domingo, 15 de maio de 2011

Tempo de recomeçar

"A felicidade não é um objetivo, mas o caminho até o objetivo" Gandhi.
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Como o meu pai, tenho relativa tendência à solidão. Não entenda isso como "depressão". A solidão é mais sutil do que a depressão. Ela pode surgir por opção...
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Na vida pessoal estou muito feliz - completo.
A profissão também me traz a sensação de sucesso (cada um tem o seu).
Então, onde estaria a solidão?
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Talvez o livro que não foi lido.
As palavras que não foram ditas.
Os lugares que não conheci.
As músicas que não cantei.
Os amigos que perdi, nas andanças da vida.
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Talvez, ainda, a vontade de "engolir" todo o conhecimento do mundo. 
Ou as palavras que foram mal-ditas.
Os lugares que deixei de aproveitar.
As músicas que cantei mal.
Os inimigos que ganhei, nas corridas dos desentendimentos - do que é a vida.
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Poderia querer demonstrar que sou forte, uma rocha inabalável.
Na verdade, não sou.
A realidade mostra que ninguém é inabalável.
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Posso afiançar que o meu sentimento puro - da alma - esse é inquestionável.
Uma rocha sonhadora, que não aceita o contato com a água perfurante.
O oceano mundano corrompe a carne e todos os ossos. 
Somente o físico...
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A luta existencialista faz parte da "teoria da evolução".
Existo e defendo. Defendo e ataco.
Assim escrevia um quase ex-inimigo.
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Sempre será tempo de recomeçar.
A passagem da Casa do Poeta será um reinício de vida, com poesia.
Afastar-me de Santiago, ainda que temporariamente, é uma opção.
Nunca fugi do bom combate.
Só que a trégua é necessária, para a limpeza da alma.
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Ontem um aluno santamariense me perguntou sobre o motivo da criação da Casa do Poeta de Santiago. Respondi: "Não sei. Eu já conhecia outras casas do poeta. O que mais motivou foi a vontade de lutar pela liberdade da escrita, lá na nossa região." O diálogo se estendeu pelos tantos outros motivos.
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Afastar-me de Santiago, ainda que temporariamente, é uma opção.
Não estou falando de não ir para a "terrinha".
Com certeza continuarei presente, perto dos parentes e dos verdadeiros amigos.
Aprendi, nesses três anos, que devo ter cuidado com quem elogia todo mundo.
Ficarei afastado, portanto, de ambientes sociopatas. 
A pior sociopatia é a do elogio por interesses...
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Um conhecido me disse, certa vez, que "Pasini, a minha palavra é um tiro".
A palavra é um tiro.
A palavra também é uma rosa.
A palavra é um copo de vinho, que inebria.
A palavra é um carinho que afaga.
A palavra é um tiro.
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A Karla virá correndo, mandando eu tirar essa postagem.
Ainda não sei se tirarei. 
Se você estiver lendo, não tirei.
A escrita tem uma psicoterapia excelente.
Comigo funciona...
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O que posso dizer?
A ciranda de pedra - petrificou o Pedro.
A vida amoleceu os sonhos nativos.

Um comentário:

  1. Amei teu texto, concordo em tudo, como vimos no filme temos que cuidar as coisas que vem em forma de perfeição pra gente, vivendo e aprendendo, bora bora bora, o sol nasce pra todos, só não sabe quem não quer!!!!!

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Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

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