terça-feira, 24 de maio de 2011

A conscientização como humanização - pensamentos filosóficos de Paulo Freire e as fronteiras da politização de nosso mundo (Ensaio)

Em homenagem à Fátima Friedriczweski. Amiga e sensata.
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"Uma das características do homem é que somente ele é homem. Somente ele é capaz de tomar distância frente ao mundo. Somente o homem pode distanciar-se do objeto para admirá-lo." (FREIRE, 1980, p. 25-26) 
(Todas as citações desse ensaio se referem ao livro Conscientização: teoria e prática de libertação. São Paulo: Editora Moraes, 1980
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O referido artigo surge como uma reflexão realizada após a minha participação no debate no Grupo Dialogus, coordenado pelo Dr. Celso Ilgo Heinz, da Universidade Federal de Santa Maria.
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A conscientização como humanização - pensamentos  filosóficos de Paulo Freire 
e as fronteiras da politização de nosso mundo (Ensaio)
Carlos Giovani Delevati Pasini


     O filósofo e educador Paulo Freire apresentou uma vasta teoria ligada a "conscientização" do ser humano. 
     Segundo ele (1980, p.25-27), estar consciente é o fato de possuir o conhecimento crítico, numa ação-reflexão. A conscientização de um homem não terminará jamais - ela ocorrerá diariamente, por toda a sua vida. A consciência-mundo insere o homem na história, sendo um compromisso histórico, de indivíduos inseridos em ambientes sociais.
     A utopia surge como uma alavanca para o conhecimento. O "fator utópico", para Freire, não é algo irrealizável, mas um componente que proporciona um avanço com "passadas largas" para o futuro.
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      Como relacionar essa conscientização com o mundo atual?
     Segundo Freire (1980, p.30), o Tema que preocupa a sociedade dá à época a característica antropológica que a define.
     Quais os temas relevantes que definem a nossa sociedade?
     Primeiramente, toda educação é um ato político. Não existe o fazer educativo sem a influência ideológica. Acontece, que muitas vezes a própria sociedade confunde o que é o "ato político".
     Apesar de militar, também sou educador, e não tenho como me afastar totalmente da política social. Não entenda como uma "política partidária", pois apesar de gostar da ciência (definitivamente) não pretendo entrar para o meio. Isso favorece o próprio artigo, pois a distância do objeto, contribui para a sua análise. A redação que proponho é construída dentro de um grande poder que possuo, como cidadão, o direito do VOTO.
    Portanto, entenda como política o fator ideológico que favorece a conscientização do ser humano; indivíduo que busca um conhecimento crítico do mundo em que vive.
     Nesse contexto, percebe-se que na nossa atualidade existe uma disputa em relação à tomada e a manutenção do poder.
     O poder sobre o município (estado, país).
     O poder sobre as pessoas do município (estado, país).
     O poder sobre o poder das pessoas do município (estado, país).
   Seria inocência pensar que isso ocorre somente neste momento da história, ou apenas no Brasil.

     O Tema mais adequado - para qualquer político -  deveria ser o povo e para o povo


     Contudo, na maioria das vezes, sente-se que a defesa do partido, dos interesses particulares,   sobrepujam os interesses coletivos da sociedade e a própria honestidade. Isso fica claro por intermédio de manobras irregulares e do ataque sistemático a outros grupos políticos, como prática de busca de votos. A ciência política não é isso. Ela não é segrega e não atende a anseios particulares. Pelos menos, não deveria.


     Percebe-se, na conjuntura nacional, que a desonestidade está muito comum no meio político. Tal fato só pode ocorrer numa sociedade alienada, que não está consciente de seu poder de interferência na historicidade. Segundo Paulo Freire (1980, p.36), a tomada de consciência de sua temporalidade e das relações sociais fazem com que o cidadão saiba da força de sua intervenção, passando a ser sujeito.
 
Qualquer obsessão é prejudicial à conscientização.
     A obsessão religiosa, por exemplo, leva ao fanatismo e à exclusão social.
    A obsessão política leva à ignorância na organização, administração e condução do "estado", que é a própria razão da existência dessa ciência. O que se consegue com esse tipo de fanatismo é a evolução de "subgrupos" sociais, denominados partidos.

    Segundo Paulo Freire (1980, p.30), as AÇÕES LIBERTADORAS, "num certo meio histórico, devem corresponder não somente aos temas geradores como no modo de se perceber estes temas. Esta exigência implica em outra: a procura de temáticas significativas".

    Qual a temática significativa que deveria permear os debates políticos?
    Basicamente, as respostas estão onde o povo deseja (sem ordem de prioridade), ou seja, nos assuntos de máxima importância, por intermédio de projetos (ou pré-projetos): 


Temáticas que deveriam ser discutidas (sugestões)
1º Educação;
2º Saúde;
3º Segurança; e
4º Qualidade de Vida.

    Nota-se (um ano e meio antes das eleições) nos combates políticos partidários que, algumas vezes, os agentes utilizam de quaisquer ferramentas (e armas) para desqualificar os inimigos. A conhecida politicagem. Tudo em nome do partido. Essa ingerência viciou todo o sistema.


    O Brasil tem que superar essas ações de país subdesenvolvido, onde a fiscalização não ocorre de forma adequada, ou melhor, só acontece quando ultrapassam as "blindagens" politiqueiras que sobrepujam a honestidade.


Está na hora do povo brasileiro mudar. 
O povo - nós somos o povo.
Nacionalismo, patriotismo, ética e honra não fazem mal a ninguém.


Sugestão: 
não vote em político que fica atacando os outros; vote em quem se preocupar com a apresentação de projetos que melhorem a sua localidade. 
Isso é um voto consciente. 
Essa é uma das formas de conscientização, sem manipulação.

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