segunda-feira, 18 de abril de 2011

Serenata - pensamentos da Madrugada - Poema embriagado

O padre fictício me olha de soslaio...
É o verso de um violão velho.
Aliteração repetida
de fonemas fétidos, sem fé
e com fel.

Faço o sinal da cruz
para combater os meu piores inimigos:
meus pensamentos,
minhas palavras e
meus sentimentos.

O que resta dentro do espírito?
Sobra o gosto do ódio e da incompreensão;
o abraço cálido da sinestesia
inoculada,
no olhar doce da libélula-dragão.

A saída para a inépcia literária
será escrever em prosa
poética (?)
o poema em verso
que proseia com o pó?

Você é um escritor?
Você é um escritor?
É um poeta?
Talvez um zeugma
escondido na repetição.

Quem deu o direito para a porta
agir como um assoalho?

A liberdade é uma navalha
que corta o conhecimento,
ou a prisão que massageia o
intelecto?

A religião é o ópio do povo
e o povo é a metáfora do polvo:
uma cabeça e vários braços
para construir
a opinião do vazio.

Um copo de vinho
acompanha os devaneios
notívagos.
Ele é forte, encorpado.
Eu sou homem,
amargamente
inebrio o que faço.
A serenata
do Montenegro
fala sobre a Estrada Nova.
Novo só o vinho.

O caminho é antigo
e Caminha já caminhou.

A diferença é apenas
o violão velho
- um universo tão inverso -
que abençoa
neste verso,
como o papa que nos deixou,
numa comparação de figuras,
do branco Sol
com o negro sou.

Giovani Pasini, 18/04/2011

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