tentar impedir o tempo. Portanto, esqueça o “não escreve que você não tem capacidade!”; fato defendido por alguns críticos que se perdem no próprio racionalismo. Só aprende quem pratica - e muito. Alia-se, a isso, a inspiração e a conexão com a “essência”. Inicie agora, retire a sua obra de arte da gaveta e divulgue para todos! O que você tem a perder? As palavras escritas é que são imortais: nós passamos pela vida.
Certa vez, andando pelas ruas de Santiago, tive a felicidade de ouvir um ditado tradicionalista. Um senhor de idade, de mãos dadas com a esposa, falou a seguinte frase: “Cavalo velho ainda se assusta com galinha nova!”. Sem ouvir a sua explicação sobre a moral da história, tive a ousadia de fazer a minha dedução. “Uma pessoa experiente ainda se assusta com as peripécias da juventude”. Os jovens possuem a força do agir; a atuação impulsiva e o posterior pensamento. Algumas vezes assustam pelo temperamento. Já os idosos carregam a sabedoria da vida; a bagagem de uma existência; a serenidade da reflexão e os conselhos sensatos. O cavalo velho caminha tranquilo, enquanto a galinha nova dá vários pulos e sustos! A diferença incrível é que nós humanos transitamos entre as duas formas sem perceber. Se bem que todos nós conhecemos “alazões idosos”, que desmentem qualquer indicativo de idade.
Os anos deveriam ser medidos pelo olhar. Isso mesmo, os olhos é que teriam que marcar a velhice ou a juventude. Existe um ditado popular que define que “nada detém a inexorável marcha do tempo”. Contudo, nada segura a força inexorável de olhos sonhadores. A paixão criadora é que movimenta o mundo e alavanca os sonhos. Aquela magia que deixa o sorriso límpido, lindo e jovem. O entusiasmo que, independentemente da idade, nos transformam em “cavalos novos que assustam galinhas velhas”.
Senhoras e senhores: a literatura do século XXI, aquela das crianças e dos adolescentes, está baseada no entretenimento. Ler deve dar prazer. Para a juventude, a literatura deve passar pela esfera do fantástico. Para nós, participantes deste importante encontro, a literatura da América Latina tem de assumir um novo papel, que engloba o social e a filosofia humanizadora: deve ser de natureza intercultural.
Para o filósofo cubano Raul Fornet-Betancourt (2004), nós latinos temos que sair de nosso analfabetismo cultural, que é baseado em falsas seguranças teóricas e práticas. Temos que escapar do “colonialismo cultural” que foi feito e impregnado na nossa sociedade latina, principalmente no pós-guerra mundial (1945). Pensamos com as teorias dos outros; vivemos com o pensar dos outros. Continentes nórdicos engolem as nossas personalidades.
A antropofagia cultural (fagocitar as próprias certezas) deve estar presente na nossa literatura. Seremos grandes, somente quando escaparmos da dominação midiática da própria civilização opressora.
A opressão sugerida nessas linhas, não é feita com o uso de canhões, metralhadoras ou cassetetes. Pensa-se na infusão de hábitos castradores, por intermédio de costumes de entrelinhas, de indução à inércia educadora, cultural e filosófica da América Latina.
A cultura inglesa não é melhor que a portuguesa. A cultura portuguesa não é maior que a hispânica. A cultura ameríndia não é pior que a dos colonizadores de toda a América.  A interculturalidade não prevê a fagocitação  dos costumes alheios, mas o respeito às diferenças culturais do espaço e do tempo.
Voltando à Maturana (2009), é importante visualizarmos que existem dois tipos de debates entre as pessoas: as discussões lógicas e as ideológicas. Quando o desacordo é lógico (por exemplo: 2+ 2 = 5), isto é, quando ele ocorre de “um erro ao aplicar as coerências operacionais derivadas de premissas fundamentais aceitas” (2009, p. 17), quando a dúvida se encerra, a discussão acaba e, normalmente, se encerram as animosidades. Mas existem outras discussões – as ideológicas – nelas ocorre a possibilidade de negarmos “ao outro os fundamentos de seu pensar e a coerência racional de sua existência”. Por isso, que existem disputas que jamais serão resolvidas, no plano em que são propostas.
Um diálogo cultural deve ser feito de forma transversal e horizontal. Não posso olhá-los, de cima para baixo e vice-versa. A libertação ocorre com a universalização da arte; nunca com a proliferação de costumes do que apenas “eu” pratico. A nossa série de debates não deve ser uma apologia de nossa própria cultura, tentando demonstrar superioridade em relação ao outro país. Se isso ocorrer, nunca seremos integrados; nunca deixaremos de ser terceiro-mundistas.
Enfim, diz-se que os literatos são cansativos em suas palavras. O mundo da “carne” nos observa com estranheza e descrença. A chatice das dissertações, as diferenças de idiomas, podem levar a esvaziar auditórios ou, no mínimo, evacuar as nossas mentes. Peço aos ouvintes, nesta data tão bela, que se juntem a nós, na prática de emancipação e plurissignificação (vários significados) de nossas próprias palavras e letras. A ação libertadora de Paulo Freire, grande pensador brasileiro, deve ser expandida: vamos refletir, aprender e humanizar. Temos que nos reinventar!
Espero não ter sido um chato. Muito obrigado!

Referências Bibliográficas
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BACK, J.M; SILVA, N. V e. (Org.). Temas de Filosofia Intercultural. São Leopoldo: Nova Harmonia, 2004.

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FLEURI, R.M. Intercultura e Movimentos Sociais. Florianópolos: Mover/NUP, 1998

_____. (a) Educação Intercultural e Complexidade. Disponível em: www.ced.ufsc.br. Acesso em: 29 set. 2010.

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MATURANA, Humberto; VERDEN-ZOLLER, Gerda. Amar e Brincar. Fundamentos esquecidos do humano. 2.ed. São Paulo: Palas Athena, 2009.

MÉNDEZ, J.M.M. Educação Intercultural e Justiça Cultural. São Leopoldo: Nova Harmonia, 2009.

ZIEGER, Lilian; SILVA, Teresinha C. Educação e o MERCOSUL: Desafio Político e Pedagógico. Porto Alegre: Alcance, 1995.


[1] Autor: Carlos Giovani Delevati Pasini, Mestre em Educação pela Universidade Vale do Rio Verde de Três Corações, MG (UNINCOR) e Mestre em Ciências Militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, Rio de Janeiro, RJ (EsAO). Professor de Literatura e Redação do Colégio Militar de Santa Maria. Chefe da Seção de Ensino “A” (Língua Portuguesa, Literatura, Redação e Educação Artística do Colégio Militar de Santa Maria (CMSM). Vice-Presidente da Casa do Poeta de Santiago e Coordenador Cultural do Centro de Integração Latino-Americana (CILAM). E-mail: gpasini@ig.com.br

[2] Nesse momento a palavra “educar” deve ser entendida no sentido amplo, dos currículos formais até a educação não-formal, fora da escola.

Lançamento do Livro poesia y chronica foi um sucesso! Momento histórico!



Oracy Dornelles e Enadir Vielmo
Foto: Vanderlei Machado

Oracy Dornelles e Lígia Rosso
Foto: Vanderlei Machado
Evento bem organizado e prestigiado
Foto: Vanderlei Machado
Hoje, 16 de julho de 2011, às 16 horas, ocorreu o lançamento do livro poesia y chronica de Oracy Dornelles. O lançamento foi realizado na sede da Casa do Poeta de Santiago. 
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Não pude ir ao evento, pois tive que ficar em Santa Maria. Contudo, a Lígia Rosso adquiriu um exemplar para mim.
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Parabéns ao Mestre Oracy!
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Parabéns, também, ao Márcio Brasil (Presidente) e à diretoria da Casa do Poeta de Santiago, que organizaram um evento à altura do escritor.

Comentários de Alejandro Hernández y von Eckstein no blog - repercussões do V Encontro de Escritores do MERCOSUL

Agradeço as palavras do Alejandro Hernández, postadas como comentário. Ele é um escritor de renome e possui um blog interessantíssimo.

Ele fez várias postagens sobre o V Encontro de Escritores do MERCOSUL, sendo que compactuamos com o mesmo pensamento.

Sugiro que acessem o blog dele:  CLIQUE AQUI


Podriamos decir "Un pequeño paso para el hombre un gran paso para la integración".
Me ha agradado enormemente conocerte y ver que compartimos ideas en cuanto a lo que significa una verdadera integración, una integración de amigos que comparten pareceres y no una integración canibal de todos contra todos). Ojala que lo que los politicos todavia no han logrado lo hagamos nosotros con estos encuentros de escritores.Muy interesante tu blog, ya lo he agregado a mis favoritos.Antes de despedirme te dejo el link de un articulo que escribí en mi blog inspirado en tu charla de Posadas.Un ciberabrazo para vos y toda la gente linda que te acompaño.


Aca te dejo el link inspirado en "Escribir es obligatorio leer lo escrito opcional"
Un ciberabrazo


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Reportagem do V Encontro de Escritores do MERCOSUL - TV 12 - Argentina - Veja o vídeo!

VEJA A REPORTAGEM -- CLIQUE AQUI -- VEJA A REPORTAGEM

Anudando el lazo regional - por Sofia Valenzuela


Miércoles 13 Julio de 2011

V ENCUENTRO DE ESCRITORES DEL MERCOSUR

Anudando el lazo regional

Fueron tres jornadas “que impulsan y fortalecen la cultura merco sureña”

Los aché Guayaqui. La historiadora Karina Dohmann disertó sobre la etnia discriminada de la historia del Paraguay.
ENCARNACIÓN (ENVIADO ESPECIAL).
Paraguay, Brasil y Argentina fueron los países representantes del Mercosur que participaron del V Encuentro de Escritores 2011, realizado recientemente (entre el 7 y 9 de julio) y que tuvo por sedes dos ciudades misioneras (Oberá y Posadas) y una paraguaya (Encarnación). Fueron sus organizadores: las Sociedad de Escritores de Itapúa, presidida por Sofía Valenzuela, y de Misiones, presidida por Aníbal Silvero; la Biblioteca Pública de las Misiones, dirigida por Iris Gómez; Eduardo Galeano Producciones y Casa  do poeta de Santiago, de Brasil.
Durante el mismo se realizaron presentaciones de libros y se brindaron ponencias, con debate, a cargo de prestigiosos participantes de los tres países. 
El jueves 7, la jornada se llevó a cabo en la Casa de la Historia y la Cultura del Bicentenario de Oberá, en el marco de la Feria del Libro de Oberá. El viernes 8, fue anfitriona la Biblioteca Pública de las Misiones, en el Centro del Conocimiento, y el sábado 9, cerró sus actividades en el Centro Cultural Paraguayo-Alemán en Encarnación.

En Oberá
La inauguración, ocurrida en Oberá, incluyó las ponencias de Roberto Zub Kurylowicz (Paraguay), Olga Zamboni y Javier Arguindegui (Argentina). 
Kurylowicz abordó los Conflictos y contradicciones político-ideológicas de los colonos eslavos en el Paraguay durante la Guerra Fría dando cuenta de sus investigaciones en el poco conocido episodio bautizado como el Ataque a la colonia Fram. “Allí, (hacia 1950), fueron diezmadas las familias de ucranios y rusos, todos colonos tomados como comunistas, en tiempos de la primera dictadura de Alfredo Stroessner.” 
La reconocida escritora misionera, Olga Zamboni, abordó las construcciones poéticas de Manuel Antonio Ramírez en el libro Triángulo (1936) resaltando su prematura madurez frente a las de sus “socios” en el poemario, Juan Enrique Acuña y César Felip Arbó. Destacó las metáforas poéticas, novedosas y transgresoras del romanticismo imperante en Misiones en la década del 30, reconociendo en él a uno de los precursores del vanguardismo, lo que puede percibirse en el poema Canto a la hora doce, “donde la tierra es brasa oscura; hay un sol al rojo blanco; la atmósfera es  de fragua  y el calor: danza ígnea, tromba de luz sonora, ecuadores de locura, torbellinos candentes, tropel de infierno, ascuas aladas”. Y Javier Arguindegui compartió resultados de investigaciones periodísticas sobre Ramírez que permiten esbozar su persona, “no desde el poeta, sino del periodismo: Ramírez, fue con fundador de El Imparcial (en 1930) junto a Marcos Tavares Castillo (quien sería su asesino en 1946), fue redactor de Metrópoli, El Territorio y Noticias. Una solicitada, publicada en El Territorio dos días antes de su muerte sugiere las razones que impulsaron a Tavares Castillo a dispararle mortalmente el 26 de noviembre de 1946. Se homenajeó así el centenario del nacimiento de Ramírez (1º de noviembre de 1911).

En Posadas
El viernes 8, en la Biblioteca Pública de las Misiones, disertó Carlos Giovani Passini, (Brasil), sobre la Educación intercultural de los pueblos del Mercosur. Destacó Passini la evolución y progreso que tienen lugar por encuentros como éste; compartiendo una novedosa mirada sobre el “analfabetismo cultural” que ocurre en las culturas cerradas al intercambio. Juan de Urraza, de Paraguay, disertó sobre El proceso creativo literario, abordando el tema con el desmenuzamiento de la inspiración, desde el punto de vista psicológico y filosófico, lo que aparejó un interesante debate. 
Se presentó el libro Historia de Posadas, de Etorena-Freaza (Argentina), en dos tomos, desde los que los autores dan minuciosos detalles de archivo de todas las instituciones centenarias de la ciudad, relatan hechos fundamentales de su historia y evocan lugares cuya memoria resultaba imprescindible asentar. 
Y procedente de la Ciudad de Buenos Aires, Eduardo Monte Jopia presentó Identidad Sudaka, libro en el que aborda distintas épocas de la historia sudamericana, que van desde los primeros conquistadores hasta las revoluciones del siglo pasado, bajo la mirada “quirúrgica” del autor.     

En Encarnación
El sábado 9, en el Centro Cultural Paraguayo-Alemán de Encarnación, (el V Encuentro quedó incluido en la programación de festejos del Bicentenario de la República Paraguaya) desde temprano brilló el nivel de las ponencias. Lo hicieron Bartomeu Meliá (Paraguay), Passini (Brasil) y Zamboni-Arguindegui, Martín Cornell y Karina Dohmann (Argentina). 
Bartomeu Meliá atrapó al público con su ponencia sobre La lengua guaraní durante los tiempos de la independencia paraguaya, período que el experto acotó entre 1768 (la expulsión de los jesuitas) y 1811(Independencia del Paraguay). Se destacaron, entre otros, los siguientes pasajes enfocados como paradojales: “Muchos historiadores cuentan la historia del Paraguay sin saber hablar el guaraní. Es como querer contar la historia de China, sin saber hablar chino”.  “En Paraguay, tras la independencia, no se rompió con la lengua española, se la siguió usando, a diferencia de lo que ocurre en la República Checa donde hablar en alemán es blasfemia: en Praga, la tierra de Kafka, ya no se lo habla”. “Ni siquiera la Constitución paraguaya está escrita en guaraní”. “El guaraní es como el río I-soso, de Bolivia: por tramos emerge, por tramos es río subterráneo”.  “El primer documento bilingüe es el Reglamento escrito a dos columnas por Belgrano, en 1810”. 
En la misma jornada la escritora Olga Zamboni fue distinguida como Ciudadana ilustre de Encarnación, distinción muy aplaudida por los méritos de la Escritora, quien participó en todos los Encuentros del Mercosur. 
Se destacó también la ponencia de la licenciada Karina Dohmann, (Argentina) quien ilustró al público abordando detalles de la traducción del libro Los Aché Guayakí, escrito en alemán por Friedrich Christian Mayntzhusen hacia 1910. Dohmann obtuvo una copia del manuscrito, procedente de Alemania, se abocó apasionadamente a su minuciosa traducción, y su tarea alcanzó la culminación con la publicación del   prestigioso volumen que se distribuye en ambas orillas del Paraná. La historiadora, miembro de la Junta de Estudios Históricos de Misiones, dejó también interesantes pasajes, entre los que se destacan: 
“Los aché guayakí son los verdaderos discriminados de la historia del Paraguay. Fueron llevados al borde de la extinción por el proceso conocido como guaranización del Paraguay.” 
“Los guayakí eran cazadores y recolectores, vivían desnudos, eran antropófagos y nunca fueron esclavizados, ni por los conquistadores, ni por los jesuitas. Vivieron en entera libertad en la selva paraguaya. Una comunidad de casi mil habitantes se ubica en Capitán Meza, en Paraguay, sobre el río Paraná”. Dohmann también brindó aspectos biográficos y de la obra de Friedrich Christian Mayntzhusen, cuya colección de objetos indígenas se exhibe en el Museo Regional Aníbal Cambas, en la ciudad de Posadas.
Finalmente se destacó la emotiva ponencia del maestro rural  Martín Cornell quien ejerce funciones en Colonia Primavera, ubicada a 20 kilómetros de El Soberbio, en el oriente misionero. 
Asistido por un video, Cornell relató su experiencia, y la de sus colegas, en esos bravos ambientes en los que la escuela es el núcleo convocante de la comunidad de colonos. Cornell hizo hincapié en las complejas diferencias de idioma fronterizo (portuñol), en “la insuficiente preparación docente respecto de la lecto-escritura de niños, y de la enseñanza en aulas a las que asisten alumnos de edades variadas, en los trastornos de transitar caminos de tierra en días de lluvia, en la creación del comedor, en los trabajos de la huerta, y en las actividades comunitarias que se llevan a cabo entre docente, padres y alumnos.”


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