segunda-feira, 16 de maio de 2011

A revolta do passarinho - por Giovani Pasini (Fábula Ensaio)

O texto a seguir eu fiz em 30 minutos.  É um ensaio que ainda será corrigido. Ficaria agradecido se o leitor comentasse. Abraços.
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"Nós não vemos o que vemos,
nós vemos o que somos.
Só vêem as belezas do mundo
aqueles que têm belezas dentro de si". Rubem Alves

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A revolta do passarinho
O passarinho ficou revoltado com o ninho. 
Por qual motivo tinha que juntar pauzinho por pauzinho, se os humanos possuíam camas para dormir?
A cama estava pronta e o ninho era uma dificuldade para construir.
Sentia uma dor ao buscar cada pedacinho de folha e de pau, cada graveto, para montar um ninho, no alto de uma árvore.
O frio castigava o passarinho.
Resolveu, então, criar uma revolta. 
Iria convidar todos os pássaros conhecidos e seguir o primeiro homem que encontrasse. Quando ele abrisse a porta da casa, todos iriam invadir, com rapidez, e se apossar da grande cama (macia, felpuda e quente). 
Assim o fez.
Juntou mais quinze passarinhos e, seguiram o primeiro homem, naquela fria noite de inverno gaúcho. 
Só que o azar prevaleceu. 
O homem era um assaltante noturno. As aves ficaram assustadas ao ver o homem dar tiros em outro humano, acertando as costas de um jovem, por causa de um simples par de tênis.
Nisso, cinco aves desistiram e voltaram para os ninhos. Tiro era algo que a maioria dos alados não podia suportar.
As restantes resolveram, então, encontrar uma mulher. Seria mais seguro, pois dificilmente uma mulher é marginal. Seguiram uma velha gorda, barriguda. Só que ao chegar numa ponte, ela surpreendeu a todos. Amarrou uma pedra no pescoço e se jogou dentro do rio caudaloso.
Com o susto, outras cinco aves foram embora. Qual animal faria isso consigo mesmo?
As aves que sobraram, o passarinho revoltado e mais cinco, continuaram a sua revolução. Era melhor combater com poucos, do que sozinho.
No vazio da noite gélida, passaram a seguir uma criança, de uns 8 anos; a única que transitava pelo local. O passarinho líder disse "Vamos seguir essa criança! Com certeza terá uma cama gostosa e quente!". O menino catava comida, nas latas de lixo e colocava num grande saco. Algumas vezes abocanhava restos podres de comida.
No desenrolar do percurso, a tristeza dos passarinhos foi aumentando.
Alucinados com a situação, ficaram abismados ao ver a criança deitar no chão, perto de uma fogueira, e se tapar com folhas de jornal.
Nesse momento se encerrava a revolta do passarinho. Ele, como líder, apenas disse:
"Vamos para o nosso ninho. Lá é muito mais civilizado."
Nunca mais o passarinho olhou para a burrice dos humanos.

MORAL DA HISTÓRIA: dê importância para o que você tem. Você sentirá falta do seu ninho.

Um comentário:

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Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

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