terça-feira, 19 de abril de 2011

A praga dos Semicultos - para refletir


Na revista Discutindo LITERATURA (Ano I, Nr 06, Pg 37) existe um pensamento de Mário de Andrade, registrado em 10 de junho de 1927, sob o título de Problema de Borracha, uma reflexão interessante, retirada do diário de viagem do autor, que tinha o título de O Turista Aprendiz.

Problema da Borracha (por Mário de Andrade - 10/06/1927)

"A gente pode lutar com a ignorância e vencê-la. Pode lutar com a cultura e ser ao menos compreendido, explicado por ela. Com os preconceitos dos semicultos não há esperança de vitória ou compreensão. Ignorância é pedra: quebra. Cultura é vácuo: aceita. Semicultura? Essa praga tem a consistência de borracha: cede, mas depois torna a inchar."
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Pensei em redigir uma reflexão sobre o pensamento supracitado. Desisti.
Acho que Mário de Andrade foi muito feliz em suas metáforas e comparações.
O que eu teria para escrever não cairia bem, mesmo que eu pendesse para qualquer lado.
Portanto, resolvo calar (não teclar).
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Deixo o pensamento para o escritor (blogueiro) que desejar pensar um pouco.
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A eterna briga contra meus piores inimigos:
meus pensamentos,
minhas palavras e
meus sentimentos.
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A praga de ser, talvez, mais um dos inúmeros semicultos da "Terra dos Poetas".

2 comentários:

  1. Caro Pasini.

    A quem tive o prazer de conhecer o pai, como já tive oportunidade de dizer-te.

    Vamos Socratilizar um pouco? Inventei o termo derivado de Sócrates. Ah, quem me dera!

    Será que existe o culto, indivíduo pronto e acabado? Será que uma monografia tem conclusão ou tem considerações finais? Será que durante toda nossa vida não estamos sempre em constante estado de aprendizagem? Será que alguém poderá intitular-se culto?

    Lembra do Sócrates? Pois é. Ao ser homenageado como o homem mais culto de seu tempo teria dito: A única coisa que sei, é que nada sei. Lembra?

    Pois é, a gente é semi-culto mesmo, né?

    Um abraço.

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  2. Caro Weimar Donini,
    primeiramente, obrigado pelo comentário.

    A sua contribuição é apropriada.

    Sócrates, mestre de Platão, afirmou que "Só sei que nada sei".

    A pouca experiência que tenho de vida me fez observar que não somos cultos, mas temos cultura. Na verdade, temos várias sabedorias, em determinados momentos.

    Tão bom quanto Sócrates foi o que escreveu o ensaísta americano Ralph Aldo Emerson "Todo o homem é melhor que eu em alguma coisa; é nisso que aprendo com ele".

    Caríssimo Weimar - pessoa que tive a oportunidade de ver levantar um certificado de curso de poesia com tanta satisfação! - julgo que nascemos a cada dia e, felizmente, acumulamos experiências.

    A vida é assim, complicada. Nós pensamos uma montanha; falamos um estádio; e escrevemos uma bola de futebol.

    Podemos considerar que temos cultura, visto que essa é a representação de toda a construção artística (material e imaterial) do homem. Contudo, ser culto é algo impossível.

    Ou você se especializa ( e sabe muito de uma área); ou fica no conhecimento geral - "um oceano de conhecimento com um palmo de profundidade".

    O que fazer?
    Descobrir o sexo dos anjos?
    Descobrir se o que veio antes foi o ovo ou a galinha?

    Talvez, penso eu, viver e renascer a cada dia.
    Não esquecer que não somos um poço (como o do poema de Caio), mas uma poça de aglomerado de informações internalizadas.

    A resposta está em ser feliz pelo caminho.

    Obrigado pelo comentário.

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Agradeço o tempo investido nesta comunicação.

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