sábado, 9 de abril de 2011

Artigo para o Jornal Expresso Ilustrado - 08/04/2011 - De olho na cruz

No final de semana passado fui à igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Santa Maria. Quando cheguei ao santuário, uma cena pitoresca chamou a minha atenção: uma senhora, cabelos brancos, olhava fixamente para a imagem de Jesus Cristo, na cruz. Com as mãos entrelaçadas, ela realizava uma prece intensa, alheia aos outros visitantes. Silenciosa, a mulher era uma muralha de devoção; um bloco de concentração. Percebendo o instante único que eu presenciava, tive uma leve sensação de impotência, por não saber pintar quadros. Aqueles segundos, retratados em tinta, seriam uma verdadeira obra de arte. No dia seguinte, ao chegar ao Colégio Militar de Santa Maria, escutei “Sentido! Apresentar Armas!” O toque de corneta acompanhou os comandos. Como de praxe, desci do veículo e prestei a continência para a Bandeira Nacional, que estava sendo hasteada. De canto de olho, observei alguns militares encarando a flâmula verde-amarela e, não sei por qual motivo, voltou-me a imagem da devota. Naturalmente, fiz uma comparação entre o patriotismo e a fé. Para os dois, há a necessidade do sentimento de que existe algo muito maior. Tão grande que, por si só, não necessita ser comprovado. Nós, brasileiros, precisamos pensar mais em Deus e pátria. Talvez, mesmo, apenas sair de casa numa noite estrelada. O sentimento de pequenez, diante de tal infinito, diminui o egoísmo e a ganância. Penso que o mundo seria melhor, se tivéssemos a total clareza de que o “eu” acaba rapidamente. No fim, restará apenas a fé e a pátria; talvez o amor.

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